domingo, 10 de outubro de 2010

Roteiro para Análise do Potencial de Recuperação de Edifícios de Apartamentos Antigos: Procedimentos para Desenvolvimento e Calibragem

Walter José Ferreira Galvão (1); Sheila Walbe Ornstein (2).
(1) doutorando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo, e-mail:
walterga@usp.br
(2) professora titular na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo, bolsista
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e-mail: sheilawo@usp.br

RESUMO
São Paulo busca, desde a última década do século XX, revalorizar sua região central, realizando dentre outras ações, a tentativa de reintrodução do uso habitacional no local. Desde o início do século XXI, ações públicas e privadas estão sendo desenvolvidas neste sentido, verificando-se a viabilidade do reaproveitamento das edificações existentes, com o mapeamento de edifícios ociosos passíveis de recuperação, bem como, mesmo que ainda de maneira incipiente, a recuperação de algumas edificações. Porém a maior parte dos edifícios de apartamentos do centro foi construída nos anos 50 e 60 do século XX, sendo adequados aos regulamentos, tecnologia e, principalmente, aos modos de vida daquela época. Questões legais e normativas atuais devem ser verificadas no seu atendimento ou as possibilidades de modernização e adequação de seus sistemas e equipamentos. Parte de Tese de doutorado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e tendo como fundamentação a recém publicada norma NBR 15575/2008, este artigo tem como objetivo demonstrar os procedimentos para desenvolvimento e a calibragem de um roteiro para análise de edifícios de apartamentos antigos, a fim de diagnosticar suas potencialidades e limitações nas adaptações às novas exigências normativas e demandas domésticas contemporâneas. Foram propostos 12 itens de desempenho, com requisitos, critérios e métodos, apresentando-se os dados para especialistas e síndicos de edifícios antigos em uso no centro de São Paulo. Especialistas emitiram pareceres sobre os itens específicos de seus conhecimentos e, tanto especialistas bem como síndicos, opinaram sobre a suficiência ou não do roteiro em geral para a análise ao que ele se propõe. Deste modo o roteiro poderá estar preparado para aplicação em estudos de casos, constituindo-se em ferramenta norteadora de decisões projetuais e construtivas para arquitetos, engenheiros e empreendedores envolvidos nos processos de recuperação dos referidos edifícios de apartamentos
Palavras-chave: Recuperação de edifícios antigos; avaliação de desempenho; edifícios de
apartamentos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Após um suporte inicial de montagem do roteiro baseada na estrutura proposta pela norma NBR
15575/2008, adaptando esta estrutura ao que os autores identificavam como o caminho mais adequado para a análise de edifícios de apartamentos antigos, como citado anteriormente, via-se necessário verificar se o escopo resultante desta adaptação era suficiente para suportar uma análise preliminar de edifícios de apartamentos antigos visando as possibilidades de adaptações às exigências normativas e legais atuais. Esta verificação, aqui denominada “calibragem”, feita através das opiniões de especialistas dos itens propostos e síndicos de edifícios de apartamentos antigos em uso, é suficiente no que diz respeito não apenas às questões legais e normativas, mas também de solicitações demandantes da conservação e manutenção das edificações.
No entanto, para a verificação quanto ao atendimento das necessidades contemporâneas dos espaços domésticos vê-se necessário, de uma maneira complementar ao processo de calibragem aqui apresentado, a aplicação de instrumentos da Avaliação Pós-Ocupação (APO) em edifícios de apartamentos antigos em uso para acrescentar, também, as opiniões dos usuários. Este recurso, utilizado Bottom, Macgreal e Heaney (In Finch, 2009), bem como Lopes (2009), complementa o processo de calibragem e deixa o roteiro apto para a aplicação, pois agrega opiniões técnicas (especialistas), de gestão do uso e manutenção (síndicos) e relativas à habitabilidade (moradores).

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