Projeto
Reabilitação a Custo Zero foi o grande vencedor da iniciativa FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Talento.
15:16 Segunda feira, 18 de julho de 2011
O projeto Reabilitação a Custo Zero, vencedor da iniciativa FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, vai iniciar a recuperação de um edifício no centro do Porto, com participação de estudantes universitários e doação de materiais por empresas de construção.
Um dos mentores do projeto Reabilitação a Custo Zero, José Paixão, explicou à agência Lusa que o projeto "consiste em criar uma organização sem fins lucrativos que permita a senhorios carenciados, privados ou camarários, reabilitar o seu património, devoluto ou degradado, a custo zero".
Para concretizar o plano, recorre-se a estudantes de arquitetura e engenharia europeus que se voluntariam para vir para Portugal conceber e realizar as reabilitações e são usados materiais de construção doados por empresas fornecedoras a troco de isenções fiscais.
A supervisão técnica das obras fica assegurada pelas universidades locais, através dos cursos de reabilitação das áreas da engenharia e arquitetura.
Promover o repovoamento urbano
"O grande impacto pretendido é o repovoamento dos centros urbanos e a dinamização da cidade como máquina de transformação social", defendeu José Paixão.
Sendo uma organização sem fins lucrativos, "os materiais doados por empresas fornecedoras são considerados mecenato social" e tidos em conta em sede de IRC (Imposto sobre Rendimentos Coletivos), explicou.
O processo inicia-se com o contacto com os proprietários carenciados e o acordo para ser feita a a reabilitação a custo zero pelos estudantes que "vêm para Portugal num programa a médio ou longo prazo, formalizado em termos semelhantes a um Erasmus, com equivalência nas suas escolas na Europa".
José Paixão adiantou que o projeto já tem interessados, proprietários e empresas, e está previsto avançar com um projeto piloto, com com prédio devoluto que pertence à Câmara Municipal do Porto, situado no centro da cidade, em "plena Ribeira", para "mostrar que o projeto funciona".
Este prédio deverá ter uma componente de habitação social e de outra de acolhimento de empresas "start-up", de indústrias criativas.
Publicidade para as empresas de construção
As empresas de materiais de construção interessadas pretendem publicitar a sua atividade, nomeadamente a nível internacional, através dos estudantes, futuros profissionais no sector nos seus países.
"O sistema é sustentável e os recursos necessários ao seu funcionamento vão ser gerados pelo próprio sistema de atividades e são previstas fontes de rendimento", como a publicidade nas fachadas nos edifícios reabilitados, possibilidade de realizar um programa televisivo a acompanhar o desenvolvimento do projeto ou a introdução de uma pequena comissão no arrendamento, por um determinado tempo, especificou o mentor do projeto.
Para José Paixão, o prémio da Calouste Gulbenkian e da Talento representa um "voto de apoio e o acreditar da parte das fundações e do júri no projeto" e vai "facilitar as relações com outras entidades".
A iniciativa FAZ - Ideias de Origem Portuguesa destina-se aos cidadãos de nacionalidade portuguesa e luso-descendentes e premeia uma boa ideia nas áreas da inovação social, ambiente e sustentabilidade, inclusão social, diálogo intercultural e envelhecimento, através de um apoio financeiro de 50 mil euros.
Esta ideia foi escolhida entre 203 apresentadas, provenientes de 28 países dos cinco continentes.
Ler mais:
http://aeiou.expresso.pt/recuperar-edificios-degradados-nas-cidades-a-custo-zero=f662499#ixzz1ULHcvhrP
Reabilitar as cidades não custa nada! 
11.07.2011 - 11:15 Por Fabiana Pais
Reabilitação a custo zero. O nome não podia ser mais claro. A ideia vem de Viena, Áustria, onde José Paixão vive. O arquitecto reuniu uma equipa composta por Diogo Coutinho, engenheiro civil, e Angélica Carvalho, futura arquitecta.
O objectivo deste projecto - um dos dez candidatos ao concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Fundação Talento para portugueses na diáspora e residentes - é criar uma organização sem fins lucrativos para reabilitar as cidades, sem custos para senhorios e proprietários. Isto é possível graças a estudantes de Engenharia e de Arquitectura, não só de Portugal, mas de toda a Europa, que poderão voluntariar-se para "conceber e realizar os projectos usando materiais de construção doados" por empresas fornecedoras, a troco de isenções fiscais, explica José Paixão, de 27 anos, ao P2. Estas empresas terão também o seu nome associado a este projecto, "potencialmente de elevada exposição pública", sendo uma maneira de publicitarem a sua marca.
O único encargo para os proprietários seria o alojamento e a alimentação destes estudantes voluntários. "Os espaços reabilitados serão arrendados a empresas startup e servirão também de habitação social", com a supervisão do trabalho pelas universidades portuguesas, acrescenta Paixão, que frequenta uma pós-graduação em Design Experimental.
Os projectos de requalificação poderiam, assim, ser "casos de estudo em cursos específicos de reabilitação de edifícios", o que levaria a um melhor acompanhamento técnico por parte dos professores e alunos especialistas.
Esta futura organização tem como missão repovoar os centros urbanos e dinamizar as cidades "como máquina de transformação social", classifica a equipa. O projecto pode ser aplicado no Porto, cidade natal dos três membros da equipa Reabilitação a Custo Zero. "Apercebemo-nos da nítida gravidade deste problema na Invicta", explicam. "O mercado não está a conseguir responder a esta necessidade", avalia Diogo Coutinho, de 27 anos, que trabalha numa empresa especializada nesta área.
Reabilitar um prédio no centro da cidade fica "muito caro e não é rentável para uma empresa". "E, quando é, as rendas do "novo" apartamento tornam-se proibitivas para a maior parte dos cidadãos", o que restringe o público-alvo destas reabilitações, remata. "Queremos provocar uma onda mais abrangente e mais generalizada de reabilitação, que vai levar, esperemos, ao crescimento e transformação da zona e a um melhoramento da qualidade de vida de quem lá mora", anseia.
Nesta cidade, a supervisão técnica destas reabilitações poderá ficar a cargo da Universidade do Porto (UP). "Ainda não estabelecemos contacto com a UP, mas acreditamos que a instituição nos vai ajudar a lançar e promover novos talentos", defende Angélica Carvalho, de 21 anos, estudante de Arquitectura na Escola Superior Artística do Porto (ESAP).
No entanto, a equipa já encetou contactos com a Câmara Municipal do Porto que se mostrou "muito interessada" e apoiou a ideia. "Ainda nos faltam alguns contactos, mas aos poucos vamos conseguir", diz Angélica. A intenção é levar a ideia até à capital e a outras "cidades necessitadas". A principal dificuldade que espera a Reabilitação a Custo Zero é a burocracia, temem os membros da equipa. Por isso, o prémio de 50 mil euros seria "um incentivo importante, encorajador e motivador", define José Paixão. Talvez este projecto o faça regressar ao país que deixou há dez anos.
http://www.publico.pt/Cultura/reabilitar-as-cidades-nao-custa-nada_1502279