terça-feira, 12 de outubro de 2010

Qualidade no Projeto de Edifícios

O livro Qualidade no Projeto de Edifícios é promovido pela Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ANTAC), através do Grupo de Trabalho de qualidade do projeto, e traz as principais discussões dos pesquisadores convidados para o 1º Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído realizado em São Carlos, SP em novembro de 2009. Esta obra conta com treze capítulos desenvolvidos por importantes pesquisadores da área e está estruturada em três grandes temas: qualidade do projeto e percepção do usuário; tecnologia da informação e qualidade do projeto; qualidade do projeto, meio urbano e a habitação social.

As cidades e os seus edifícios representam o habitat do homem contemporâneo e têm enormes e multivariadas implicações na qualidade de vida das pessoas. Assim, o projeto e a avaliação de projetos em arquitetura e engenharia são estratégicos para aprimorar a qualidade do ambiente construído. O processo de projeto e sua gestão constituem também as etapas nas quais as tecnologias e as soluções são concebidas, desenvolvidas e avaliadas, com repercussões em todas as demais etapas do ciclo de vida do ambiente construído, tais como: a construção, o uso e a operação, a manutenção, bem como a requalificação ou descarte das edificações.

O processo de projeto contemporâneo desenvolve empreendimentos cada vez mais complexos, exigindo soluções projetuais e tecnológicas mais elaboradas e multidisciplinares, avaliadas e aprimoradas continuamente. Neste contexto, o livro Qualidade no Projeto de Edifícios discute a atuação de projetistas e construtores durante o ciclo de concepção, projeto, acompanhamento de execução e uso, considerando diversos agentes intervenientes em cada etapa e os usuários e suas necessidades.

Sumário:
SOBRE A ANTAC – Francisco Ferreira Cardoso
PREFÁCIO - Doris Kowaltowski
INTRODUÇÃO – Márcio Minto Fabricio, Sheila Walbe Ornstein

TEMA 1 - QUALIDADE DO PROJETO E PERCEPÇÃO DO USUÁRIO

CONCEITOS DE QUALIDADE NO PROJETO DE EDIFÍCIOS - Márcio Minto Fabricio, Sheila Walbe Ornstein e Silvio Burrattino Melhado

ARQUITETURA CENTRADA NO USUÁRIO OU NO CLIENTE- UMA REFLEXÃO SOBRE A QUALIDADE DO PROJETO - Mônica Santos Salgado

ARQUITETURA CENTRADA NO USUÁRIO - GESTÃO DE REQUISITOS NO PROCESSO DE PROJETO - Luciana Inês Gomes Miron

ELEMENTOS DO PROCESSO PROJETUAL COMO FONTE DE STRESS AMBIENTAL - EXPLORANDO ASPECTOS QUE PODEM INFLUENCIAR A RELAÇÃO USUÁRIO-AMBIENTE - Gleice Azambuja Elali

ABORDAGEM EXPERIENCIAL, QUALIDADE DO PROJETO, QUALIDADE DO LUGAR E CULTURA NA ATUALIDADE - Paulo Afonso Rheingantz

TEMA 2 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E QUALIDADE DO PROJETO

LÓGICA FUZZY E SUAS APLICAÇÕES NA AVALIAÇÃO DO AMBIENTE CONSTRUÍDO - Odair Barbosa de Moraes

TENDÊNCIAS DA COLABORAÇÃO EM ARQUITETURA, ENGENHARIA, CONSTRUÇÃO - Marcus Vinícius Granadeiro Corrêa e Regina Coeli Ruschel

BUILDING INFORMATION MODELING PARA PROJETISTAS - Regina Coeli Ruschel, Paulo Roberto Pereira Andery, Silvio Romero Fonseca Motta, Ana Cecília Nascimento Rocha Veiga

TEMA 3 - QUALIDADE DO PROJETO, MEIO URBANO E A HABITAÇÃO SOCIAL

EDIFICAÇÕES E ESPAÇOS URBANOS- PERCEPÇÃO, COGNIÇÃO E MÉTODOS DE AVALIAÇÃO - Antônio Tarcísio da Luz Reis

GESTÃO DE ESPAÇOS COLETIVOS EM HIS – A NEGAÇÃO DAS NECESSIDADES BÁSICAS DOS USUÁRIOS E A QUALIDADE DO COTIDIANO E DO HABITAT - Nirce Saffer Medvedovski

AVALIAÇÃO, VALOR E HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL - Miguel António Buzzar

CIDADE E HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL - António Baptista Coelho

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Reabilitação de edifícios habitacionais com valor patrimonial

Reabilitação de edifícios habitacionais com valor patrimonial - A importância da aplicação de uma metodologia de boas práticas de intervenção. O caso da Casa Rodrigues de Matos
Mariana Morgado Pedroso
marianamorgadopedroso@gmail.com

Este artigo defende a importância da aplicação de uma metodologia de boas práticas de intervenção na reabilitação de edifícios com valor patrimonial (1),neste caso ensaiada numa habitação palaciana do século XVIII em Lisboa – a Casa Rodrigues de Matos - e fundamentada pela actual dinâmica registada no mercado residencial indiciando uma procura emergente deste tipo de edifício no mercado imobiliário pelos segmentos mais elevados (Barata Salgueiro, 1997).

Pela Convenção para a Salvaguarda do Património Arquitectónico da Europa (Granada, 1985; art.º11) considera-se que a reposição da eficácia física e funcional de edifícios com valor patrimonial reconhecido, implica a definição de uma metodologia de boas práticas de intervenção. Trata-se de uma estratégia que visa a sistematização e aplicação dos conhecimentos sobre reabilitação, de uma forma eficaz, coerente e justificada focalizada no cumprimento das exigências de compatibilidade, durabilidade, reversibilidade e economia. Simultaneamente permite acautelar situações negligentes de intervenções no património construído, que devem ser tidas em conta em intervenções de reabilitação.

Nestes edifícios o programa decorativo é habitualmente rico, o que justifica a integração no projecto global de reabilitação de um projecto específico de restauro. Elaborado à semelhança do projecto de outras especialidades e designado por projecto de reabilitação com projecto de restauro integrado (2), tal como preconizado pela Carta de Cracóvia (2000; art.7º), que permite acautelar e melhorar a capacidade de resposta a imponderáveis verificados em fase de obra, bastante comuns em intervenções deste tipo.

Este artigo foi organizado em três partes: justificação, metodologia e caso de estudo, onde se aborda de forma sintetizada a temática em questão. De tal decorrem as conclusões, onde se sintetizam os princípios para as boas práticas de reabilitação e o resultado da intervenção no caso de estudo.

JUSTIFICAÇÃO

O estado actual do parque edificado em Lisboa e a actual pressão sobre os edifícios com valor patrimonial por parte do sector imobiliário legitima o ensaio de uma metodologia, que permita a sistematização e aplicação de conhecimentos, de forma eficaz, coerente e justificada de modo a combater o estado de degradação do património construído e a inverter as tendências actuais que privilegiam a construção nova face à reabilitação.

O desenvolvimento urbano da cidade de Lisboa seguiu até hoje um padrão de configuração radio-concêntrica, desenvolvida a partir do seu núcleo tradicional, inicialmente dentro dos limites administrativos do concelho e posteriormente por alastramento à periferia. De acordo com Barata Salgueiro (1997) a actual dinâmica espaço-funcional da cidade é marcada por uma acentuada terciarização do centro da cidade e consequente expulsão da função habitacional das áreas de maior centralidade.

Actualmente verifica-se uma mutação da estrutura metropolitana de Lisboa, associada à perda de importância do centro tradicional histórico e à mudança para uma situação de cidade policêntrica e dispersa pelo território. Segundo Barata Salgueiro (1997), estas novas centralidades surgem ligadas ao aparecimento de centros industriais, parques de escritórios e centros comerciais que crescem na periferia de forma aleatória e fruto da especulação imobiliária. As dinâmicas urbanas contemporâneas evidenciam, contudo uma procura de habitações em áreas centrais das cidades por segmentos da população com maior poder económico, contrariando a tendência ocorrida nas décadas anteriores de preferência por zonas periféricas (3). Esta tendência reflecte-se na procura, por parte do sector imobiliário destinado ao segmento médio-alto, de edifícios com valor patrimonial em zonas centrais para reabilitação.

A habitação em edifícios reabilitados no centro da cidade, enquadra-se no tema central deste estudo, e está relacionada com as crescentes vantagens destas áreas, enquanto lugar de residência devido às condições de centralidade conferidas e facilidade de acesso a serviços variados. Segundo Barata Salgueiro (1997) “A habitação nova ou reabilitada em áreas prestigiadas e revalorizadas da cidade suporta o processo de nobilitação correspondente à revalorização da centralidade para residência de grupos sociais abastados.” Daí o crescente interesse pelas habitações palacianas e aumento da procura e oferta deste género de tipologias residenciais (4).

O processo de mutação da estrutura funcional da cidade de Lisboa reflecte-se no estado de conservação do parque edificado, já que a principal premissa para a manutenção dos edifícios é o seu uso efectivo. Nas últimas décadas a cidade perdeu cerca de 210 mil habitantes, encontrando-se devolutos cerca de 40 mil fogos, i.e. perto de 14% dos 288 431 alojamentos clássicos que compõem o parque habitacional de Lisboa (Censos, 2001). A partir dos Censos de 2001, calcula-se que pelo menos 61% do parque edificado (56 178 edifícios), necessite de reparações. Destes, cerca de 9% necessitam de obras profundas de recuperação, sendo que 5% se encontram num estado próximo da ruína. Os dados disponíveis apontam uma forte relação entre o estado de degradação e a idade dos edifícios. A maioria destes fogos encontra-se localizado no centro histórico da cidade.

Figura 1: Estado de conservação dos edifícios em Lisboa. Fonte: Seixas (2004, pág. 157).

Num estudo desenvolvido em 2004 (Seixas, 2004) sobre o mercado da habitação na área metropolitana de Lisboa, é evidenciada a clara preferência da classe média-alta em habitar as área centrais de Lisboa. Embora o processo de crescimento da cidade tenha levado ao despovoamento da área central da cidade, com acentuada diminuição do número de moradores, é notória a procura de habitação de qualidade nestas área. Torna-se portanto fundamental responder a esta tendência, através da reabilitação informada do parque habitacional antigo (5).

METODOLOGIA

A metodologia de reabilitação proposta foi desenvolvida com base nos estudos de Garcia (Cabrita et al, 1993, pág.130), Paiva et al (2006, pág.295), Cóias (2006, pág.11) e Feilden (2003) e compreende seis fases:
estudos prévios de reconhecimento > análise > diagnóstico > projecto reabilitação > obra e acompanhamento > monitorização, organizadas conforme esquema apresentado na Figura 1:

Figura 2: Esquema proposto para uma metodologia de boas práticas de intervenção.

Defende-se que as boas práticas de intervenção definidas privilegiam as acções das fases de Análise e Diagnóstico. Destinadas a identificar e caracterizar as anomalias e o estado de conservação do edifício, contribuem decisivamente para se atingir a execução adequada dos trabalhos e o controlo dos custos. Na fase de Análise e Levantamentos, faz-se a aproximação ao caso de estudo, relativamente aos aspectos históricos, arquitectónicos, morfológicos e construtivos do edifício, procedendo à caracterização histórica e documental (que inclui a análise à envolvente urbana e origem do edifício e proprietários), caracterização tipo-morfológica e construtiva (que inclui fichas de levantamento dos compartimentos) e levantamento das anomalias.

Figura 3: Exemplo de uma ficha de levantamento dos compartimentos.

Na fase de Diagnóstico far-se-á um relatório sobre o estado geral do edifício, configurando as necessárias recomendações para corrigir as anomalias detectadas. Estas anomalias deverão ser avaliadas em fichas especificas, com distinção de elementos funcionais e estéticos para posterior avaliação.

Na fase de Projecto deve enquadrar-se um projecto de restauro integrado no projecto global de reabilitação, onde se modelam as medidas correctivas recomendadas de forma a adapta-las às exigências do programa do projecto propriamente dito, tendo em conta os aspectos de ordem metodológica e conceptual, de ordem jurídico/administrativos e de ordem económica.

Na fase de Obra e Acompanhamento, a escolha de uma equipa especializada em intervenções no património (quer para a elaboração do projecto, quer para a execução da obra) complementada por uma comissão técnica de acompanhamento, possibilitam a salvaguarda de valores patrimoniais denunciados durante a obra, contribuindo para o sucesso da intervenção.

Por último, após a conclusão da obra, é importante garantir a Monitorização e Manutenção, já que garantindo um bom plano de manutenção, com intervenções cíclicas de inspecção/intervenção, a maioria das degradações mais comuns podem ser evitadas, evitando-se operações de reabilitação profundas ou a perda de património arquitectónico.

CASO DE ESTUDO

A intervenção na Casa Rodrigues de Matos traduz a aplicação dos conceitos propostos. Tratou-se da reabilitação para fins residenciais de uma antiga habitação palaciana, não classificada, cuja morfologia remete para o segundo quartel do século XVIII, embora as suas raízes remontem ao início do século XVII.

A operação de reabilitação desenvolveu-se de forma pouco intrusiva e atenta à salvaguarda das preexistências e à conservação dos valores acumulados ao longo de várias épocas. Permitiu ensaiar as práticas de intervenção previstas na metodologia apresentada demonstrando a sua mais valia. A colaboração entre os vários especialistas e o constante acompanhamento de obra, permitiram reduzir as intervenções ao mínimo e salvaguardar o património arquitectónico presente (6).

O caso de estudo situa-se na Rua de São José (7).Trata-se do troço inicial do antigo Caminho para Benfica, identificado desde o século XVI e que começava nas Portas de Santo Antão da muralha Fernandina, prolongando-se até Carnide. A partir do final do século XIX, após a construção do eixo da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas, a Rua de São José perde a condição de “estrada de saída da cidade” passando a assumir uma dimensão local de suporte ao bairro. O bairro de São José mantém-se até hoje pouco alterado, suportado em ruas estreitas e tortuosas, condicionadas à topografia e cadastro local. A Rua (direita) de São José não é excepção, sendo que o seu traçado não foi alvo de correcção até à actualidade. Os edifícios que a conformam apresentam uso misto – comércio e serviços no piso térreo e habitação nos restantes pisos. O comércio reflecte alguma especialização constituindo um pólo de venda de antiguidades e restauração.

Através da identificação das anomalias e suas causas, caracterização e diagnóstico, foi possível identificar os problemas existentes, e lançar a ponte para as intervenções necessárias.

Com um projecto atento possibilitou-se a resolução de problemas físicos, ambientais e espaciais, assim como a introdução de melhorias através da modernização das instalações e equipamentos existentes, sem adulteração dos valores preexistentes e reduzindo as intervenções efectuadas, em conformidade com a Convenção para a Salvaguarda do Património Arquitectónico da Europa (Granada, 1985, art.º11).

O recurso a materiais e técnicas compatíveis com as originais permitiram adaptar o novo ao antigo, respeitando as principais exigências de compatibilidade, durabilidade e reversibilidade que devem ser tidas em conta numa reabilitação.

No que se refere à integração de um projecto especifico de restauro no projecto de reabilitação geral, seguiram-se as recomendações da Carta de Cracóvia (2000, art.7º). Neste edifício, identificaram-se valores estéticos que justificaram a presença de técnicos-restauradores e uma empreitada de restauro integrada na obra geral, nomeadamente na identificação dos conjuntos decorativos dos tectos das salas da frente do andar nobre e da capela em estuque decorativo relevado policromático (atribuídos à Escola de Lisboa (possivelmente de autoria de João Grossi (1718-1781), embora não assinados) (8).

CONCLUSÕES

Relativamente à metodologia de boas práticas de intervenção apresentada neste artigo, concluiu-se que as acções da fase de análise e diagnóstico, destinadas a identificar e caracterizar as anomalias e o estado de conservação do edifício, contribuem decisivamente para se atingir a execução adequada dos trabalhos, nomeadamente no controlo de custos. Associando ainda, o enquadramento dado por um projecto de restauro, melhora-se a capacidade de responder às situações mais usuais numa obra desta natureza. Assim, numa acção de reabilitação, dever-se-á sempre partir do princípio de que o novo é que se adapta ao antigo, e não o contrário.

Por último, conclui-se que as linhas orientadoras da presente intervenção, deverão ser um exemplo a seguir na reabilitações de edifícios desta natureza, ficando garantida a salvaguarda, para as gerações vindouras, de um edifício com valor patrimonial indiscutível. O critério de preservar o mais possível permitiu reduzir as intervenções ao mínimo. Recorrendo a materiais e técnicas originais (ou compatíveis) foi possível adaptar o novo ao antigo. Identificando as anomalias e suas causas foi possível solucionar os problemas existentes, considerando sempre uma possível reversibilidade futura.

O artigo baseia-se no trabalho desenvolvido em:
PEDROSO, Mariana Morgado, Reabilitação da Casa Rodrigues de Matos. Um ensaio de aplicação de uma metodologia de boas práticas de intervenção, Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Recuperação e Conservação do Património Construído, IST, UTL, Lisboa, 2007

Notas:
(1) A definição de edifício com valor patrimonial, remete para o conceito de património arquitectónico. Para edifício com valor patrimonial adopta-se a definição apontada na Convenção para a Salvaguarda do Património Arquitectónico (Granada, 1985, art. 1.º) “(…) a expressão ‘património arquitectónico’ é considerada como integrando os seguintes bens imóveis: (…) todas as construções particularmente notáveis pelo seu interesse histórico, arqueológico, artístico, cientifico, social ou técnico, incluindo as instalações ou os elementos decorativos que fazem parte integrante de tais construções; (…)”, reiterando a definição anterior da Carta Europeia do património arquitectónico (1975, ponto 1) onde o conceito de património arquitectónico tinha alargado o seu domínio tradicional, para ser “constituído não só pelos nossos monumentos mais importantes, mas também pelos conjuntos de construções mais modestas das nossas cidades antigas e aldeias tradicionais inseridas nas suas envolventes naturais ou construídas pelo homem.”

(2) Derivado da descrição do ponto 7 da Carta de Cracóvia, “a decoração arquitectónica, as esculturas e os elementos artísticos, que fazem parte integrante do património construído, devem ser preservados mediante um projecto específico vinculado ao projecto geral de restauro.”

(3) A escolha de áreas residenciais destinadas às classes média-alta também está associada ao processo de transformação urbana em curso. De acordo com esta autora (Barata Salgueiro, 1997), está associada ao o desenvolvimento de três produtos distintos, sobretudo a partir do final do século XX: os condomínios fechados, os apartamentos reabilitados no centro da cidade e as moradias unifamiliares na coroa suburbana ou periurbana.

(4) Como por exemplo o Palácio da Flor da Murta (agora Palácio Studio Residence), o Palácio Alagoas, o Palácio da Junqueira, o Palácio do Prior do Crato são todos reabilitações de habitações palacianas para condomínios residenciais de luxo.

(5) Analisando os Censos 2001, dos 288 431 alojamentos clássicos existentes em Lisboa, só 86% se encontravam ocupados, e dos que se encontravam devolutos 67% (26 634) não tinham qualquer tipo de destino previsto, sendo primordial colocá-los no mercado.

(6) A obra esteve a cargo da firma Ludgero de Castro, Lda.

(7) Esta via surge identificada desde o período romano como um eixo de saída da cidade em direcção a Norte.

(8) Tal como refere Silva (2007, pág.50-52) “Como já referimos, existe uma semelhança formal nos vários programas decorativos efectuados por Giovanni Grossi e os membros da sua oficina, analogia que permitiu confirmar algumas atribuições por afinidades estilísticas.” (…) “O mais fascinante neste tecto (Palácio dos Machadinhos) é a sua semelhança formal com o tecto da Casa de Fresco do Palácio da Vila, em Sintra, o tecto da Sala dos Troféus do Palácio do Correio-Mor, em Loures, ou ainda com um outro tecto de um edifício na Rua de São José, em Lisboa.”

Bibliografia referida no artigo:

BARATA SALGUEIRO, Teresa, Lisboa, metrópole policêntrica e fragmentada, in Finisterra XXXII – revista portuguesa de geografia, Nº63, 1997, pp.179-190.

CABRITA, A. Reis, AGUIAR, J. e APPLETON, J., Manual de Apoio à Reabilitação dos Edifícios do Bairro Alto, CML/LNEC, Lisboa, 1993.

FEILDEN, Bernard, Conservation of historic buildings, Architectural Press, (1ª ed. 1982), Oxford, 2003.

CÓIAS, Vítor, Inspecção e Ensaios na Reabilitação de Edifícios, IST Press, Lisboa, 2006.

PAIVA, J. Vasconcelos, AGUIAR J. e PINHO, A. Guia Técnico de Reabilitação Habitacional, 2 vol., ed. INH e LNEC, Lisboa, 2006.

SEIXAS, João, Habitação e mercado imobiliário na Área Metropolitana de Lisboa, CML - Departamento Licenciamento Urbanístico e Planeamento Urbano, Lisboa, 2004.

SILVA, Hélia Tomás da, Giovanni Grossi e a evolução dos estuques decorativos no Portugal setecentista, Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Arte, Património e Restauro, texto policopiado, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Lisboa, 2005.

Relativamente às Cartas e Convenções Internacionais:

LOPES, Flávio e CORREIA, Manuel Brito,Património Arquitectónico e Arqueológico.Cartas, Recomendações e Convenções Internacionais, Horizonte, Lisboa, 2004.

Preparado para edição no Infohabitar em 2008-04-25, por António Baptista Coelho
Editado no Infohabitar em 2008-04-27, por José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte

http://infohabitar.blogspot.com/2008/04/reabilitao-de-edifcios-habitacionais.html

domingo, 10 de outubro de 2010

Roteiro para Análise do Potencial de Recuperação de Edifícios de Apartamentos Antigos: Procedimentos para Desenvolvimento e Calibragem

Walter José Ferreira Galvão (1); Sheila Walbe Ornstein (2).
(1) doutorando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo, e-mail:
walterga@usp.br
(2) professora titular na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo, bolsista
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e-mail: sheilawo@usp.br

RESUMO
São Paulo busca, desde a última década do século XX, revalorizar sua região central, realizando dentre outras ações, a tentativa de reintrodução do uso habitacional no local. Desde o início do século XXI, ações públicas e privadas estão sendo desenvolvidas neste sentido, verificando-se a viabilidade do reaproveitamento das edificações existentes, com o mapeamento de edifícios ociosos passíveis de recuperação, bem como, mesmo que ainda de maneira incipiente, a recuperação de algumas edificações. Porém a maior parte dos edifícios de apartamentos do centro foi construída nos anos 50 e 60 do século XX, sendo adequados aos regulamentos, tecnologia e, principalmente, aos modos de vida daquela época. Questões legais e normativas atuais devem ser verificadas no seu atendimento ou as possibilidades de modernização e adequação de seus sistemas e equipamentos. Parte de Tese de doutorado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e tendo como fundamentação a recém publicada norma NBR 15575/2008, este artigo tem como objetivo demonstrar os procedimentos para desenvolvimento e a calibragem de um roteiro para análise de edifícios de apartamentos antigos, a fim de diagnosticar suas potencialidades e limitações nas adaptações às novas exigências normativas e demandas domésticas contemporâneas. Foram propostos 12 itens de desempenho, com requisitos, critérios e métodos, apresentando-se os dados para especialistas e síndicos de edifícios antigos em uso no centro de São Paulo. Especialistas emitiram pareceres sobre os itens específicos de seus conhecimentos e, tanto especialistas bem como síndicos, opinaram sobre a suficiência ou não do roteiro em geral para a análise ao que ele se propõe. Deste modo o roteiro poderá estar preparado para aplicação em estudos de casos, constituindo-se em ferramenta norteadora de decisões projetuais e construtivas para arquitetos, engenheiros e empreendedores envolvidos nos processos de recuperação dos referidos edifícios de apartamentos
Palavras-chave: Recuperação de edifícios antigos; avaliação de desempenho; edifícios de
apartamentos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Após um suporte inicial de montagem do roteiro baseada na estrutura proposta pela norma NBR
15575/2008, adaptando esta estrutura ao que os autores identificavam como o caminho mais adequado para a análise de edifícios de apartamentos antigos, como citado anteriormente, via-se necessário verificar se o escopo resultante desta adaptação era suficiente para suportar uma análise preliminar de edifícios de apartamentos antigos visando as possibilidades de adaptações às exigências normativas e legais atuais. Esta verificação, aqui denominada “calibragem”, feita através das opiniões de especialistas dos itens propostos e síndicos de edifícios de apartamentos antigos em uso, é suficiente no que diz respeito não apenas às questões legais e normativas, mas também de solicitações demandantes da conservação e manutenção das edificações.
No entanto, para a verificação quanto ao atendimento das necessidades contemporâneas dos espaços domésticos vê-se necessário, de uma maneira complementar ao processo de calibragem aqui apresentado, a aplicação de instrumentos da Avaliação Pós-Ocupação (APO) em edifícios de apartamentos antigos em uso para acrescentar, também, as opiniões dos usuários. Este recurso, utilizado Bottom, Macgreal e Heaney (In Finch, 2009), bem como Lopes (2009), complementa o processo de calibragem e deixa o roteiro apto para a aplicação, pois agrega opiniões técnicas (especialistas), de gestão do uso e manutenção (síndicos) e relativas à habitabilidade (moradores).

REFERÊNCIAS
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20 de junho de 2009, disponível em acessado em 14/04/2010.
ALUCCI, Marcia Peinado. Manual para o dimensionamento de aberturas e otimização da
iluminação natural na arquitetura. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo, 2006.
AMORIM, Luiz; DUFAUX, François. Lições das margens do Rio São Lourenço: aprendendo com
a experiência de requalificação urbana de Montreal, Canadá. Dezembro de 2005, disponível em
acessado em 15/06/2009.
Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575/1-5 - Edifícios habitacionais de até cinco
pavimentos. Rio de Janeiro, 2008.
Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10152 – Níveis de ruído para o conforto acústico.
Rio de Janeiro, 2000.
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de edificações e a sua importância para o setor da construção civil no Brasil. São Paulo: EPUSP,
2008 19 p. - (Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de
Construção Civil, BT/PCC/515)
CROITOR, Eduardo Pessoa Nocetti; MELHADO, Silvio Burratino. A gestão de projetos aplicada à
reabilitação de edifícos: estudo da interface entre projeto e obra. São Paulo: EPUSP, 2009. 26 p. -
(Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil,
BT/PCC/529).
FINCH, Edward. Flexibility as a design aspiration: the facilities management perspective. Revista
Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 9, n. 2, p. 7-15, abr./jun. 2009.
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Paulista de Responsabilidade Social – IPRS – Caderno 5: Habitação e Desenvolvimento Urbano.
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