domingo, 28 de agosto de 2011

Uma Reabilitação Consciente

"O arquitecto tem um papel fundamental na sociedade e começa já a consciencializar-se da problemática ecológica que assombra o nosso planeta. No entanto, e infelizmente para o património construído, as metodologias projectuais de reabilitação correntes frequentemente negligenciam as suas consequências no edifício e sua envolvente, relativamente ao seu passado e ao seu futuro, deixando-se ofuscar pelas vantagens do presente imediato".

Definição de Reabilitação: combinar parcialmente intervenções de escala anterior e posterior, dependendo directamente da condição do edifício, subtraindo o excedente e adicionando as necessárias formas e componentes

In: Uma reabilitação consciente
Ana Rita Pereira Roders - 2005
Eindhoven University of Technology, Faculty of Architecture, Building and Planning, Eindhoven, The Netherlands; a.r.pereira@bwk.tue.nl

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sustentabilidade na construção civil vive na informalidade

Fonte: O Globo
Foi lançado ontem, em São Paulo, um livro que cria alicerces mais fortes para o debate sobre a construção sustentável no Brasil. Ele defende, por exemplo, que não é possível falar seriamente sobre o tema quando 80% do setor ainda vivem na informalidade. Empresas informais sonegam impostos, desrespeitam as leis trabalhistas e ignoram a legislação ambiental. Os autores de “O Desafio da Sustentabilidade na Construção Civil”, são os especialistas Vahan Agopyan e Vanderley M. John, que estão há muitos anos na estrada e são professores da Escola Politécnica da USP.

Um ranking feito pela certificadora americana Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental) classificou o Brasil, em 2010, como o quinto país do mundo em construções sustentáveis. O professor Vanderley diz que não tem nada contra esse tipo de certificação, mas que elas acabam servindo mais como peças de marketing: “Não são 5, 50 ou 500 prédios certificados que vão tornar a construção brasileira sustentável”.
Vanderley argumenta que é preciso fazer um diagnóstico consistente do setor, baseado em fatos e números e não em opiniões. O livro desmente um número internacionalmente aceito. O de que o uso de edifícios seria responsável por 30% das emissões de CO2. Usando dados do inventário nacional de emissões, eles concluem que o percentual é de apenas 2,8%, por conta da nossa matriz energética limpa.

Mas trabalhar com dados consistentes é apenas uma parte do desafio. São necessárias políticas sérias e metas transparentes para cada um dos atores dessa cadeia produtiva. Começa com as construtoras que precisam ter trabalhadores formalmente contratados. Passa por fornecedores de materiais como areia, brita e cerâmica que, muitas vezes, não são capazes de comprovar a origem dos seus produtos. E termina com prefeituras de cidades pequenas, médias e grandes que têm códigos de obras obsoletos.

Faça sua parte

O Conselho Brasileiro da Cosntrução Sustentável criou um sistema que ajuda os projetistas e usuários a descobrir se a empresa que fornece material para sua obra é sustentável. Eles é chamado de "Seis Passos" e avalia, em primeiro lugar, se a empresa está formalizada, o que pode ser verificado pelo CNPJ. Depois confirma se respeitam as licenças ambientais, as questões sociais, a qualidade e normas técnicas do produto, se o forncedor tem responsablidade socioambiental e, finalmente, se faz propganda enganosa. Vale conferir as dicas em http://www.cbcs.org.br/


Veja também:
Não existe sustentabilidade sem formalidade, legalidade e qualidade. A informalidade tem muitas facetas:
(a) sonegação de impostos; (b) desrespeito a legislação ambiental; (c) desrespeito a legislação trabalhista.
O Comitê de Materiais desenvolveu uma ferramenta para auxiliar os projetistas, empreendedores e usuários na seleção dos fornecedores e dos materiais que serão utilizados nas obras. Esse sistema não esgota o assunto, mas é uma estratégia viável para abordar práticas acessíveis a todos os compradores e especificadores de materiais e fornecedores.

6 PASSOS PARA SELEÇÃO DE INSUMOS E FORNECEDORES COM CRITÉRIOS DE SUSTENTABILIDADE
1 - Verificação da formalidade da empresa fabricante e fornecedora;
2 - Verificação da licença ambiental;
3 - Verificação das questões sociais;
4 - Qualidade e normas técnicas do produto;
5 - Consultar o perfil de responsabilidade socioambiental da empresa;
6 - Identificar a existência de propaganda enganosa;

http://www.cbcs.org.br/selecaoem6passos/index.php?NO_LAYOUT=true

domingo, 7 de agosto de 2011

Fachadas renovadas para atrair moradores



Marta Neves
Recuperam fachadas e zonas comuns em poucos meses, mantendo a traça original. As obras no interior das casas ficam a cargo dos compradores. A estratégia, importada de Espanha, está a ser utilizada na reabilitação de edifícios degradados no Porto.

Fachadas renovadas para atrair novos moradores

A empresa espanhola Wallpark - Investimentos Imobiliários arrancou a sua actividade em Portugal, em 2006, em Lisboa. No Porto só se implantou no ano passado, mas desde então já adquiriu quatro edifícios que têm vindo a sofrer obras de reabilitação.

A mais recente aquisição aconteceu há duas semanas. O edifício, que fica situado na esquina da Rua de Sá da Bandeira com a Rua Fernandes Tomás e começará a ser reabilitado no início de 2011.

"A nossa actividade consiste em fazer a reabilitação das partes comuns de cada edifício que compramos, como fachadas, coberturas, saneamento, redes eléctricas e canalizações. Depois, cada fracção é vendida, cabendo ao comprador fazer as obras no seu interior ", explicou Cristóvão Santos, responsável da empresa no Porto.

Na cidade do Porto, segundo dados de 2008, só nas quatro freguesias do Centro Histórico existiam 649 imóveis em mau estado e 78 em ruína. Vários imóveis estão a ser reconvertidos em hotéis, mas a ambição passa, também, por atrair moradores para o centro da cidade. Um objectivo reiterado pela Câmara do Porto e pela Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo.

No número 198 da Rua do Rosário, no gaveto com a Rua do Breyner, as obras avançam a bom ritmo. A fachada reluz um amarelo "creme" pintado de fresco. Já as traseiras do edifício vão estar por estes dias forradas com andaimes.

No interior, alguns operários ocupam-se a polir uma grande escadaria que vai até ao quarto andar. Mas, a porta entreaberta de um dos apartamentos, leva-nos ao início dos anos 70, com a casa vazia toda forrado a taco e a papel de parede. Quem a habitar mudará certamente o registo. No exterior, os prédios, mesmo após a renovação, mantêm a sua traça original.

"Os edifícios, depois de prontos, tornam-se muitos apelativos", apontou Cristóvão Santos, acrescentando que, em média, o "metro quadrado é vendido por pouco menos de mil euros".

No site da empresa, o apartamento mais barato da Rua do Rosário é um T1 que custa 65 mil euros. Já o mais caro, um T4, está a ser vendido por 180 mil euros. A somar a este valor, os interessados terão de somar o investimento na recuperação das habitações.

Os outros dois edifícios cujas fachadas já foram recuperadas situam-se na Rua de Saraiva de Carvalho, maioritariamente para habitação, e na Praça de Mouzinho de Albuquerque, (Rotunda da Boavista), destinado a escritórios. Segundo Cristóvão Santos, as empreitadas são feitas "entre quatro a cinco meses", embora os prazos possam ser prorrogados.

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1706657


Recuperar edifícios degradados nas cidades a custo zero

Projeto Reabilitação a Custo Zero foi o grande vencedor da iniciativa FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Talento.

15:16 Segunda feira, 18 de julho de 2011

O projeto Reabilitação a Custo Zero, vencedor da iniciativa FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, vai iniciar a recuperação de um edifício no centro do Porto, com participação de estudantes universitários e doação de materiais por empresas de construção.

Um dos mentores do projeto Reabilitação a Custo Zero, José Paixão, explicou à agência Lusa que o projeto "consiste em criar uma organização sem fins lucrativos que permita a senhorios carenciados, privados ou camarários, reabilitar o seu património, devoluto ou degradado, a custo zero".

Para concretizar o plano, recorre-se a estudantes de arquitetura e engenharia europeus que se voluntariam para vir para Portugal conceber e realizar as reabilitações e são usados materiais de construção doados por empresas fornecedoras a troco de isenções fiscais.

A supervisão técnica das obras fica assegurada pelas universidades locais, através dos cursos de reabilitação das áreas da engenharia e arquitetura.

Promover o repovoamento urbano

"O grande impacto pretendido é o repovoamento dos centros urbanos e a dinamização da cidade como máquina de transformação social", defendeu José Paixão.

Sendo uma organização sem fins lucrativos, "os materiais doados por empresas fornecedoras são considerados mecenato social" e tidos em conta em sede de IRC (Imposto sobre Rendimentos Coletivos), explicou.

O processo inicia-se com o contacto com os proprietários carenciados e o acordo para ser feita a a reabilitação a custo zero pelos estudantes que "vêm para Portugal num programa a médio ou longo prazo, formalizado em termos semelhantes a um Erasmus, com equivalência nas suas escolas na Europa".

José Paixão adiantou que o projeto já tem interessados, proprietários e empresas, e está previsto avançar com um projeto piloto, com com prédio devoluto que pertence à Câmara Municipal do Porto, situado no centro da cidade, em "plena Ribeira", para "mostrar que o projeto funciona".

Este prédio deverá ter uma componente de habitação social e de outra de acolhimento de empresas "start-up", de indústrias criativas.

Publicidade para as empresas de construção

As empresas de materiais de construção interessadas pretendem publicitar a sua atividade, nomeadamente a nível internacional, através dos estudantes, futuros profissionais no sector nos seus países.

"O sistema é sustentável e os recursos necessários ao seu funcionamento vão ser gerados pelo próprio sistema de atividades e são previstas fontes de rendimento", como a publicidade nas fachadas nos edifícios reabilitados, possibilidade de realizar um programa televisivo a acompanhar o desenvolvimento do projeto ou a introdução de uma pequena comissão no arrendamento, por um determinado tempo, especificou o mentor do projeto.

Para José Paixão, o prémio da Calouste Gulbenkian e da Talento representa um "voto de apoio e o acreditar da parte das fundações e do júri no projeto" e vai "facilitar as relações com outras entidades".

A iniciativa FAZ - Ideias de Origem Portuguesa destina-se aos cidadãos de nacionalidade portuguesa e luso-descendentes e premeia uma boa ideia nas áreas da inovação social, ambiente e sustentabilidade, inclusão social, diálogo intercultural e envelhecimento, através de um apoio financeiro de 50 mil euros.

Esta ideia foi escolhida entre 203 apresentadas, provenientes de 28 países dos cinco continentes.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/recuperar-edificios-degradados-nas-cidades-a-custo-zero=f662499#ixzz1ULHcvhrP





Reabilitar as cidades não custa nada! 11.07.2011 - 11:15 Por Fabiana Pais


Reabilitação a custo zero. O nome não podia ser mais claro. A ideia vem de Viena, Áustria, onde José Paixão vive. O arquitecto reuniu uma equipa composta por Diogo Coutinho, engenheiro civil, e Angélica Carvalho, futura arquitecta.


O objectivo deste projecto - um dos dez candidatos ao concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Fundação Talento para portugueses na diáspora e residentes - é criar uma organização sem fins lucrativos para reabilitar as cidades, sem custos para senhorios e proprietários. Isto é possível graças a estudantes de Engenharia e de Arquitectura, não só de Portugal, mas de toda a Europa, que poderão voluntariar-se para "conceber e realizar os projectos usando materiais de construção doados" por empresas fornecedoras, a troco de isenções fiscais, explica José Paixão, de 27 anos, ao P2. Estas empresas terão também o seu nome associado a este projecto, "potencialmente de elevada exposição pública", sendo uma maneira de publicitarem a sua marca.

O único encargo para os proprietários seria o alojamento e a alimentação destes estudantes voluntários. "Os espaços reabilitados serão arrendados a empresas startup e servirão também de habitação social", com a supervisão do trabalho pelas universidades portuguesas, acrescenta Paixão, que frequenta uma pós-graduação em Design Experimental.

Os projectos de requalificação poderiam, assim, ser "casos de estudo em cursos específicos de reabilitação de edifícios", o que levaria a um melhor acompanhamento técnico por parte dos professores e alunos especialistas.

Esta futura organização tem como missão repovoar os centros urbanos e dinamizar as cidades "como máquina de transformação social", classifica a equipa. O projecto pode ser aplicado no Porto, cidade natal dos três membros da equipa Reabilitação a Custo Zero. "Apercebemo-nos da nítida gravidade deste problema na Invicta", explicam. "O mercado não está a conseguir responder a esta necessidade", avalia Diogo Coutinho, de 27 anos, que trabalha numa empresa especializada nesta área.

Reabilitar um prédio no centro da cidade fica "muito caro e não é rentável para uma empresa". "E, quando é, as rendas do "novo" apartamento tornam-se proibitivas para a maior parte dos cidadãos", o que restringe o público-alvo destas reabilitações, remata. "Queremos provocar uma onda mais abrangente e mais generalizada de reabilitação, que vai levar, esperemos, ao crescimento e transformação da zona e a um melhoramento da qualidade de vida de quem lá mora", anseia.

Nesta cidade, a supervisão técnica destas reabilitações poderá ficar a cargo da Universidade do Porto (UP). "Ainda não estabelecemos contacto com a UP, mas acreditamos que a instituição nos vai ajudar a lançar e promover novos talentos", defende Angélica Carvalho, de 21 anos, estudante de Arquitectura na Escola Superior Artística do Porto (ESAP).

No entanto, a equipa já encetou contactos com a Câmara Municipal do Porto que se mostrou "muito interessada" e apoiou a ideia. "Ainda nos faltam alguns contactos, mas aos poucos vamos conseguir", diz Angélica. A intenção é levar a ideia até à capital e a outras "cidades necessitadas". A principal dificuldade que espera a Reabilitação a Custo Zero é a burocracia, temem os membros da equipa. Por isso, o prémio de 50 mil euros seria "um incentivo importante, encorajador e motivador", define José Paixão. Talvez este projecto o faça regressar ao país que deixou há dez anos.

http://www.publico.pt/Cultura/reabilitar-as-cidades-nao-custa-nada_1502279