domingo, 31 de julho de 2011

Reabilitação de Edifícios Escolares

A reabilitação de edifícios escolares constitui, uma operação complexa, com constrangimentos específicos, uma vez que trabalhar sobre edifícios existentes obriga a precauções e cuidados adicionais. Este tipo de edifícios apresenta um quadro patológico variado com anomalias que condicionam a sua utilização. É importante intervir considerando as características próprias dos edifícios, optando por metodologias de preservação da construção e dos elementos construtivos, corrigindo-os numa lógica exigencial.


A reabilitação de edifícios e particularmente dos edifícios escolares pressupõe que para além da resolução de anomalias construtivas, se melhore o desempenho local ou geral, aumentando os níveis de qualidade, de forma que possa responder a exigências para as quais o edifício inicialmente não foi concebido. As novas exigências de desempenho dos Edifícios escolares decorrem da necessidade de fornecer um serviço educativo segundo padrões elevados em que o ambiente deve ser adequado, confortável e estimulante, de modo a favorecer o desempenho educativo dos alunos.
Para isso é necessário encontrar soluções construtivas e ambientais duradouras que garantam uma redução de custos de gestão e de manutenção.

A energia é uma palavra-chave na reabilitação e não pode ser dissociada do processo de ventilação e qualidade do ar interior e a certificação energética dos edifícios escolares, é importante.
O grau de intervenção relaciona-se com o grau de degradação, daí a importância de um diagnóstico exigencial preciso. Trata-se de adequar o edificado escolar às mais actualizadas exigências de qualidade decorrentes da necessidade de melhorar o desempenho dos edifícios através da definição de exigências de melhoria da qualidade do ar, conforto térmico e acústico, conforto visual, de higiene, de diminuição do risco de incêndio, de conservação de energia, implementação de planos de manutenção, adaptando-os a uma cada vez maior necessidade de diversificar a oferta formativa e ao mesmo tempo permitir ler a história do edifício.

O diagnóstico deve dar maior ênfase aos elementos construtivos da envolvente, zona mais exposta e que condiciona a utilização dos edifícios numa perspectiva de durabilidade e sustentabilidade. Trata-se de estudar o invólucro do edifício directamente exposto aos agentes de degradação, que deve ser resistente a esses agentes e esteticamente equilibrado.
Deve proceder-se-á caracterização da solução inicial da envolvente dos edifícios, através da análise de projectos e fotografias da construção, das várias intervenções realizadas, da realização de sondagens, medições, etc.

ISOLAMENTO TÉRMICO

A melhoria das condições térmicas passa pela intervenção na envolvente (paredes exteriores) reforçando o isolamento das paredes pelo exterior ou pelo interior conforme as características das próprias paredes ou a outros factores condicionantes, nomeadamente a inércia térmica.

COMPORTAMENTO AO FOGO

Na reabilitação dos edifícios escolares, a segurança contra riscos de incêndio representa geralmente um ponto fraco devido à natureza dos materiais constituintes, sendo fundamental melhorar o comportamento ao fogo de elementos de construção qualificada pela susceptibilidade de se inflamar e alimentar a combustão. As exigências de comportamento ao fogo aplicáveis aos edifícios escolares para reabilitação, são função do tipo de utilização e da categoria de risco. As exigências contemplam também as necessárias medidas de auto-protecção e de organização de segurança contra incêndio, aplicáveis em edifícios escolares existentes.

ISOLAMENTO ACÚSTICO

A melhoria das condições acústicas dos edifícios escolares envolve um elevado número de elementos e componentes de construção.
Na reabilitação de edifícios escolares é necessário reforçar as características de isolamento acústico e sons de condução aérea produzidos no exterior dos edifícios, com intervenção na caixilharia (portas e janelas) e paredes exteriores quando as mesmas não são de grande espessura.
Embora esteja apenas a ser avaliado o isolamento aos sons de condução aéreos medido a 2 metros da parte opaca da fachada é importante atender a aspectos complementares nos edifícios escolares, como a limitação do Tempo de Reverberação e isolamento à precursão.

CONTROLO DA CONDENSAÇÃO

A humidade de condensação, apresenta-se geralmente sob a forma de humidade superficial, embora possa ocorrer também no interior dos elementos de construção.
Normalmente ocorre durante a época fria, quando a temperatura de uma superfície em contacto com o ar húmido atinge um ponto correspondente ao ponto de orvalho.
As condensações superficiais resultam das deficiências de isolamento térmico dos edifícios, e existência de pontes térmicas. As medidas correctas para resolução destas situações patológicas são o reforço da ventilação dos edifícios ou seus compartimentos, a desumidificação, o aumento da temperatura superficial reforçando o isolamento térmico em particular nas zonas de pontes térmicas, ou a diminuição de produção de vapor.
É ainda possível aumentar a temperatura das superfícies potencialmente sujeitas a riscos de condensação através da instalação ou reforço do funcionamento do sistema de aquecimento.
As condensações interiores resultam do processo de difusão de vapor e dependem das permeabilidades ao vapor das várias camadas.

CONTROLO DA QUALIDADE DO AR INTERIOR

Face ao conjunto de exigências a verificar na reabilitação do edificado escolar, realça-se a crescente e particular preocupação com a ventilação e a qualidade do ar no interior dos edifícios escolares, com os consequentes reflexos na saúde, aprendizagem e desempenho dos seus utentes.
Publicamente a poluição do ar exterior na saúde é sobrevalorizado em detrimento da poluição do ar interior dos edifícios embora este seja duas a cinco vezes superior, na medida em que a população passa 80 a 90% do seu tempo no interior dos edifícios. Concluiu-se ainda que o principal problema da qualidade de ar interior reside no deficiente arejamento das salas de aula, preconizando formas de extracção e insuflação de ar novo de forma a evitar salas mal ventiladas.
Quanto ao dióxido de carbono, os valores nas escolas são superiores aos valores recomendados, podendo concluir-se que as condições de arejamento são deficientes.

É portanto necessário intervir nos Edifícios Escolares considerando as características próprias dos edifícios, optando por metodologias de preservação da construção e dos elementos construtivos, corrigindo-os numa lógica exigencial.
A reabilitação de edifícios e particularmente dos edifícios escolares pressupõe que para além da resolução de anomalias construtivas, se melhore o desempenho local ou geral, aumentando os níveis de qualidade, de forma que possa responder a exigências para as quais o edifício inicialmente não foi concebido. As novas exigências de desempenho dos edifícios escolares decorrem da necessidade de fornecer um serviço educativo segundo altos padrões em que o ambiente deve ser adequado, confortável e estimulante, de modo a favorecer o desempenho educativo dos alunos. Para isso é necessário encontrar soluções construtivas e ambientais duradouras que garantam uma redução de custos de gestão e manutenção, em que a energia é uma palavra-chave não podendo ser dissociada do processo de ventilação, qualidade do ar interior e certificação energética.

Autor: Maria Manuela Marques Soares Ribeiro Veloso Gomes
Excerto Adaptado

http://www.engenhariacivil.com/reabilitacao-edificios-escolares?utm_medium=referral&utm_source=pulsenews

Novas tecnologias facilitam o trabalho de gestores públicos em cidades brasileiras

Vídeo do programa da GloboNews - Cidades e Soluções

quarta-feira, 27 de julho de 2011

UFG tem dificuldade para terminar novos prédios

Segundo universidade, problema é nacional e não ocorre por falta de dinheiro, mas porque empreiteiras abandonaram construções no meio

Carla Borges - O Popular Goiânia-GO
26 de julho de 2011 (terça-feira)

A Universidade Federal de Goiás (UFG) vem enfrentando dificuldades para concluir obras iniciadas dentro do Programa Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) em Goiânia e nos câmpus de Catalão e Jataí. O motivo não é falta de dinheiro, mas problemas com as empresas vencedoras das licitações realizadas pelo Ministério da Edu cação (MEC), que, na maioria dos casos, abandonam as obras no meio por falta de condições técnicas e financeiras para concluí-las. Atualmente, segundo a UFG, há duas obras paradas.

Nos últimos três anos, revela o arquiteto Marco Antônio de Oliveira, diretor do Centro de Gestão do Espaço Físico (CEGEF) da UFG, pelo menos 20 contratos de obras foram rescindidos. A situação repete-se em outros Estados. Reportagem publicada no domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que há 53 obras paradas em 20 universidades federais em todo o Brasil. Em seu site na internet, o MEC informa que há quatro obras da UFG paradas, mas o diretor do CEGEF esclarece que duas já foram reiniciadas.

Ambas as obras que ficaram meses paradas e foram retomadas em julho ficam no câmpus de Jataí: a construção do hospital veterinário e do laboratório de exatas e saúde. As que ainda estão paralisadas são a do centro de aulas das Escolas de Engenharia, na Praça Universitária, em Goiânia, e o edifício multifuncional do câmpus de Catalão. Cada vez que um problema desses acontece significa meses de atraso. Só para a realização de nova licitação são necessários, no mínimo, 90 dias.

No caso das Escolas de Engenharia de Goiânia, o processo está em fase de rescisão. Como apenas o que foi efetivamente executado do contrato pode ser pago, primeiro é necessário submeter o processo à avaliação da procuradoria federal do MEC, em Brasília. Já os estudantes de Catalão têm a perspectiva de ver a obra ser retomada antes. A nova licitação já foi feita e agora falta ser homologada.

O arquiteto Marco Antônio diz que a universidade atravessa um momento de "grande dificuldade", especialmente pela situação do setor de construção civil, que vive o maior boom das últimas décadas. "As construtoras pegam obras com valores pequenos e depois têm dificuldades para concluí-las", relata. "É um problema não apenas com a UFG, mas do mercado da construção civil. É um mercado competitivo e muitas vezes as empresas apresentam preços baixos e depois, sem capital de giro e com outras dificuldades, abandonam as obras", revela Marco Antônio.

Em nota, o MEC, por meio de sua Assessoria de Comunicação Social, informou que o ministério coordena, no momento, juntamente com as reitorias das universidades federais, 3.608 obras, das quais 1.697 estão concluídas, 998 em execução e as demais em fase de planejamento, licitação ou outros procedimentos administrativos. O MEC diz, na nota, considerar pequeno o número de obras paradas, diante do conjunto, e garante que em todos os casos a paralisação ocorreu devido a problemas com a empresa responsável pela obra.

"Em todas essas situações, a empresa vencedora da licitação abandonou o canteiro de obras ou demonstrou incapacidade operacional, levando à rescisão contratual", prossegue a nota. Segundo o MEC, contabilizando as obras em andamento, são 3,5 milhões de metros quadrados de novas instalações.

A nota ressalta a interiorização do ensino superior e o aumento do número de vagas, que mais do que dobrou de 2003 a 2011, passando de 109,2 mil para 235,6 mil. "As matrículas nos cursos presenciais também aumentaram passando de 527,7 mil em 2003 para 696,7 em 2009", conclui o MEC.


Universidades federais têm 53 obras paradas

Projeto de expansão do ensino superior federal do Ministério da Educação esbarra em construções incompletas e licitações refeitas
24 de julho de 2011 0h 00

Lisandra Paraguassu - O Estado de S.Paulo

O Ministério da Educação tem hoje quase 2 milhões de metros quadrados em obras nas universidades federais. A expansão e renovação das instituições, no entanto, está com 53 obras paradas em 20 diferentes universidades, segundo levantamento do próprio ministério.

São moradias estudantis, laboratórios e salas de aula que consumiram alguns milhões de reais, mas ainda não estão prontas. De acordo com o ministério, porque construtoras e empreiteiras abandonaram canteiros, faliram e ficaram sem recursos para cumprir seus compromissos.

Como consequência, estudantes assistem às aulas em espaços improvisados, avançam em suas graduações sem laboratórios prontos, sofrem com falta de bibliotecas e locais para moradia.

Falta de sintonia. Na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, construção de salas de aula não acompanhou crescimento do número de alunos

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) é a que está com o maior número de obras paradas. São nove, que incluem de prédios de salas de aula no câmpus de Garanhuns a laboratórios, auditórios e bibliotecas do câmpus de Serra Talhada. Todas foram iniciadas, nenhuma delas foi inaugurada.

A empresa Erdna Engenharia Ltda, responsável pelo trabalho, teria abandonado as obras e falido. A empresa trabalhava para a UFRPE desde 2005. De acordo com o Portal da Transparência do governo federal, recebeu R$ 11,6 milhões até 2010 para tocar a expansão dos câmpus das duas cidades. O sistema não informa nem o ministério sabe dizer quanto foi pago pelas obras que não foram finalizadas.

O pró-reitor de Administração da UFRPE, Francisco Carvalho, afirma que o maior prejuízo foi a paralisação da construção dos laboratórios, necessários para o bom desempenho dos alunos dos cursos oferecidos pela unidade de Serra Talhada: Agronomia, Zootecnia, Biologia e Química. No total, o câmpus recebe 2,5 mil alunos.

A Universidade Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, é a segunda com mais obras paradas. A Engepar Construtora atrasou e não cumpriu os contratos de salas de aula nos câmpus de Santa Mônica, Pontal e em Uberlândia, além da ampliação da reitoria e dos prédios de moradia.

A empresa teria alegado falta de capital de giro e a própria universidade rescindiu quatro dos contratos com base na "precária situação financeira da contratada". Em outra obra, o contrato ainda não foi rescindido.

A Engepar também tem um longo histórico de trabalhos para a UFU, iniciados em 2006. Desde então, recebeu R$ 23,6 milhões do governo. Em 2010 foram R$ 2,2 milhões e neste ano, apesar da paralisação, recebeu R$ 9 mil. Segundo o reitor Alfredo Júlio Fernandes Neto, as aulas em Ituiutaba, por exemplo, vão começar no mês que vem sem que o edifício esteja pronto.

O problema se repete na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), que tem quatro obras paradas, entre elas uma biblioteca, um hospital veterinário e laboratórios. "As construtoras que vencem as concorrências abandonam a obra logo depois de iniciá-la", explica o superintendente de Implantação e Planejamento da instituição, Vital Pedro da Silva Paz.

A construção da biblioteca, na cidade de Cruz das Almas, é a mais atrasada. Começou há três anos e seria concluída, segundo a projeção inicial, em um ano. Hoje, o andamento da construção não chegou a 15% - e está na terceira licitação. Com isso, o valor da obra saltou de R$ 3,5 milhões para R$ 4,5 milhões. A última a abandonar a obra, a Construtora Macadame, de Feira de Santana, havia vencido a concorrência, em 2009, projetando o preço em R$ 4 milhões.

O caso que causa mais preocupação é o do hospital. "Existe um impacto acadêmico com a falta dessa estrutura", admite Paz. "Os alunos precisam ser encaminhados a outras instituições para ter acesso a essa parte prática de seus cursos."

A Universidade Federal de Goiás também tem quatro construções problemáticas. As Federais de Grande Dourados (MS), Alagoas e Espírito Santo estão com três obras paradas (mais informações nesta página).

As construtoras envolvidas nas obras não foram localizadas para falar sobre os problemas.

Justificativas. O ministro da Educação, Fernando Haddad, reclama das dificuldades que o governo federal e as instituições têm para cancelar os contratos quando há abandono ou paralisia das obras por qualquer motivo. Ele afirma que há orçamento, que foi feito um cronograma e os pagamentos estão sendo feitos em dia, mas mesmo assim as obras atrasam ou param.

"A legislação é muito desfavorável ao setor público. O mau empresário que ganha uma licitação tem penas muito pequenas. Ele não se incomoda de abandonar um canteiro, de atrasar uma obra e colocar a faca no pescoço do reitor em busca de um aditivo", afirmou em entrevista ao Estado. Haddad afirma que há casos recorrentes de empreiteiras que ganham uma licitação, iniciam um trabalho, mas quando vencem outro contrato, mais lucrativo, tiram a mão de obra do canteiro.

"A legislação deve ser aperfeiçoada no sentido de punir os empreiteiros que realmente não têm compromisso com a causa pública. Ganham licitações e depois não entregam as obras prontas." / COLABORARAM ANGELA LACERDA, MARCELO PORTELA e TIAGO DÉCIMO

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110724/not_imp749170,0.php

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Conceitos - Regime Jurídico da Urbanização e Edificação de Portugal

Segundo o Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação de Portugal (1) entende-se por:
edificação: a actividade ou o resultado da construção, reconstrução, ampliação, alteração ou conservação de um imóvel destinado a utilização humana, bem como de qualquer outra construção que se incorpore no solo com carácter de permanência;


obras de construção: as obras de criação de novas edificações;

obras de reconstrução sem preservação das fachadas: as obras de construção subsequentes à demolição total ou parcial de uma edificação existente, das quais resulte a reconstituição da estrutura das fachadas, da cércea e do número de pisos;


obras de reconstrução com preservação das fachadas – obras de construção subsequentes à demolição de parte de uma edificação existente, preservando as fachadas principais com todos os seus elementos não dissonantes e das quais não resulte edificação com cércea superior à das edificações confinantes mais elevadas;


obras de ampliação: as obras de que resulte o aumento da área de pavimento ou de implantação, da cércea ou do volume de uma edificação existente;


obras de alteração: as obras de que resulte a modificação das características físicas de uma edificação existente ou sua fracção, designadamente a respectiva estrutura resistente, o número de fogos ou divisões interiores, ou a natureza e cor dos materiais de revestimento exterior, sem aumento da área de pavimento ou de implantação ou da cércea;


obras de conservação: as obras destinadas a manter uma edificação nas condições existentes à data da sua construção, reconstrução, ampliação ou alteração, designadamente as obras de restauro, reparação ou limpeza;


obras de demolição: as obras que se destinam à destruição, total ou parcial, de uma edificação existente.



Aguiar et al. (1998) no Guião de apoio à reabilitação de edifícios habitacionais define como:
conservação – conjunto de actividades que têm por objectivo a manutenção do nível de qualidade ou das características iniciais do edifício;


manutenção - série de operações empreendidas visando minimizar os ritmos de deterioração na vida de um edifício (ou de um determinado parque edificado) e desenvolvidas sobre as diversas partes e elementos da sua construção, assim como sobre as suas instalações e equipamentos. São operações programadas e geralmente efectuadas em ciclos regulares;

reabilitação - designa toda a série de acções empreendidas tendo em vista a recuperação e beneficiação de um edifício, tornando-o apto para o seu uso actual. O seu objectivo fundamental consiste em resolver as deficiências físicas e as anomalias construtivas, ambientais e funcionais, acumuladas ao longo dos anos, procurando ao mesmo tempo uma modernização e uma beneficiação geral do imóvel sobre o qual incide – actualizando as suas instalações, equipamentos e a organização dos espaços existentes – melhorando o seu desempenho funcional e tornando esses edifícios aptos para o seu completo e actualizado re-uso.

Dentro deste conceito Paiva (2000) refere que:
beneficiação - compreende as operações que conferem a edifícios não degradados uma qualidade superior à que possuíam aquando da sua construção;
recuperação - engloba as operações que, no âmbito de intervenções de renovação ou integração urbana, incidem sobre edifícios degradados devido à não realização de obras de conservação com a devida periodicidade, ou sobre edifícios clandestinos, construídos segundo padrões sub-regulamentares sem o correspondente licenciamento municipal.


A reabilitação pode-se considerar em sentido lato, aplicada a todo o edifício, ou em sentido estrito, aplicada a certos elementos de construção: estrutura resistente, envolvente exterior, acessos e circulações comuns, equipamentos comuns, interior dos fogos, equipamentos suplementares e outros (Bezelga e Neto, 1985).

(1) Decreto-Lei n.º 555/95, de 16 de Dezembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 60/2007, de 4 de Setembro, que procede à sexta alteração ao Decreto - Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, que estabelece o regime jurídico da urbanização e edificação. Estas alterações entraram em vigor no dia 3 de Março de 2008.

domingo, 17 de julho de 2011

Tamanho não é documento - Emissões de Gases-Estufa em Cidades

Estudo canadense avalia emissões de gases-estufa de mais de cem cidades e mostra que nem sempre as maiores e mais urbanizadas são as grandes vilãs. As cidades brasileiras analisadas produzem em média dez vezes menos carbono do que as mais poluentes do mundo.

Por: Sofia Moutinho

Publicado em 16/02/2011

As cidades são responsáveis por 80% das emissões mundiais de gases-estufa. Mas nem todas emitem o mesmo e, por vezes, áreas menos urbanizadas lançam ainda mais carbono na atmosfera. É o que mostra um estudo do Banco Mundial realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto (Canadá). A equipe analisou a taxa de emissão de gases-estufa por habitante em 110 cidades de 30 países.

A pesquisa, publicada na página do periódico Enviroment and Urbanization na internet, utilizou dados de diversos estudos anteriores sobre o tema e demonstra que a infraestrutura e a organização econômica das cidades estão diretamente relacionadas com seus níveis de emissão. Cidades que têm economia baseada em serviços, por exemplo, não emitem tanto quanto áreas predominantemente industriais.

Enquanto em Roterdã, cidade portuária da Holanda, a emissão de carbono por habitante chega a 29,8 toneladas por ano – maior taxa registrada no estudo –, cidades maiores e mais habitadas, como Nova Iorque, nos Estados Unidos, e Londres, na Inglaterra, não chegam à metade desse valor.

“Muitas das metrópoles do mundo acusadas de grandes responsáveis pelas emissões, na verdade, emitem pouco”, afirma o principal autor do estudo, Daniel Hoornweg, especialista em cidades do Banco Mundial. “Há muitas variáveis que precisam ser consideradas, como as fontes de energia e o transporte usado, antes de se apontar o dedo para um culpado.”

Ao se comparar cidades com grande diferença econômica, em geral as mais pobres emitem menos gases-estufa. Os moradores de Daca, em Bangladesh, por exemplo, lançam apenas 0,36 tonelada de carbono por ano na atmosfera, muito menos do que as metrópoles de países desenvolvidos.

No entanto, o estilo de vida dos moradores dessas cidades pode mudar esse quadro. Uma cidade rica e com alto padrão de consumo, como Barcelona, na Espanha, pode emitir pouco. Apesar de ser desenvolvida, a cidade produz anualmente apenas 4,2 toneladas de carbono por habitante devido à eficiência do seu transporte público.

O contrário também acontece. A Cidade do Cabo, na África, emite anualmente 11,6 toneladas de carbono por habitante. Esse índice é maior do que o de Nova Iorque, nos Estados Unidos, que emite anualmente 10,5 toneladas por habitante.

Dentro das cidades, também há variações nas emissões. Em Toronto, no Canadá, cada morador do centro da cidade produz menos carbono do que quem vive nos subúrbios, regiões majoritariamente residenciais. “Essa diferença se deve ao fato de que os moradores do subúrbio, que têm mais dinheiro, usam mais seus carros”, explica o pesquisador.


Cidades brasileiras

Do Brasil, foram incluídas no estudo as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Porto Alegre. Os resultados mostram que, dentre as metrópoles analisadas, o Rio de Janeiro é a que mais emite gases-estufa: 2,1 toneladas por habitante por ano. Porto Alegre ocupa o segundo lugar, com uma taxa de 1,48 tonelada, seguida de São Paulo, com 1,4 tonelada, e Goiânia, com 0,99 tonelada.

As taxas de emissão brasileiras são em média dez vezes menores do que as das cidades mais poluentes do mundo e apresentam índices abaixo dos verificados em cidades pobres da Ásia e da África, como Cidade do Cabo. “Isso se deve a alguns fatores elementares, como o uso de energia hidrelétrica e etanol e, principalmente, a forma compacta dos municípios, que têm grande dependência do transporte público”, explica Hoornweg.

A pesquisadora do Instituto de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) Suzana Kahn Ribeiro, integrante do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, não se assusta com o fato de o Rio de Janeiro ter maior índice de emissões. A cidade tem muito lixo não tratado, que emite gases-estufa, e também é ponto de exploração de petróleo.

Mas Kahn ressalta que o estudo é frágil por não adotar uma única metodologia para a contagem das emissões, o que pode interferir nos resultados. “Se você considerar que as emissões provenientes da energia gerada fora das cidades são de responsabilidade da cidade, já que é ela que a consome, os números serão outros.”

Por outro lado, Hoorweg defende que, mesmo que os resultados de cada cidade tenham sido obtidos com diferentes metodologias, o estudo é um passo inicial para um relatório mais consistente sobre as cidades, capaz de orientar a elaboração de políticas de mitigação adequadas a cada local. Para ele, o maior desafio está nas cidades mais pobres, que devem saber conciliar seu crescimento com menores taxas de emissão.


Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/02/tamanho-nao-e-documento

Vídeo: Porque a Gestão de Projetos é Essencial para Arquitetura, Engenharia e Construção?

Evento realizado pela internet em 16/03/2011

PALESTRANTE
Silvio Melhado, Doutor em Engenharia Civil e Professor Associado do Depto. de Engª de Construção
Civil da Escola Politécnica da USP. Dentre outras atividades, coordena a Linha de Pesquisa em
"Gestão de Projetos" no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da USP, é participante e
fundador da Rede Brasileira de Pesquisa e Inovação em Gestão do Processo de Projeto de Edifícios e
membro do Grupo Internacional CIB W96 - Architectural Management.

PROGRAMA

1. As Seis Faces da Gestão de Projetos: Qualidade; Prazos; Custos; Construtibilidade;
Sustentabilidade; Satisfação das Partes Interessadas;

2. O Processo de Projeto e a Coordenação de Projetos;

3. Normas de Desempenho;

4. Certificação Ambiental;

5. A Tecnologia BIM (Building Information Modeling);

6. Gestão de Empresas de Projeto;

7. Formação e Perfil de Gestores e Coordenadores de Projetos.

Assista o Vídeo:
http://www.aecweb.com.br/construmanager/webseminario_video/webseminario_video.htm

Quase Centenário, Edifício Guinle passa por Restauração

Um dos prédios mais simbólicos do centro velho de São Paulo passa por minuciosa restauração. Desde fevereiro, 25 pessoas – entre pedreiros, carpinteiros, restauradores e arquitetos – fazem do Edifício Guinle, na Rua Direita, um movimentado canteiro de obras. A meta é recuperar, o mais fiel possível ao original, sua fachada. Construído entre 1913 e 1916, o prédio já sofreu várias reformas – mas nunca um restauro.



Considerado o primeiro arranha-céu da cidade – já que foi erguido em uma época em que seus 36 metros e apenas 7 andares impressionavam, e muito – e um dos pioneiros do concreto armado no Brasil, o Guinle é o precursor da verticalização paulistana. O prédio saiu das pranchetas do arquiteto Hipólito Pujol Júnior (1880-1952), mas sua construção só foi aprovada pela prefeitura depois de um laudo oficial. Explica-se: o então prefeito Raimundo da Silva Duprat, o Barão de Duprat (1863-1926) duvidou que um edifício de tal porte tivesse estabilidade. Pediu um aval ao engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza (1843-1917), que era diretor da Escola Politécnica.

Toda essa história só aumenta a responsabilidade dos encarregados da obra, com entrega prevista para outubro. “Vamos deixar o prédio autêntico, sem tirar qualquer resquício de sua história”, garante a restauradora Janaína Guisato, que vem se dedicando à recuperação dos ornamentos de argamassa na fachada – há figuras que lembram folhas e frutos de café, remetendo à riqueza do “ouro verde” que viabilizou a construção do prédio no início do século 20.

Orçada em R$ 700 mil, a restauração é bancada pela empresa proprietária do prédio, uma rede de calçados que, desde 1997, mantém uma de suas 14 lojas no andar térreo do edifício. Dois outros andares são utilizados para armazenar o estoque, um é salão de eventos e os restantes permanecem vazios – sem planos de nenhuma utilização. A administração da empresa não esconde o orgulho por ter adquirido o histórico edifício. Na loja, um cartão postal com foto e história do prédio é distribuído aos clientes. No site da rede, também há um destaque para o passado do endereço. E é comum que a empresa receba estudantes de arquitetura interessados em conhecer o espaço.

Percurso. Antes de colocar a mão na massa, os funcionários da Companhia do Restauro – empresa contratada para a obra – tiveram um ano para planejar cada etapa. “Foi quando fizemos um estudo para identificarmos as características originais, lavamos a fachada e realizamos a prospecção de cores”, explica o arquiteto Paulo Danilo Machado. “Também foi nesse período que submetemos o projeto técnico à aprovação do Conpresp”, conta o proprietário da Companhia do Restauro, Francisco Zorzete, lembrando que o prédio é tombado, desde 2007, pelo órgão municipal de proteção ao patrimônio.

De acordo com as pesquisas, originalmente a fachada não tinha pintura: era massa raspada – e assim voltará a ser. O telhado, atualmente metálico, também voltará a ser de cerâmica. Medidas pontuais vêm sendo tomadas em outros pontos: elementos decorativos metálicos, que há anos eram pintados de dourado, voltarão a ser na cor grafite; e 74 novas cremonas (tipo de trinco usado nas janelas do prédio) tiveram de ser fundidas conforme o desenho original, para substituir aquelas que foram trocadas com o passar do tempo. “E quando encontramos sinais de podridão no madeiramento, fazemos aquilo que chamamos obturação”, diz o arquiteto Machado, apontando para um remendo na esquadria de pinho de riga.

Tudo para que o Guinle volte a ser imponente. Se não mais graças ao tamanho, ao menos pelos detalhes de sua arquitetura.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 14 de abril de 2011

http://blogs.estadao.com.br/edison-veiga/2011/04/14/quase-centenario-edificio-guinle-passa-por-restauracao/

O verde toma conta dos edifícios

Fonte: O Estado de São Paulo

Os chamados prédios verdes têm como prioridade a implantação de projetos sustentáveis e de alto controle ambiental.
Além da busca por terrenos e mão de obra qualificada, a construção civil destaca entre suas prioridades a implantação de projetos sustentáveis e de alto controle ambiental. Daí os prédios verdes apresentarem potencial para ganhar as ruas de todo o Brasil, nos próximos anos, e não apenas no eixo Rio-São Paulo.

É entre estes dois estados que hoje se concentram os projetos já aprovados ou em fase de aprovação por parte das entidades que cuidam da comprovação de que eles se enquadram de fato na categoria de construções corretas, tanto do ponto de vista ambiental como econômico.

Os chamados prédios verdes podem ter sua edificação encarecida em cerca de 5% a 10%, conforme o grau de rigor e sofisticação observado, mas seus benefícios em muito ultrapassam esse gasto adicional, garantem especialistas. Paralelamente a ambientes mais saudáveis e produtivos, permitem reduções de até 40% no consumo de energia e de 50% no de água. E mais: diminuem em até 90% o descarte de resíduos e em 35% a emissão de gás carbônico.

A França já enquadrou pelo menos 800 mil unidades habitacionais como de alta qualidade ambiental ou 50 milhões de metros quadrados desde 1990. Os Estados Unidos certificaram mais de 2,4 mil imóveis desde 1998 e o Brasil calcula ter fechado 2010 com algo entre 250 e 300 prédios em processo de certificação. Por sinal, essa preocupação por aqui já chegou inclusive aos estádios de futebol: Brasília, Belo Horizonte, Manaus e Cuiabá já requisitaram a certificação para os seus estádios onde ocorrerão jogos da Copa do Mundo 2014. Também o Rio, Salvador, Recife e Natal mostraram interesse em atender aos requisitos para receberem a certificação em suas arenas.

Normas - Cerca de vinte empresas dão hoje consultoria para a certificação dos verdes no País. Aqui, a construção civil se depara com cerca de 950 normas, muitas delas já voltadas para o controle e redução de impactos ambientais. A certificação se dá, sobretudo, pelo processo americano Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) ou pelo Aqua (Alta Qualidade Ambiental). A certificação Leed é concedida pelo Green Building Council Institute. De 69 exigências, o imóvel precisa obedecer a pelo menos 26 para receber o selo. Uma agência bancária na Granja Viana, em São Paulo, foi o primeiro imóvel na América Latina a receber essa certificação em 2007. Recentemente também recebeu o selo a construção de 37 mil metros quadrados, um empreendimento de quatro torres na Avenida Nações Unidas.

O selo Aqua, baseado no sistema francês, foi desenvolvido no Brasil em 2008 pela Fundação Vanzolini. É concedido com base em 14 critérios de sustentabilidade, que levam em conta a eco-construção, ecogestão, conforto e saúde. Preocupa-se com os impactos ambientais, escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos e até com um canteiro de obras de baixo impacto.

Ao lado do conforto de quem vai trabalhar ou morar no edifício, o Aqua requer obras que assegurem qualidade do ar e da água, além da sustentabilidade dos ambientes. Todos os materiais a serem empregados e métodos de construção devem assegurar economia e bem estar para seus futuros proprietários, locatários e funcionários, dos metais sanitários aos pisos e iluminação, por exemplo.

No País e no mundo

800 mil
Unidades habitacionais da França e 2,4 mil imóveis dos Estados Unidos estão classificadas como de alta qualidade ambiental

300
Prédios no Brasil estavam em processo de certificação de qualidade ambiental até o final do ano passado

(Marilena Rocha - O Estado de S.Paulo)


Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110513/not_imp718582,0.php

http://www.cte.com.br/site/noticias_ler.php?id_noticia=4032

IV Encontro de Sustentabilidade na Construção: desenvolvimento urbano, projetos, obras e operação de empreendimentos

O “IV Encontro de Sustentabilidade na Construção: desenvolvimento urbano, projetos, obras e operação de empreendimentos”, realizado pelo CTE, reuniu 245 profissionais (sendo 99 de incorporadoras e construtoras, 42 de fornecedores de materiais e serviços, 60 de empresas de projeto e consultoria, 27 de entidades de classe, órgãos governamentais e academia, 6 de fundos de investimento e agentes financeiros, 11 de imprensa), representando 8 Estados brasileiros (DF, GO, MG, PR, PB, RJ, RN, RS e SP).

Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, destacou a importância do debate e da reflexão sobre alguns aspetos importantes da sustentabilidade no mercado imobiliário e no setor da construção, que vem assumindo práticas sustentáveis especialmente em empreendimentos, projetos, materiais e obras. Mas é necessário ir além, principalmente porque a sustentabilidade desponta como tendência no mundo para um novo modelo de desenvolvimento econômico, para uma economia verde, inclusiva e responsável. Em um momento de crescimento econômico e de expansão do mercado brasileiro, o Encontro, ao trazer também profissionais e experiências de outros países, amplia a discussão, as possibilidades e oportunidades para as empresas assumirem práticas de sustentabilidade no setor da construção.

O Encontro reuniu 245 profissionais da construção de oito estados e 24 cidades brasileiras

VEJA AS PRINCIPAIS QUESTÕES APRESENTADAS E DEBATIDAS NO ENCONTRO

Cenário básico da economia brasileira é positivo

“Falta ao Brasil um plano nacional estratégico de desenvolvimento. Embora o cenário na construção, principalmente em SP e RJ, seja positivo até 2016, será necessário desenvolver novos modelos no mercado imobiliário para dar conta de toda a demanda.” (Amaryllis Romano)

O cenário básico da economia brasileira, mesmo com ameaças recentes de aumento de inflação, é positivo. A projeção é que a taxa de desemprego se situe em 5% até 2014, com a perspectiva de renda e de massa salarial continuar em expansão. Em 2010, o PIB cresceu 7,5% e a projeção para 2011, já com desaceleração, é de 3,9%, devendo ainda apresentar crescimento abaixo do potencial em 2012, para que a inflação convirja à meta, e melhore sua trajetória em 2013 e 2014. Embora a indústria esteja em sua máxima capacidade instalada na produção, devido à demanda doméstica, poderá ter fôlego pela maturação dos investimentos.

O cenário econômico do País e a evolução estimada para massa de rendimentos e para o número de novas famílias desenham um robusto cenário para a construção imobiliária. O crescimento da Classe C, que comporta o maior número de famílias, vai permitir a sustentação dos investimentos em habitação. Simultaneamente a necessidade de expansão da capacidade produtiva, bem como do setor de serviços, também contribuem como condicionantes positivas para o desempenho do setor.

O segmento de infraestrutura, a despeito de necessidades prementes para atendimento tanto da demanda doméstica, quanto daquelas relativas aos megaeventos esportivos que acontecerão até 2016, tem maior grau de incerteza em função de não haver algumas relevantes definições, especialmente quanto a modelos de financiamentos. De toda forma, a expectativa é bastante positiva para o setor da construção que deve, após o crescimento de quase 12% em 2010 é de que o desempenho fique próximo a 5,0% ao ano.

Crescimento econômico estruturado para o bem-estar da população

“Se não for bom negócio salvar o planeta, não salvaremos o planeta. Precisamos então tornar a sustentabilidade um bom negócio.” (Fabio Feldman)

O diagnóstico do nosso planeta não é nada animador e todos os grupos, organizações e comissões, que atualmente se empenham para discutir soluções ambientais para a Terra, têm sugerido uma agenda das questões mais graves para todos os segmentos produtivos. O aquecimento global é o tema mais estratégico hoje: admite-se aumento de 2°C da temperatura da Terra até o final deste século e é necessária uma redução de 50 a 80% do feito do gás estufa para não aumentar ainda mais o aquecimento. E o que tem a construção a ver com tudo isso?

O setor da construção deve inserir em sua agenda a redução das emissões e de gás de efeito estuda, fundamental para o alinhamento à agenda ambiental mundial. Ao contrário do que se imagina, em uma obra típica predial, as emissões de carbono durante a construção são pequenas, na ordem de 3 a 4%, sendo que o grosso das emissões acontecem antes da construção (na produção e fornecimento de materiais, por exemplo) e a partir da entrega das chaves aos usuários. Por isso, é necessário pensar integralmente na cadeia produtiva da construção, desde o projeto, novos materiais, construção, uso e operação, para poder medir realmente as emissões e pensar nas soluções. O setor da construção terá que se adaptar às tendências atuais quanto à sustentabilidade e às emissões e implantar uma política de gestão de emissões que contenha algumas estratégias essenciais, como análise do fornecedor (se tem práticas sustentáveis, possui inventário de emissões, se utiliza madeira certificada), eficiência energética, gestão de resíduos, etc.

Por uma economia inclusiva, verde e responsável

“O Brasil tem potencial para ser uma liderança na nova economia inclusiva, verde e responsável.” (Camila Valverde Santana)

Aos poucos, percebe-se uma crescente absorção do conceito de economia verde, que vai além do conceito de economia de baixo carbono, e absorve também os requisitos éticos e sociais de uma sociedade sustentável. Muitas iniciativas dispersas e fragmentadas que vemos hoje presentes na sociedade e nas empresas poderiam ser centralizadas por um projeto nacional de desenvolvimento sustentável.

A ‘Plataforma por uma Economia Inclusiva, Verde e Responsável’, elaborada pelo Instituto Ethos e seus parceiros, pretende estimular as empresas e o país a promover a transição para uma “Nova Economia”. Desta plataforma, fazem parte algumas referências básicas para o desenvolvimento de práticas e atividades. Quanto ao aspecto da economia inclusiva: participação da base da pirâmide na produção e consumo; erradicação da pobreza; equidade o acesso à renda, serviços básicos, bens e direitos; melhoria da qualidade de vida no conjunto da sociedade. Quanto ao aspecto da economia verde: alto nível de ecoeficiência; uso sustentável da biodiversidade; recuperação e conservação dos ecossistemas; baixo nível de emissões; uso eficiente da energia e forte predominância de fontes limpas e renováveis. Quando se trata de economia responsável: relações mercantis com alto padrão ético; alto nível de integridade e transparência; existência de mecanismos de combate à corrupção; respeito dos diferentes públicos.

Cabe às empresas do setor da construção analisar e aderir aos tópicos desta plataforma, traduzindo-os em ações e práticas que possam dar conta de soluções aos impactos e problemas dos quais o setor é responsável.

Amaryllis Romano (Economista da Tendências Consultoria Integrada), Camila Valverde Santana (Diretora de Sustentabilidade do Walmart), Fabio Feldman (Consultor Ambiental, Conselheiro do CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) e Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, discutiram a sustentabilidade na indústria imobiliária e na construção civil e os desafios econômicos, ambientais e sociais que o setor tem pela frente

Certificação LEED ND: os critérios podem ser adaptados à realidade brasileira

“É necessário criar pacotes alternativos para o Brasil, que levem em consideração características de projetos regionais e, ao mesmo tempo, mantenham critérios internacionais de sustentabilidade.” (Sophie Lambert)

As empresas líderes de mercado estão sempre buscando se diferenciar e atender, de forma antecipada, as demandas de mercado. Existem vários tipos de conceitos e sistemas de certificação para um empreendimento sustentável hoje, mas, independente do sistema adotado, um empreendimento sustentável deve levar em consideração: a sustentabilidade do espaço (redução dos impactos da implantação do edifício no entorno), sustentabilidade dos materiais (utilização de materiais que causam menos impacto no meio ambiente), a eficiência energética (redução da demanda de energia e impactos ambientais causados pela criação de novas usinas hidrelétricas ou de outro tipo), qualidade ambiental interna (melhoria da qualidade do ambiente interno para o bem-estar dos usuários) e racionalização do uso de água (adoção de sistemas que reduzam o consumo de água potável no edifício).

O ideal seria que os empreendimentos sustentáveis estivessem inseridos em áreas urbanas que atendessem também aos requisitos de sustentabilidade da urbanização, ou seja, que estas áreas urbanas fossem também requalificadas ou concebidas com diretrizes sustentáveis. Assim, os edifícios ali inseridos poderiam almejar maior grau de sustentabilidade. Esta possibilidade de certificação de novas urbanizações ou revitalização de áreas urbanas surge com o LEED ND - Neighborhood Development, do USGBC, que contempla exigências em relação à conectividade urbana, acesso a transporte coletivo de massa, urbanização de uso misto, desenho urbano na escala do pedestre (trabalhar, estudar, morar e divertir-se preferencialmente a pé), além de quesitos que mostrem diferencial em relação à qualidade e conforto do ambiente urbanizado.

O caminho para o desenvolvimento urbano sustentável deve ser inserido na linha do tempo e pensado como um processo, e depende não apenas dos empreendedores, mas da atuação e vontade do poder público. Juntos devem caminhar para uma performance sustentável dos bairros e da ocupação urbana.

Uma nova metodologia para o desenvolvimento de projetos pressupõe o conhecimento sustentável

“Precisamos ampliar o conhecimento holístico sobre a nossa existência e a nossa permanência no planeta Terra, como o conhecemos, e entender que, como arquitetos, devemos ser provocadores e catalisadores de todos os pensamentos e movimentos pró-existência, representando-os na construção.” (Ruy Rezende)

A arquitetura sustentável, ao contemplar também a nova visão de mundo, que leva em consideração a interação entre as áreas econômicas, ambientais e sociais, muda sua metodologia de trabalho, já que há de se considerar muita pesquisa e soluções para os projetos que visam, por exemplo, as certificações dos empreendimentos. O desenvolvimento de uma arquitetura sustentável traz uma metodologia do pensamento voltada para a construção, na verdade um pensamento holístico, que envolve a construção, arquitetura, programas, condições socioambientais, consultorias, engenharias, pré-construção, conhecimento e pesquisas. Em se tratando da metodologia geral aplicada à sustentabilidade, são grandes os desafios para o desenvolvimento de projetos, pois é necessário desenvolver e aprimorar o conhecimento sustentável, aprofundando as questões culturais e de responsabilidade socioambiental, pesquisando e divulgando, entendendo o “status-quo“, saber fazer uso dos resultados apurados e das normas e referências, além de, ao final, aplicar os conceitos de forma adequada no projeto e na obra. Ou seja, ao assumir novos paradigmas, é necessário criatividade e inovação.

Quanto à metodologia de desenvolvimento de projetos sustentáveis, deverão ser considerados os seguintes quesitos: inserção urbana; terreno, implantação, áreas verdes, gestão da permeabilidade; orientação e controle da insolação, iluminação natural e artificial, ventos; conforto acústico, térmico e qualidade do ar; gestão das águas; gestão da eficiência energética; gestão do uso de materiais e resíduos; energia renovável; responsabilidade socioambiental.

Projetos mais sustentáveis e eficientes

“A sustentabilidade nos leva a fazer projetos mais eficientes e duráveis.” (Flavia Marcondes)

De forma geral, a sustentabilidade sempre fez parte do processo normal de um bom projeto de arquitetura, pois deveria levar em consideração a orientação do prédio, a otimização de eficiência energética, o conforto ambiental, a otimização de custos e a manutenção do edifício (qualidade e durabilidade dos materiais). Com o advento das certificações de empreendimentos, temos uma vetorização de mais elementos na mesma direção, qual seja, a da sustentabilidade. Hoje, são consideradas novas estratégias nos projetos para atender aos requisitos de uma certificação, como reuso de água, utilização de dispositivos economizadores de água e de consumo de energia, previsão de áreas verdes, uso de materiais de origem renovável ou reciclado, construção de bicicletários e vestiários, telhados ecológicos ou pinturas reflexivas nas coberturas, previsão de vagas preferenciais para veículos de baixas emissões, entre outros.

Coincidentemente, as equações de sustentabilidade convergem com as equações econômicas. Algumas soluções de projeto podem ter custo inicial mais elevado do que as soluções convencionais, mas a médio e longo prazo esse investimento inicial se paga e, deste ponto em diante, a curva é positiva. Os edifícios tornam-se mais duráveis, com menor custo de manutenção, menor agressão ao meio ambiente e à natureza.

Flavia Marcondes (Coordenadora de Projetos do escritório Aflalo&Gasperini Arquitetos), Sophie Lambert (Diretora para LEED ND do USGBC), Ruy Rezende (Diretor do escritório Ruy Rezende Arquitetura) e Roberto de Souza refletiram sobre a sustentabilidade no desenvolvimento urbano e de empreendimentos, abordando vários aspectos do projeto de empreendimentos e bairros sustentáveis

Renovação urbana em Paris: construir a cidade sobre a cidade de forma sustentável

“Para se alcançar o desenvolvimento urbano sustentável tem que haver muita vontade política e todas as diretrizes e regras têm que estar muito claras para toda a cadeia envolvida, pois a hierarquia é a do espaço público” (Gilles de Mont Marin)

Diferentemente da realidade brasileira, a legislação francesa concede muitos poderes às coletividades locais, especialmente em termos de urbanismo, e trata da coerência das políticas de urbanismo e de deslocamentos numa perspectiva de desenvolvimento sustentável.

Quanto à renovação urbana de Paris, todas as operações são discutidas, decididas e aprovadas pelo Prefeito e a Câmara Municipal: as grandes orientações urbanas e arquitetônicas do projeto, a programação geral das funções, o quadro jurídico e a ferramenta operacional implantada para dirigir sua política, etc. Cada projeto deve assim se situar no âmbito mais geral do Plano Local de Urbanismo e, para implementar a política “bairros sustentáveis” desejada pela Prefeitura, a coletividade dispõe de vários operadores como a SEMAPA (Sociedade de Economia Mista de Desenvolvimento Urbano de Paris), que tem a missão de desenvolvedor: adquirir os terrenos; efetuar os estudos urbanos, paisagísticos, arquitetônicos; realizar as obras de infraestruturas; vender os terrenos; conceder os direitos de construir; encarregar-se da gestão financeira da operação; inserir os projetos na política de desenvolvimento sustentável municipal; cuidar da informação para os habitantes e dos debates nos bairros durante a fase de realização dos projetos, etc.

Existem ferramentas e referenciais disponíveis, que devem ser atendidos ao se desenhar um projeto: Plano Clima de Paris 2007 (com dimensões sociais, ambientais e econômicas), Referenciais HQE para o desenvolvimento urbano e certificações HQE para edificações. A implementação dos princípios do desenvolvimento sustentável e da alta qualidade ambiental no projeto de desenvolvimento urbano sustentável comporta as fases de desenho, realização e contratação.

Todo o conceito de planejamento urbano sustentável, desde a legislação, os referenciais e as diretrizes, até a gestão de projetos, passam por uma cadeia de interação público-privada, onde a vontade política dos governantes e a responsabilidade dos realizadores são fundamentais. Temos que aprender muito com o modelo francês.

Como tratar o desenvolvimento urbano sustentável no Brasil?

“Não é necessário fornecer todas as respostas de imediato para resolvermos os problemas de nossas cidades e de nossos bairros e ainda torná-los mais sustentáveis, mas é preciso criar condições para que todas as questões sejam respondidas.” (Ana Rocha Melhado)

Os grandes problemas que afetam as cidades brasileiras estão associados diretamente ao seu porte, sendo o trânsito, a poluição do ar, a violência urbana, as favelas, os cortiços, as enchentes, a falta de saneamento básico as maléficas consequências do péssimo planejamento urbano. Em vista disso, qualquer ação urbana e arquitetônica não deve jamais ignorar o contexto que a rodeia. Não existem estilos e modelos sustentáveis que resolvam todos os nossos problemas, mas um contexto que deve ser levado em conta, que inclui a cultura local, o terreno, o programa arquitetural, técnico, ambiental e os anseios dos clientes e usuários. As tecnologias a serem utilizadas nas construções devem funcionar como aliadas na construção do produto e no atendimento aos níveis requeridos de desempenho.

Para darmos conta dos graves problemas urbanos, é necessário desenvolver um plano de ação, que envolva o setor publico e privado, no sentido de desenvolver as seguintes possibilidades: reduzir o consumo de energia e a produção de CO2; promover adequada gestão dos resíduos e minimizar seu impacto ambiental; prover alta mobilidade com reduzido impacto ambiental; reduzir o impacto ambiental; prover o uso eficiente da água; proteger e recuperar o meio ambiente; valorizar o patrimônio material e imaterial; melhorar a qualidade de vida dos habitantes; integrar as edificações com o seu entorno, reduzir o consumo de recursos e favorecer o conforto ambiental e a saúde dos usuários; integrar e recuperar comunidades locais e globais.

Pensando no caos urbano brasileiro: somos todos responsáveis

“É fundamental pensar no dia de amanhã, principalmente porque as atividades da construção demoram alguns anos entre o pensar, projetar e executar.” (Alex Abiko)

Dos 5.567 municípios brasileiros, apenas 273 (0,05%) têm mais de 100 mil habitantes e 3.921 (70%) têm menos de 20 mil habitantes. Essa minoria, no entanto, a cada dia espanta pelas tragédias, caos e inconvenientes causados a seus habitantes. Para resolver os graves problemas urbanos e crescer com planejamento e de forma sustentável, temos que trabalhar em três escalas: do município, da metrópole (que envolve um conjunto de municípios) e na escala do bairro (do quarteirão).

Na esfera do município, é preciso considerar hoje os aspectos políticos (os governantes terão que enfrentar os problemas e encontrar soluções, e a sociedade tem que cobrar e participar desse processo) e os aspectos técnicos (temos número insuficiente de profissionais e necessidade de capacitação técnica, com uma gestão de conhecimento e adequação à nossa realidade de país emergente e continental). Quanto à escala da metrópole, o maior desafio está na gestão ambiental metropolitana, que deve pensar os municípios de forma mais abrangente e interligada. Já na escala do bairro, é necessário obedecer ao plano diretor, sendo que o poder público e iniciativa privada devem trabalhar juntos.

A parceria público-privada é fundamental para enfrentar o desafio do crescimento urbano, pois as cidades são fenômenos complexos e pensar a sustentabilidade no desenvolvimento urbano é muito mais do que pensar no “verde”. Temos ainda pouca criatividade para pensar nossas cidades, precisamos desenvolver critérios de desempenho e diretrizes claras, que deverão nortear todo o planejamento.

Gilles de Mont Marin (Diretor Geral da SEMAPA – Société d’Economie Mixte d’Aménagement de Paris), Ana Rocha Melhado (Diretora da PROACTIVE), Alex Abiko (Professor da Escola Politécnica da USP) e Roberto de Souza trataram da sustentabilidade no planejamento urbano, bairros e loteamentos, abordando a renovação de espaços urbanos e os desafios para integrar a sustentabilidade ao desenvolvimento das cidades

Desafios para uma produção mais limpa

“São necessárias soluções tecnológicas em canteiros de obras visando tanto a sustentabilidade ambiental como a melhoria das condições de trabalho.” (Francisco Ferreira Cardoso)

Hoje a construção se depara com três escalas de desafios para poder promover uma produção mais limpa em seus canteiros e obras: a ambiental (implementar medidas que envolvem todos os impactos ambientais dos canteiros de obras), a social (implementar medidas, levando em conta nossa composição mista na mão de obra, voltadas aos trabalhadores próprios e aos subcontratados) e a econômica (assegurar a eficiência econômica da obra e combater a ilegalidade na cadeia produtiva).

Quanto às questões ambientais, sendo a construção fonte de diversos impactos, é necessário criar um sistema para verificação e implementação de medidas: que atividades do canteiro de obras geram impactos ambientais negativos? Quais elementos dessas atividades afetam o meio ambiente? Quais são tais impactos? Quais são os prioritários? Que diretrizes tecnológicas e gerenciais implementar para a redução dos impactos? As questões sociais e econômicas devem ser pensadas neste mesmo sentido, avaliando-se os impactos negativos, as diretrizes que serão adotadas e as ações que serão implementadas para assegurar as condições de trabalho e a eficiência econômica da obra.

Impactos socioambientais e sustentabilidade passam pelos canteiros de obras

“É possível executar e operar um canteiro de obras mais sustentável e a um baixo custo, causando menos impacto no entorno.” (Daniel Ohnuma)

A construção civil é responsável por grandes impactos socioambientais e, por isso, a sustentabilidade na construção passa necessariamente pelos canteiros de obras das empresas construtoras, que deve ser projetado e construído de forma que leve em consideração o menor impacto possível no terreno, no seu entorno ou vizinhança. Partindo de que é possível executar e operar um canteiro de obras mais sustentável, a um baixo custo, é necessário que as empresas da construção reconheçam os impactos e suas consequências (erosão, sedimentação, enchentes, etc.). Em segundo lugar, é necessário planejar e praticar a gestão. Em terceiro, investir em recursos financeiros e humanos e, por fim, agir com ações de engenharia, implementando boas práticas de obra.

Através de um padrão de sustentabilidade e da implantação de um sistema de avaliação e de monitoramento do desempenho das obras, de modo a direcionar as estratégias e ações de engenharia das empresas construtoras para esse fim, pode-se atender a vários aspectos da sustentabilidade das obras: uso racional da água na obra, uso racional da energia na obra, materiais e compras sustentáveis, gestão de resíduos das obras, controle do ruído das obras, gestão das emissões nas obras (atmosféricas, CO2, materiais particulados), responsabilidade social na obra, comunidade, educação ambiental no canteiro de obras e terreno sustentável.

Benefícios e desafios da certificação LEED de edifícios corporativos: palavra do empreendedor

A dinâmica do mercado de edifícios corporativos tem se alterado, nos últimos anos no Brasil, por conta dos “edifícios verdes”. Locatários, por diretrizes de suas organizações, estão à procura de escritórios ecologicamente corretos, que ofereçam instalações com maior nível de eficiência energética e conforto, menores custos de operação e que sirvam como uma forma de demonstração dos valores e princípios sustentáveis da organização, tanto para seus colaboradores quanto para o mercado em geral. Percebendo essa tendência, muitos empreendedores brasileiros começaram a desenvolver seus novos edifícios para buscar a certificação LEED.

Para o locador e investidor há várias vantagens neste investimento: diferencial competitivo, redução de riscos de performance, maior atratividade para locatários, maior liquidez do ativo, maior aluguel (prêmio de até 6% para edifícios certificados), reposicionamento do ativo, valorização do ativo, maior retorno do investimento. Para o locatário e ocupante, os benefícios principais são ter funcionários mais satisfeitos, ambiente de trabalho mais saudável, retenção de pessoas, maior produtividade, redução do absenteísmo, melhor imagem corporativa, aderência às próprias políticas empresariais de sustentabilidade, menores custos operacionais, menor custo condominial, menor custo de energia em área privativa. Já para a sociedade como um todo, há menor impacto possível no meio ambiente no que diz respeito à construção, reforma e operação do empreendimento.

Alguns desafios, no entanto, ainda estão presentes no mercado brasileiro para poder avançar com mais vigor em projetos certificados: viabilidade econômica, prática local (aluguel triple net), investimentos geralmente são do proprietário, benefícios imediatos geralmente são do locatário, dificuldade de implementar paid-from-savings approach, aumento de aluguel não é imediato (consequentemente, é mais difícil calcular o NPV e o ROI), falta de incentivos fiscais.

Nada que impeça a pesquisa de possibilidades de certificação de um novo edifício (Certificação LEED-NC New Construction), ou de certificação de um edifício antigo, que pode focar a gestão da operação e manutenção predial (Certificação LEED-EB Existing Building – Operation & Maintenance) ou a realização de retrofits verdes (Certificação LEED-NC New Construction & Major Renovations). É certo que a demanda por lajes green building tem crescido no Brasil, pois estima-se hoje mais de 200 edifícios novos corporativos sendo projetados e construídos no país visando esta certificação.

Marcelo Faria Scarabotolo (Diretor da São Carlos Empreendimentos e Participações S.A.), Francisco Ferreira Cardoso (Professor da Escola Politécnica da USP), Daniel Ohnuma (Gerente de Construção Sustentável do CTE) e Roberto de Souza abordaram a sustentabilidade em obras e na operação de empreendimentos, apresentando práticas e estratégias adotadas nos canteiros de obras e nos empreendimentos

Responsabilidade ambiental CTE

O CTE providenciou a Neutralização da Emissão de Gases de Efeito Estufa desse evento. Os cálculos foram feitos pelo INSTITUTO TOTUM e o plantio das árvores será efetuado pela SOS Mata Atlântica, que provê o plantio e o desenvolvimento seguro da árvore, efetivando a real compensação das emissões, por acompanhamento e registros periódicos até os cinco anos de desenvolvimento.

Total de emissões deste evento (tCO2e) = 11,99

Número de árvores necessário à neutralização = 49

UFPR vai contar com o primeiro prédio público verde do Estado

Com a construção iniciada há três meses, o novo prédio dos Laboratórios Integrados de Genética Humana (Ligh) e Memorial Newton Freire-Maia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), já pode ser considerado o primeiro prédio público verde do Estado.

O conceito de sustentabilidade permeia tanto a obra quando estiver pronta como a maneira como ela está sendo construída. A maioria das compras de materiais de construção é feita em empresas com certificado de sustentabilidade. “O grande desafio é usar soluções e materiais sustentáveis, no que for possível, para a construção do prédio”, diz a engenheira civil da UFPR, Mariza Pereira Rodrigues.

A obra busca a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) do Green Building Council do Brasil. Desenvolvida nos Estados Unidos, a certificação LEED é reconhecida internacionalmente como um programa para avaliar projeto, a construção e a gestão de edifícios sustentáveis.

A coordenadora do Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade da UFPR, Maria da Graça Bicalho, ressalta que desde que a obra foi instalada ela é visitada a cada 15 dias por uma Comissão de Certificação do Green Building Council Brasil (Consultoria CTE - Centro de Tecnologia de Edificações), que faz um relatório de como a construção está sendo realizada, de acordo com os requisitos recomendados.

Durante o processo de construção, está sendo realizada a contenção da poluição. “Todos os resíduos da obra são mantidos no local e levados para descarte ou reaproveitados na própria obra. A contenção da poluição é um dos itens obrigatórios. O lixo está sendo separado por tipos e levados para as baias”, explica Mariza.

Os bueiros na área da construção do novo prédio têm proteção em seu entorno para não ficarem entupidos com os entulhos. Toda a vegetação dentro da área de construção é protegida, bem como os barrancos. Até o tapume que circunda a obra é reciclado.

Quando estiver pronto, o novo prédio vai atender as condições de preservação ambiental, reduzindo os gastos com água e energia. Equipamentos serão instalados para a redução do consumo de água. A estimativa é que a redução do consumo de água seja de 20%. A obra vai contar com uma estação de tratamento de esgoto onde a água será captada e tratada para ser reutilizada.

O total previsto de economia no consumo geral de energia elétrica é de 25% e de 60% no consumo de energia para iluminação, em comparação a um edifício-padrão.”Haverá menos utilização de ar-condicionado e lâmpadas especiais para o consumo”, explica o engenheiro civil da UFPR, Danilo Cesar Strapasson.

Até o projeto de paisagismo do prédio foi elaborado para atender o requisito da sustentabilidade. Ele foi desenvolvido visando à contenção e drenagem de enxurradas, permitindo 38% da redução no envio de águas pluviais para a rede de captação em comparação à situação atual.

O telhado verde que será colocado na construção reduzirá o escoamento das águas para as galerias. Ele terá a função de aumentar o conforto térmico, diminuindo a troca de calor entre o ambiente interior e o exterior.

O novo prédio está previsto para ser entregue em dezembro de 2012.


Valéria Auada - Fonte: O Estado do Paraná
http://oestadodoparana.pron.com.br/cidades/noticias/24712/?noticia=ufpr-vai-contar-com-o-primeiro-predio-publico-verde-do-estado


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Recomendações para elaboração de orçamento de obras de reabilitação de edifícios habitacionais

A Revista Ambiente Construído acaba de publicar seu último número em http://seer.ufrgs.br/ambienteconstruido. Este número é dedicado ao tema da Tecnologia da Habitação e tem como destaque um conjunto de artigos que resultaram de pesquisas do Programa Habitare da FINEP. Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens
de interesse.

Carlos Torres Formoso
Holmer Savastano Junior
Roberto Lamberts
Editores-chefe

Ambiente Construído
v. 11, n. 2 (2011)
Sumário
http://seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/issue/view/718


Artigo:
http://seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/article/view/17093/12151

Christiano Romanholo Marques de Jesus
Mércia Maria Semensato Bottura de Barros
Resumo

O segmento de reabilitação de edifícios residenciais no Brasil vem se desenvolvendo lentamente, seja por meio de programas habitacionais geridos pelo Estado, seja de maneira ainda tímida pelo mercado imobiliário privado. Entretanto, a exemplo de muitos países europeus, essa atividade tende a se intensificar com o passar dos anos e exigirá conhecimentos específicos hoje não consolidados. O processo de produção de um empreendimento de reabilitação é bastante distinto do de um edifício novo, demandando o desenvolvimento de novos parâmetros tecnológicos, de gestão e de custos. Com base neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo propor recomendações para elaboração de orçamento de obras de reabilitação de edifícios para uso habitacional. O trabalho é baseado num estudo minucioso dos custos envolvidos na produção de cinco empreendimentos de reabilitação habitacional realizados na cidade de São Paulo, para os quais foram elaborados os orçamentos detalhados e a curva ABC. A análise dos custos dos empreendimentos permitiu estabelecer um intervalo de participação percentual do custo de produção dos subsistemas do edifício no custo total da obra de reabilitação.

Palavras-chave: Reabilitação de edifícios. Custos de produção. Orçamento. Habitação de interesse social. Empreendimentos de edifícios residenciais.