domingo, 28 de março de 2010

Reabilitação de edifícios: a importância dos sistemas prediais

Construir ou reformar? Esta questão foi lançada na edição 46 da Revista Construção Mercado, em 2005. Naquele ano, a reabilitação de edifícios apresentava-se como uma possível solução para a recuperação de edificações abandonadas, seja com finalidade social, por programas habitacionais públicos, ou visando atender ao segmento da construção civil voltado para a habitação de média e alta renda.

Apesar da necessidade premente de se reabilitar muitos dos edifícios, principalmente nos centros das grandes cidades brasileiras, são muitos os entraves para o desenvolvimento econômico desse segmento, dentre os quais, os riscos associados, principalmente, ao desconhecimento técnico sobre as características inerentes às obras de reabilitação.
Ainda são precárias as metodologias de diagnóstico das condições físicas do edifício a ser reabilitado; não há metodologia de projeto focada nesse tipo de empreendimento e, ainda, na maioria das intervenções já realizadas, as tecnologias construtivas empregadas foram as mesmas utilizadas em obras novas. Esse procedimento, na maioria dos casos, mostrou-se inadequado às condições da reabilitação, resultando em longos períodos de intervenção, importantes alterações de projeto e, por consequência, em expressivas alterações do custo inicialmente previsto, como bem demonstram os trabalhos de Yolle Neto (2006), Projeto Reabilita (2007) e de Marques de Jesus (2008).
Nesses trabalhos, os autores enfatizam a necessidade de se compreender a obra de reabilitação de forma sistêmica, buscando-se antever as dificuldades que possivelmente serão encontradas ao longo do seu desenvolvimento.
Continua:
Christiano Romanholo Marques de Jesus, Mestre em Engenharia Civil - Escola Politécnica - USP (Universidade de São Paulo), São Paulo, christiano.jesus@caixa.gov.br

Mércia Maria S. Bottura de Barros, Professora Dra de Engenharia Civil da Escola Politécnica - USP (Universidade de São Paulo), São Paulo, mercia.barros@poli.usp.br

sábado, 20 de março de 2010

Começam as obras de reforma no Teatro Cultura Artística

Com projeto do arquiteto Paulo Bruna, novo teatro terá foyer ampliado e apenas uma sala de espetáculos. Fachada e painel de Di Cavalcanti serão mantidos
Ana Paula Rocha - 19/Março/2010

Começam as obras de reforma do Teatro Cultura Artística, incendiado em agosto de 2008. O projeto para o novo edifício foi elaborado pelo arquiteto Paulo Bruna e prevê restauração completa da fachada, além da ampliação do foyer e da sala de espetáculos.

Fachada tombada pelo Condephaat será restaurada

A construtora responsável pela etapa inicial das obras será a Racional Engenharia, que vai restaurar o painel de Di Cavalcanti e a fachada do teatro, ambos tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo) em dezembro de 2008. O investimento para a primeira etapa das obras é de R$31 milhões.

O projeto
O novo Cultura Artística terá um foyer bem mais amplo do que o original, onde serão abrigados espaços como bar, chapelaria, loja de CDs, acessos aos elevadores e duas escadas rolantes de grande capacidade. Nos níveis das entradas do auditório, o arquiteto Paulo Bruna também projetou outros pequenos foyers e bares para serem usados em recepções e eventos particulares, com acesso restrito aos camarotes.

www.piniweb.com.br/construcao/arquitetura/comecam-as-obras-de-reforma-no-teatro-cultura-artistica-164563-1.asp

Museu Nacional do Azulejo, em Portugal

Neste vídeo do programa da GloboNews - Pelo Mundo, o Museu Nacional do Azulejo, criado em 1965, é um grande espaço que mostra a evolução do azulejo em Portugal. As peças são uma expressão artística característica da cultura portuguesa. Sexta-feira, 19/03/2010


Retrofit - Da teoria à prática

Mercado de requalificação tecnológica de edifícios estimula inovações em prol da sustentabilidade

Por Simone Sayegh

Já é um consenso entre especialistas que o retrofit ou reconversão de um edifício (ou área urbana) é, antes de tudo, uma requalificação tecnológica. Em geral, o que se faz é reconfigurar e otimizar espaços, melhorar sua eficiência energética e, em conseqüência, aumentar seu valor agregado. Segundo a arquiteta doutora Roberta Consentino Kronka Müilfarth, do Labaut (Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética da Universidade de São Paulo), essa requalificação pressupõe tornar o edifício mais "sustentável", pois ataca-se o problema do consumo exagerado de água e energia, apostando na ventilação natural do edifício, reúso de água, uso de água de chuva e outras alternativas. "É uma prática arquitetônica dentro do desenvolvimento sustentável", acredita Roberta (quadro 1).

Um edifício pode ser readequado para o mesmo uso ou adaptado para usos diferentes. Já o retrofit urbano transforma áreas obsoletas e até com problemas sociais em áreas economicamente e socialmente ativas, onde a degradação e violência dão lugar à renovação urbana e maiores consciência e cuidado com o meio. "Na Europa é muito comum a requalificação urbana onde até bairros inteiros são transformados, em oposição à expansão urbana", explica Roberta. De acordo com a pesquisadora, a expansão urbana é cara pois implica alterar a infra-estrutura básica e de transportes (greenfields), enquanto que o reaproveitamento de áreas degradadas ou subutilizadas (brownfields) tira partido de equipamentos existentes e reconecta o tecido urbano truncado de áreas subutilizadas da cidade.

Continua no endereço abaixo:

terça-feira, 2 de março de 2010

Espaço Cultural UFG


Uma experiência em curso na UFG é a reabilitação do Espaço Cultural da UFG, cuja obra está em andamento e precisa ser avaliada em vários aspectos: gestão de projetos, avanços técnico-construtivos, execução da obra, satisfação dos clientes e usuários etc.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tijolo por tijolo

Ensino superior investe milhões a cada ano na edificação ou reforma de suas unidades e ajuda a aquecer construção civil

Carolina Cassiano

O crescimento das universidades públicas e privadas na última década, que se faz ver em números de vagas abertas e alunos matriculados, trouxe consigo, como reflexo, a expansão de outros setores. Em 1996, as vagas oferecidas pelas instituições de ensino superior atingiam 630 mil. Uma década depois, esse número cresceu 300% e hoje beira os 2,5 milhões de vagas. Para comportar esse efetivo, foram criados milhares de metros quadrados de espaço físico. Para que isso fosse possível, especialmente as universidades e os centros universitários investiram pesadamente em levantar novas instalações, de modo que o setor fez o que pôde para contribuir para o aquecimento da economia no setor da construção civil.Para se ter idéia do volume construído, somente no Estado de São Paulo, em 1998, a área total edificada pelas instituições de ensino superior privadas somavam 3 milhões de metros quadrados. Seis anos depois, o setor havia construído outros 1,9 milhões de metros quadrados. Em 2006, a expectativa é que todo o setor privado paulista tenha construído 5,4 milhões de metros quadrados até hoje, segundo dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Um incremento de 80% em oito anos.A dificuldade para a análise mais profunda dos dados está no fato de, no país todo, não serem compilados os números de metros quadrados construídos para a educação, segundo informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon). Da mesma forma, as entidades representativas da educação superior também não sabem dizer quantos campi foram construídos na última década, a despeito do evidente crescimento das universidades. Entretanto, uma amostra pequena, mas significativa, das universidades, já dá a dimensão desse impulso. A revista Ensino Superior selecionou dez grandes instituições privadas de diferentes regiões do país e contou quantos campi essas IES tinham, juntas, em 1996 e comparou com a soma do número de campi próprios que têm hoje. Foram analisadas as escolas: Ulbra, Uniban, Uninove, Unip, Unisa, Unisul, Unit, Univercidade, Universo e São Judas. Somadas, essas instituições de ensino tinham 36 campi em 1996. Passados dez anos, as escolas construíram e são proprietárias de 95 campi. Um crescimento de 164%.Embora não existam dados somados dos investimentos das instituições de ensino em edificações, os números de algumas universidades ajudam a mapear os valores aplicados nas construções. A carioca Univercidade - Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, tem hoje 16 campi e 11 deles foram inaugurados nos últimos dez anos. Foram construídos ou reformados, nesse período, cerca de 30 mil metros quadrados.Em função da demanda, a Univercidade mantém até mesmo um departamento de projetos e obras que emprega cerca de 60 pessoas. Fora estas, ainda são contratados algumas dezenas de funcionários terceirizados, quando necessário. Em cada obra, a instituição acredita ter investido, em média, R$ 750 mil, o que totaliza, em dez anos, uma aplicação de recursos de mais de R$ 8 milhões.Também em processo de expansão, a Unisul, sediada em Santa Catarina, viu a sua planta total dobrar na última década. Os cerca de 80 mil metros quadrados pertencentes à instituição no início dos anos 90 passaram aos atuais 154 mil metros quadrados. A gaúcha Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), a terceira maior universidade brasileira em número de alunos, também apresenta números impressionantes. Em 1996, a instituição já possuía 21 unidades de ensino (para os níveis fundamental, médio e superior). Hoje, tem 33 unidades (16 delas de ensino superior), com 610 mil metros quadrados de área construída. Nesse período, a instituição e seu patrimônio total cresceram 1.400%. O que somava R$ 95 milhões hoje totaliza R$ 1,5 bilhão.Para essas universidades, esse investimento é parte de seu patrimônio bruto. Mas nem toda instituição de ensino privada opta por construir os próprios campi.

Tendo em vista essa preferência por não investir em imóveis e construção, foi desenvolvida uma modalidade alternativa: o sistema built to suit, utilizado pelo Ibmec São Paulo para erguer seu novo campus, no bairro da Vila Olímpia. A instituição atraiu oito investidores que compraram o terreno por cerca de R$ 15 milhões e bancaram a construção do prédio, seguindo as especificações e necessidades da escola. Somados o terreno e a construção de 20,4 mil metros quadrados, foram investidos cerca de R$ 40 milhões. O Ibmec firmou contrato com vigência de 18 anos, com os investidores, para o aluguel do imóvel. "Tudo leva a crer que mais adiante ambos terão o máximo de interesse em renovar o aluguel porque somos parceiros e porque o prédio foi construído para nossa necessidade específica", diz Cláudio Haddad, diretor-presidente da instituição. Haddad analisa essa estratégia como uma boa saída para uma empresa que não quer empatar seu caixa com bens imobiliários. "Não achamos que tijolo e cimento sejam um bom emprego de caixa ou que agreguem valor aos alunos. Construir é empregar muito dinheiro em um ativo fixo e isso empata o caixa, por muito tempo. O sistema é perfeitamente adequado à nossa filosofia", avalia.Não apenas em edificações investem essas instituições. Elas também movimentam o setor da construção civil por aplicar recursos em reformas. A Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro aplicará R$ 6 milhões na reforma do octogenário Banco Francês e Italiano, localizado no centro, que já pertence à FGV há algumas décadas. A reforma, que envolveu 35 profissionais durante um ano e meio de trabalho, deve ficar pronta em outubro próximo. Depois de reformados, os 3,5 mil metros quadrados abrigarão os cursos que ainda hoje são ministrados em salas alugadas no prédio da Bolsa de Valores. Por ser um patrimônio histórico, a edificação terá sua fachada preservada. "Mantivemos a fachada e fizemos intervenções modernas no interior, como elevadores, estúdio de TV e livraria", diz Paulo Lemos, superintendente da FGV-RJ.Juntas, as universidades privadas paulistas devem construir, até o fim deste ano, 2,4 milhões de metros quadrados - contabilizadas as obras executadas a partir de 1998. Se fossem calculados os investimentos em construção feitos pelo setor com base no custo de hoje do metro quadrado (segundo o IBGE, são R$ 631,44 por metro quadrado, em julho deste ano, em São Paulo), os números seriam da ordem de R$ 1,5 bilhão, uma média de cerca de R$ 200 milhões ao ano. O número não é oficial, já que se baseia no custo atual e não naquele praticado a cada ano, mas dá uma idéia da soma de recursos que o setor injetou na construção civil, só no Estado de São Paulo.

PÚBLICAS
Recentemente, as universidades públicas federais também vêm fazendo volume na soma de investimentos relacionados à construção. Especialmente este ano, em que o Ministério da Educação liberou R$ 100 milhões para o Projeto Expandir, que quer impulsionar a expansão e a interiorização do ensino superior - e o que o orçamento prevê é que outros R$ 160 milhões devem ser aprovados este ano. O objetivo é construir 42 novos campi e dez novas universidades - o primeiro já inaugurado é o de Garanhuns, em Pernambuco.As universidades estaduais também fazem seus investimentos. A construção da USP-Leste, unidade da Universidade de São Paulo inaugurada em 2005, é um exemplo. Toda a unidade, que continua em obras, deverá ter 48 mil metros quadrados até o ano que vem. Durante os quase dois anos de construção, foram envolvidas 13 construtoras. "Até o fim das obras, a expectativa é que sejam aplicados R$ 101 milhões", analisa a arquiteta Ivone Carneiro Rafael, que integra a Coordenadoria do Espaço Físico da USP (Coesf).A Universidade Estadual Paulista (Unesp) também deve investir mais R$ 30 milhões na reforma e edificação de três novas unidades: um campus em São Paulo (na Barra Funda), um novo prédio dentro do campus da cidade de Rio Claro e uma nova unidade em Franca. "O projeto de ter novas instalações já existe há alguns anos e vem da idéia de oferecer à comunidade um campus de melhor qualidade. A universidade precisa sempre se atualizar tendo em vista as necessidades dos alunos e da população", diz Hermann Voorwald, vice-reitor da Unesp. Na unidade Barra Funda, o primeiro campus da Unesp na capital, novas obras devem ocorrer em breve. A atual etapa, no entanto, deve ser entregue em fevereiro de 2008. Computados os três novos espaços da Unesp, serão mais 34 mil metros quadrados acadêmicos construídos em São Paulo.

Universidades em obras

Com ajuda de seus estudantes portadores de necessidades especiais, instituições de ensino facilitam a rotina no campus com adaptações em edifícios e espaços de uso público

Estamos atrasados. Assim Izabel Loureiro, presidente da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), define o preparo das universidades federais para receber alunos com necessidades especiais. O tempo, neste caso, é literalmente uma referência: no próximo dia 20 de dezembro, vence o prazo de três anos, previsto por decreto presidencial, para que os órgãos e entidades do governo promovam "as adaptações, eliminações e supressões de barreiras arquitetônicas existentes nos edifícios e espaços de uso público". A avaliação é de que muito precisa ser feito, embora ações isoladas bem-sucedidas despertem cada vez mais atenção de instituições e de profissionais do ensino superior para questões referentes aos portadores de algum tipo de deficiência (física, visual, auditiva, mental ou múltipla). Nas escolas pagas, o contexto parece o mesmo: se de um lado há IESs totalmente despreparadas, na outra ponta existem aquelas que oferecem solução ideal a determinadas necessidades. Excluídas as adaptações mais comuns (rampas de acesso, portas e banheiros modificados e vagas reservadas em estacionamento), algumas medidas só vingam com o diálogo, a partir de indicações do próprio aluno com alguma necessidade específica sobre como sua rotina no campus pode ser facilitada. Esse diálogo dispara um processo descomplicado e de baixo custo para as instituições, apesar de a falta de informação a respeito solidificar impressão contrária. Num país em que as pessoas com algum tipo de deficiência representam aproximadamente 13% do total de habitantes, seria surpreendente se as universidades e faculdades não tivessem estudantes com necessidades especiais em suas listas de aprovados nos vestibulares. Por isso, algumas instituições que encontraram suas alternativas já conseguem recuperar boa parte do tempo perdido. Intérpretes e orientação para mobilidade "O trabalho da Corde é divulgar o mundo da pessoa portadora de deficiência. Existe uma série de normas do Ministério da Educação que regulamenta como devem ser as instalações de uma universidade. Mas, em muitos lugares, isso ainda é desconhecido. O acesso à biblioteca, na maioria das vezes, por exemplo, é dificultado por escadas. Não poderia ser assim. É na biblioteca que está o saber. Mas não podemos nos restringir aos portadores de deficiência física. Os demais também sofrem. Imagine um portador de deficiência visual que depende de um livro no sistema braile para aprender", instiga Izabel Loureiro. Na Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), a linguagem braile está presente em muitos pontos das instalações acadêmicas. Mesmo com pouca idade, o Centro de Apoio Acadêmico aos Deficientes (Caad), criado para informar sobre acessibilidade, preparar materiais didáticos, desenvolver programas, treinamento de funcionários e orientação a professores e colegas de classe, é reconhecido por suas realizações, tanto pelos alunos da própria IES quanto pela comunidade, que também tem acesso irrestrito aos serviços do centro. "Antes de criarmos o Caad, a Unicid recebera, em 1999, alunos com deficiência visual. Na época, tivemos o caso de uma aluna que fazia provas transcritas para o braile graças à dedicação do professor Sérgio Augusto de Naddeo, hoje diretor do centro de apoio. Essa experiência inicial motivou a criação do Auxílio ao Deficiente Visual (ADV), mas ele ficou 'pequeno' por conta da propaganda dos alunos, e partimos para o Caad", lembra a professora Edileine Vieira Machado, responsável pela coordenação do programa. A expansão do Caad aconteceu não apenas pela quantidade de atividades, mas também pelos tipos de necessidades assistidas. Hoje, os alunos podem solicitar intérpretes da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), carteiras anatômicas, apoio psicológico e orientação para mobilidade - a pessoa portadora de cegueira ou de visão prejudicada aprende a andar sozinha, com auxílio de bengala, em ambientes fechados e abertos, em áreas comerciais e a utilizar transportes coletivos. "Sem dúvida, esses programas melhoram muito a convivência dos alunos. Por causa de todo esse apoio, muitos deles deixam suas escolas e nos procuram em busca de uma assistência maior. Além disso, cuidamos do encaminhamento de nossos estudantes com necessidades especiais para o mercado de trabalho. Agora, ações como estas são obrigação de todas as IESs", aponta a coordenadora. Segundo ela, a Unicid é a primeira instituição de ensino superior do país a desenvolver um programa de reabilitação básica, indicado pela Organização Mundial de Saúde para países em desenvolvimento. O serviço deve oferecer orientação, comunicação, apoio psicológico e aulas sobre práticas do dia-a-dia. "O estudante, quando chega, já se sente amparado, participando amplamente do convívio com outros estudantes. Algo também muito importante é que o acadêmico que não tem necessidades especiais, com a convivência, aprende a ter contato com o diferente. Ele toma conhecimento da necessidade de respeitar o próximo e descobre que o portador de deficiência possui também suas habilidades e que é muito capaz", completa Edileine. Iniciativa inédita As Faculdades Integradas Rio Branco (Firb) é outro exemplo de quem partiu do zero e hoje é ponto de referência para estudantes com deficiência auditiva que desejam estudar em São Paulo. Em 2000, três alunos surdos se inscreveram e foram aprovados no vestibular da instituição, o que criou a necessidade de intérpretes da Libras. Eles foram contratados e mantidos com recursos da escola - iniciativa inédita no Estado. "Nunca tinha lidado com surdos. Isso foi motivo até de uma situação curiosa: quando usei a palavra deficiente no primeiro contato com uma aluna, ela respondeu imediatamente que não era deficiente, que era surda mesmo. Ou seja, às vezes, criamos títulos que, na convivência, perdem o sentido", observa Maria Genny Caturegli, coordenadora dos cursos de Pedagogia e Letras, que concentram o maior número de alunos surdos matriculados na Firb. A presença deles na faculdade gerou o interesse de colegas e professores pela rotina de quem possui deficiência auditiva, culminando, em 2001, com o seminário Espaço Aberto: o Surdo nas Faculdades Integradas Rio Branco, oportunidade em que foram discutidas questões sobre necessidades e interesses dos alunos. "No início, a primeira pergunta foi: como lidar com eles? Mas logo decidimos pela contratação dos intérpretes. Quanto aos professores, por causa da falta de costume, sentiram certa dificuldade com o fato de o estudante surdo não olhar diretamente para eles, mas para o intérprete. Mas todos aprendemos com o tempo", resume Maria Genny. A cadeira de Pedagogia possui hoje dois alunos no 2o ano e cinco na primeira turma, refletindo a repercussão do amparo oferecido pela instituição. A coordenadora explica que atualmente tanto os alunos surdos quanto os "ouvintes" - como são chamados aqueles que escutam na lista de chamada - já estão acostumados à inserção. Nem mesmo eventuais "excessos" da língua portuguesa prejudicam o aprendizado. "Quando falamos uma palavra muito específica durante a aula, sem que ela tenha um gesto equivalente na Libras, os intérpretes soletram para os alunos", acrescenta. Apesar da necessidade de participação dos intérpretes nos diálogos, eles são aconselhados pela Firb a separarem-se dos alunos nos horários de intervalo. A razão disso, segundo Maria Genny, é "acabar com a 'paparicação' que existia no começo da experiência, para que os estudantes mantenham um contato mais intenso". Ela comenta que, além do convívio com o diferente, resultado observado também por Edileine Vieira Machado, da Unicid, os estudantes ouvintes podem viver uma experiência a que não estão acostumados, mostrando interesse em se aprofundar. "Hoje, muitos alunos perguntam quando daremos um curso de Libras", diz. X nos pontos críticos A Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) descobriu que tinha problemas de acessibilidade por intermédio de um de seus alunos. Após vivenciar na prática algumas dificuldades, Felipe Simões Quartero, que utiliza uma cadeira de rodas motorizada, decidiu enviar ao reitor da instituição as indicações dos locais onde deveriam ser feitas as adaptações. "Teve um semestre em que a direção distribuiu material impresso com o mapa da instituição. Aproveitei para marcar com X os pontos onde tinha mais dificuldade. Havia muitos degraus, por exemplo, na biblioteca. Então, mandei uma carta ao reitor com as minhas observações. Lembro que ele disse: 'Já pensávamos em mudar e, em breve, mudaremos'", conta o estudante, que faz o curso de Ciências da Computação. Sem a orientação de Felipe, a escola poderia levar mais tempo para se preocupar de fato com o assunto, sentindo até dificuldade em identificar os locais considerados de difícil acesso. "O campus da Metodista foi construído na década de 70, uma época em que ainda não havia essa preocupação com o deficiente em geral. A partir de 1999, passamos a nos preocupar mais com o tema. Para isso, contamos com o Felipe. Ele mapeou os locais que precisavam de mudança e nos ajudou muito. Construímos rampas nas calçadas e eliminamos as escadas. Internamente, também adaptamos um edifício, instalando o elevador. Ainda restam dois edifícios para se fazer as mesmas reformas, e esperamos terminar tudo até o próximo ano", prevê Márcio de Morais, vice-reitor Administrativo da Metodista. O estudante, por sua vez, usufruiu desde o primeiro momento as alterações concluídas. "No dia em que dei a primeira passeada após as reformas, andei na calçada com todo mundo, o que me fez sentir mais próximo das pessoas. Antes de a faculdade atender aos meus pedidos, estava perto da calçada, mas, ao mesmo tempo, longe dela. A faculdade sempre teve a preocupação de me escutar, chegando a reparar na necessidade de eu ter aula em salas no andar térreo. Além disso, utilizo duas mesas especiais", completa Felipe Quartero. Detalhes que antes passavam despercebidos, agora fazem parte dos projetos de reforma ou construção de instalações. O exemplo mais recente é o novo prédio acadêmico do Campus Planalto. Uma das principais preocupações foi a de preparar a unidade para cursos da área de Saúde, com infra-estrutura para a manutenção de clínicas e laboratórios. Tudo isso, porém, condicionado ao conceito de maior conforto aos usuários do edifício. As experiências destas três instituições - como as de outras IESs que não cabem nesta matéria - apontam para o que Izabel Loureiro, a coordenadora da Corde, enfatiza: "Não é possível tratar o portador de deficiência da mesma forma que se trata uma pessoa comum. Não. É preciso saber que o tratamento diferenciado é necessário, mas de forma que potencialize a pessoa." Regras à mesa As instituições que decidem melhorar a acessibilidade de suas instalações devem respeitar normas técnicas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). No caso dos portadores de deficiência física, segundo legislação nacional, a Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) a ser seguida é a de no 9.050, cujo conteúdo determina as regras de acessibilidade a edificações, espaço, mobiliário e equipamentos urbanos. As reformas do espaço físico, além disso, precisam atender a outras normas referentes a questões de segurança em geral (saídas de emergência, especificações de segurança em elevadores etc.). Por este motivo, as adaptações não podem fugir aos padrões previstos pelos documentos da ABNT, ou as modificações podem acabar prejudicando ainda mais a acessibilidade dos portadores de deficiência física. As normas podem ser adquiridas na entidade (www.abnt.org.br). No caso da NBR no 9.050, o custo até o fechamento desta reportagem era de R$ 65,90 (formato impresso) ou de R$ 289,96 (formato digital).

revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=10503

Bye-bye quadro negro...

Soluções tecnológicas ganham espaço nas IES. Métodos tradicionais aos poucos serão aposentados

Por Fabiana Lopes Incluir os recursos tecnológicos no processo de aprendizagem era aparentemente inevitável nos anos de 1990, quando o uso da informática se tornou um fenômeno massificado no país, além de tendência como ferramenta de gestão das instituições de ensino superior. No entanto, já no início do século XXI, ainda são poucas as IES que apostam nos benefícios da tecnologia para otimizar a transmissão de conhecimento em sala de aula. Mas há também quem não gosta de perder tempo e procura olhar para frente. Por isso, muitas IES estão em busca de romper barreiras entre passado e futuro nos corredores acadêmico, e começam a investir em ferramentas pedagógicas para otimizar, facilitar e dinamizar as metodologias de ensino mais tradicionais.Para auxiliar o educador a gerenciar o conteúdo em sala de aula, já é possível contar com ferramentas modernas que aposentam quase que completamente a velha combinação giz e quadro negro. Quem toma lugar são recursos que utilizam slides apresentados aos alunos por meio de softwares como o Power Point, da Microsoft. Um bom exemplo de inovação no ambiente acadêmico é o sistema SMART Board, uma lousa interativa que facilita o processo de troca e gerenciamento de informações no ambiente acadêmico. A tecnologia, importada do Canadá e presente em dezenas de países, já faz parte do processo educacional de cerca de 100 escolas brasileiras de ensino superior, médio e fundamental. "O equipamento substitui a tela de projeção, a lousa comum e é um periférico do computador totalmente interativo", explica Cláudia Scheiner, gerente geral da Scheiner Solution, representante da SMART Board no Brasil. A lousa interativa é uma tela conectada ao computador, seja na plataforma Windows, Linux ou Apple, e permite a integração de recursos de som, vídeo, vídeo conferência e o acesso à internet. Com a imagem projetada na lousa, basta que o professor toque sua superfície para acessar ou controlar qualquer aplicação. "O professor opera o micro através da lousa, tocando e escrevendo com o próprio dedo", diz. A superfície da lousa foi projetada também para o uso de canetas especiais e apagadores, cuja utilização é detectada por meio de sensores ópticos. Como é controlada pelo toque, a lousa funciona como um mouse. É possível desenhar e escrever sobre qualquer programa, destacar partes importantes de um texto, planilha, site ou qualquer outra informação que esteja projeta na tela. Além disso, é possível armazenar estas anotações em diversos formatos, inclusive, em arquivos do tipo html e pdf. "Tudo fica registrado na seqüência lógica apresentada e com a voz do professor integrada", diz Cláudia.Hoje, no Brasil, há cerca de 800 lousas interativas instaladas em empresas e instituições de ensino. Na Faap, de São Paulo, o Centro de Criatividade foi a primeira instalação a receber a SMART Board. A instituição provou o recurso e pretende ter ao menos mais 100 outros equipamentos servindo como ferramenta educacional nos próximos três meses. "O uso deste recurso revoluciona a aula, pois proporciona uma qualidade de interação e um dinamismo que antes eram impossíveis", afirma Victor Mirshawka Jr., diretor de pós-graduação da instituição.De acordo com Mirshawka, o recurso modificou a postura pedagógica da universidade, que agora aproveita o recurso para publicar na rede interna e na internet o conteúdo das aulas. "Ao lado da infra-estrutura wireless (conexão sem fio à internet) que disponibilizamos no campus, a lousa interativa transformou as aulas numa experiência muito mais rica, um espaço para o debate e para a troca efetiva de conhecimento", acredita ele.Na Faculdade Impacta Tecnologia, a adoção de soluções tecnológicas em sala de aula faz parte da metodologia de ensino desde sua implantação. Além da conexão à internet em todas as salas de aula e da utilização de notebooks conectados ao do professor, a SMART Board é utilizada em todos os ambientes da faculdade. Além disso, é possível a comunicação personalizada por chat entre aluno e professor - para isso, a instituição utiliza o software SynchronEyes, que permite ao educador controlar o computador de cada aluno, desabilitar programas indesejáveis, capturar e compartilhar imagens e informações das estações de trabalho. "Não queríamos revolucionar o modelo pedagógico, mas sim otimizar a forma de transmissão do conteúdo", afirma o professor Valderes Pinheiro, da Impacta. Para minimizar a possibilidade de resistência dos educadores aos recursos tecnológicos, os professores recebem treinamentos específicos para cada uma das ferramentas.

Tendência
Aliar recursos tecnológicos, além de outras ferramentas modernas, é uma tendência nas IES, especialmente nas particulares. No Ibmec São Paulo, a lousa interativa deve começar a fazer parte do método pedagógico já em 2006. Tanto que em janeiro a instituição inaugurou um novo campus totalmente projetado para receber uma série de recursos de alta tecnologia como aliados ao processo de transmissão de conhecimento."O pré-requisito para ingressar nos cursos é que o aluno tenha um notebook para que seja possível acessar a internet, a rede da instituição e interagir com o professor em tempo real", esclarece Alessandro Neres, analista de redes do Ibmec São Paulo. Na instituição, o método de aplicação de provas no novo campus deve passar longe da caneta e do papel - todos os exames são feitos por meio do computador portátil, utilizando softwares matemáticos e recursos do banco de dados. A faculdade também projetou salas especiais para o novo campus, tomando como exemplos as soluções tecnológicas e pedagógicas de instituições como a Universidade de Harvard e a London Business School. O novo campus terá as chamadas Salas Harvard, que contarão com lousas interativas, três projetores e telas, equipamentos de vídeo e DVD exclusivos. "Caso haja algum problema com estas ferramentas, há uma central de controle que interage em tempo real com o professor para solucionar os problemas à distância", explica Neres. Segundo ele, com o uso de notebooks conectados à internet nestas salas, será possível assistir, sem sair da sala, a palestras e seminários realizados na faculdade.Atraso tecnológicoEntretanto, apesar de algumas instituições apostarem na revisão dos convencionais métodos de ensino para dar espaço ao uso da tecnologia, o processo de aprendizagem com ferramentas informatizadas é ainda uma aplicação tímida no Brasil. "Temos algumas instituições de excelência que conseguem equipar as salas com esse tipo de ferramenta, mas a grande maioria das IES ainda ostenta um baixo nível tecnológico", lamenta João Roberto Moreira Alves, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT). Segundo Moreira Alves, são muitos os entraves que impedem a ampliação das tecnologias educacionais nas salas de aula brasileiras. Além das restrições econômicas e da estrutura dos edifícios em que as instituições estão abrigadas, há ainda muita resistência dos educadores à utilização da tecnologia como aliado à metodologia educacional. "O professor ainda mantém vínculos muito fortes com os métodos tradicionais de ensino. Mas quando a instituição avança tecnologicamente, os professores são levados a acompanhar a evolução", ressalta o presidente. De acordo com o especialista, o Brasil está em posição de atraso em relação aos países da Europa quando o assunto é tecnologia educacional - o que existe aqui, na maioria dos casos, são instituições que disponibilizam laboratórios de informática, numa média de 70 a 80 alunos por equipamentos, e, na sala de aula, projetores e o velho quadro negro. Em alguns países, entretanto, há equipamentos como leitores ópticos para detectar cópias de trabalhos científicos, instalações modernas com redes de computadores e softwares capazes de dinamizar a transmissão e absorção do conteúdo. Os modelos de ensino destes países permitem que o professor trabalhe o fato do dia com o aluno com informações da internet e os livros - ainda necessários e insubstituíveis - são mais utilizados em disciplinas históricas. O presidente da ABT sustenta que o aluno que chega à universidade já aprendeu a conviver com o universo tecnológico e não têm mais disponibilidade para caminhar na contramão da modernidade. "Há estudos feitos na Suécia que mostram que o tempo máximo de aceitabilidade da jornada de aula é de 22 a 23 minutos. Por isso, mudar o comportamento didático é uma obrigação das instituições de ensino", acredita Moreira Alves.Mesmo para os adeptos do uso da tecnologia em sala de aula, é preciso ter cautela para que as facilidades da modernidade não atropelem a transmissão de conteúdo. "Se o professor não dominar o recurso, pode se perder durante a aula e perder um tempo valioso. Mas também há o risco do educador se acostumar tanto com a tecnologia a ponto de perder a capacidade de dar aula sem ela. É preciso muito cuidado", acredita Victor Mirshawka Jr., da Faap.Para os próximos anos, uma das possibilidades, segundo os especialistas, é de que o Brasil retome a utilização do rádio em sala de aula - uma tecnologia barata, que permite também mais flexibilidade ao projeto de ensino e a inclusão de portadores de deficiência visual nas instituições de graduação e pós-graduação. "Mas falta uma política séria para o setor. Há inclusive uma necessidade de apoiar a inclusão da tecnologia na educação básica para que ela reflita também no ensino superior", afirma Moreira Alves, da ABT. "A falta de investimento nessas ferramentas acaba gerando uma impossibilidade de mudança de política nas universidades", completa.

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