domingo, 30 de janeiro de 2011

Reabilitação de Imóveis – A perspectiva do Engenheiro João Appleton

Solução para a crise no sector da Construção?

Verlag Dashöfer: “À semelhança do que tem vindo a acontecer nos países evoluídos da União Europeia, o mercado das obras de reabilitação poderá, em breve, atingir proporções próximas dos 50%, como acontece em alguns daqueles países.” (in AECOPS). Concorda com este depoimento?

Engenheiro João Appleton: É fácil prognosticar o incremento do mercado da reabilitação de edifícios em Portugal, até por se verificar que esta actividade ainda está longe de atingir os níveis que são correntes em muitos países europeus. No entanto, não é possível estabelecer um programa temporal rigoroso, muito menos apontar sumariamente para uma meta da qual o País ainda está muito distante, dizendo que será atingida em breve.

Estou certo que o mercado da reabilitação tem condições para uma expansão contínua e significativa, mas o seu crescimento depende de muitos factores que não se podem considerar dominados. Diria que é provável que dentro de dez anos (será o que a AECOPS considera em breve?) o panorama nacional será muito diferente do que hoje é possível observar.

Verlag Dashöfer: Reabilitar vs. Construir. Que prós e contras estão associados, em traços gerais, a estes dois procedimentos em termos de custos, práticas e qualificação?

Engenheiro João Appleton: Um dos problemas que se colocam à reabilitação é precisamente o de se dominarem mal os seus custos e isso deriva, em boa medida, da carência de mão-de-obra qualificada, tanto a nível do projecto como da execução. Se de repente se criassem as condições políticas, jurídicas e económicas que também têm sido um entrave à banalização da reabilitação, verificar-se-ia, sem surpresa para muitos, que a capacidade instalada no projecto, na construção e na fiscalização de obras de reabilitação se revelaria muito insuficiente, qualitativa e quantitativamente.

As vantagens da reabilitação sobre a construção nova são muito grandes, ou podem sê-lo, em termos de ocupação racional do território (para quê continuar a inutilizar com construção terrenos que poderiam ser afectados a outras finalidades, ao mesmo tempo que se abandonam e definham as zonas centrais das cidades?), em termos ambientais (por que razão se destói o edificado, produzindo grandes quantidades de resíduos e tornando necessária a aplicação de grandes quantidades de novos materiais, eles próprios grandes consumidores de energia e ambientalmente agressivos?) e também, e sobretudo, em termos culturais (a preservação da memória dos sítios é a melhor garantia da percepção da identidade dos povos) e mesmo em termos económicos, já que preservar, adaptando o edificado, tem de ser globalmente mais económico do que demolir e reconstruir inteiramente, assim exista capacidade técnica, na produção de materiais, no desenvolvimento dos projectos e na execução.

Verlag Dashöfer: É reconhecido por uma grande maioria que reabilitar é mais dispendioso do que construir de raiz. No entanto, no momento de crise que atravessamos, reabilitar é apresentada como a melhor solução para o sector da Construção. O que mudou na vossa perspectiva?

Engenheiro João Appleton: As razões para este “falso” problema já foram avançadas antes. No entanto, deve acrescentar-se que em muitos casos a reabilitação parece mais cara na medida em que não se faz uma avaliação séria e completa dos custos globais comparados entre a construção nova e a reabilitação, escamoteando, por exemplo, os custos ambientais e os valores patrimoniais / culturais envolvidos.

Verlag Dashöfer: Na cerimónia de assinatura de acordos e contratos de habitação e reabilitação urbana para famílias carenciadas, realizada no passado dia 1 de Junho, o Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades afirmou: “Queremos menos construção nova e mais reabilitação de casas devolutas para futuro arrendamento”. Que vantagens estão associadas não só ao arrendamento, mas também à venda de imóveis reabilitados face aos que são construídos de raiz a nível económico, social (ocupação dos centros urbanos) e ambiental?

Engenheiro João Appleton: A resposta foi sendo avançada ao longo da entrevista. A reabilitação não tem de ser associada ao arrendamento. Com os problemas, verdadeiros e falsos, que têm vindo a ser apontados à “Lei das Rendas” como entrave principal à reabilitação, posição que não defendo, tentar identificar reabilitação com arrendamento pode ser um erro com consequências dramáticas. Deve reabilitar-se porque o edificado antigo representa um bem cultural muito relevante que não se pode perder e porque constitui um valor económico que não fará sentido ser anulado.

A cidade antiga tem uma clara vantagem em relação a muita cidade nova, e que consiste numa escala muito humana que lhe confere uma atractividade muito grande. Não era nem nunca foi por acaso que as cidades começaram onde começaram e a sua lógica de aglomeração urbana manteve-se ao longo de séculos. Naturalmente que as preocupações higienistas que quase conduziram à destruição sistemática das cidades antigas não podem ser descuidadas, como não o devem ser as garantias de segurança e de conforto que são a bandeira das edificações novas. No entanto, reabilitar não pode ser sinónimo de cristalizar, mas de garantir condições de utilização dos edifícios antigos iguais ou próximas das que são garantidas pelas novas edificações.

Verlag Dashöfer: Têm ideia da dimensão, em termos quantitativos, do parque urbano a requalificar em Portugal?

Engenheiro João Appleton: Têm sido referidos publicamente números que ultrapassam os 800.000 fogos para reabilitação. Atendendo a que este mercado se vai acrescentando com novos edifícios, na medida em que todos eles envelhecem e já existe a necessidade de intervencionar, para modernizar e requalificar edifícios com estruturas de betão, o mercado potencial ultrapassará largamente o milhão de fogos, sendo, por isso, uma tarefa de longo prazo para a qual serão futuramente canalizadas verbas muito importantes e um esforço considerável da indústria da construção.

Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, João Appleton é, em conjunto com o Engenheiro Júlio Appleton, sócio da A2P Consult Estudos e Projectos, Lda. A A2P é uma empresa com experiência na realização de estudos / projectos de novas estruturas, envolvendo quaisquer materiais e dispondo de um estrutura formada por técnicos e consultores permanentes, e associações regulares com outros gabinetes.

Entrevista: Carla Vinagre – Verlag Dashöfer
http://info-construcao-civil.blogspot.com/2009/11/reabilitacao-de-imoveis-solucao-para_16.html

Software Profissional Reabilitação e Manutenção de Edifícios

Uma publicação prática com soluções construtivas e estratégias para a reabilitação e manutenção de edifícios

Um instrumento de trabalho técnico, prático e fiável na orientação das intervenções e dos intervenientes nos processos de reabilitação e manutenção de edifícios, contribuindo para tomadas de decisão fundamentadas, de modo a resolver os problemas actuais de forma eficaz e sustentada, na reabilitação integral ou parcial de um edifício:
- Identificação e análise de patologias
- Inspecção e diagnóstico de construções
- Selecção de metodologias apropriadas para o processo de reabilitação
- Identificação de tecnologias de reabilitação e soluções construtivas
- Casos reais e exemplos práticos
- Avaliação e prevenção de sinistralidade em obras de recuperação
- Gestão de sistemas de qualidade, e certificação


Consulte os actuais apoios e incentivos à reabilitação, os procedimentos para aprovar um projecto urbanístico, e como incluir nas suas obras a certificação energética.

Saiba como projectar, reabilitar e rentabilizar as suas obras:
•Garantir uma correcta análise do elemento construtivo: anomalias, causas, princípios e níveis de intervenção, trabalhos de reabilitação;
•Avaliar a necessidade, o grau e o tipo de intervenção a efectuar nas fundações (betão, madeira, alvenaria) segundo o tipo de elemento (directo, indirecto ou semi-directo);
•Solucionar infiltrações de humidade por capilaridade frequentes em edifícios sem isolamento ou onde este se encontra deteriorado, humidades ascendentes e descendentes;
•Identificar e reabilitar revestimentos de paredes, pisos, tectos e coberturas.
Veja ainda esta publicação em formato manual online: Reabilitação e Manutenção de Edifícios Online (NOVO):


Reabilitação e Manutenção de Edifícios Online
Tudo sobre Reabilitação e Manutenção de Edifícios à distância de um clique
Na plataforma Reabilitação e Manutenção de Edíficios Online, encontrará toda a informação sobre soluções construtivas estratégias de reabilitação e manutenção de edifícios essenciais à sua actividade profissional.

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Saiba como projectar, reabilitar e rentabilizar as suas obras e conhecer a fundo as especificidades das seguintes estruturas:

•betão
•madeira
•alvenaria
•cantaria
•fundações
•revestimentos

Índice Resumido
Unidade 1.Índices

Unidade 2.Sustentabilidade
Unidade 3.Eficiência Energética
Unidade 4.Impactes Ambientais e Envolventes Físicas
Unidade 5.Legislação e Incentivos na Reabilitação de Edifícios (NRAU)
Unidade 6.Licenciamento de Projectos Urbanísticos: Procedimentos e Tramitação
Unidade 7.Reabilitação de edifícios passo a passo

Fundações de Edifícios
Alvenaria
Estruturas de Madeira
Estruturas de Betão Armado
Revestimentos
Cantarias
Instalações

Unidade 8.Segurança no Trabalho na Reabilitação de Edifícios

Introdução
Intervenientes no Sistema de Coordenação de Segurança da Construção
Segurança a Nível do Projecto
Segurança a Nível da Obra
Trabalhos de Restauro / Reabilitação de Edifícios
Planos Específicos de Segurança

Unidade 9.Gestão da Qualidade

Estrutura do Sistema
Processos-Chave
Processos de Suporte
Conclusões Finais
Valor da Factura Preço Base Continente Ilhas Continente Ilhas
263,34 € 280,61 € 187,00

http://www.dashofer.pt/verlag/construcao-imobiliario/software/software-profissional-reabilitacao-manutencao-edificios.html

Milhão e meio de casas necessita de obras de reabilitação

Mais de um milhão e meio de casas em todo o País, mais de metade dos edifícios de Lisboa e Porto, necessita de obras de reabilitação. Cerca de 325 mil precisam de uma intervenção profunda, avança o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana.

Segundo os últimos dados oficiais, avançados pela TSF, a degradação atinge, sobretudo, as casas arrendadas e, do total, 190 mil servem de residência habitual, 100 mil estão desocupadas e as restantes são de residência sazonal.

Em Lisboa e no Porto, mais de metade dos fogos está a precisar de reparações, principalmente nos centros históricos, onde se encontram os edifícios mais antigos. Segundo o Plano Estratégico de Habitação, entre 52 a 53% das casas nestas cidades precisa de ser reabilitada.

Metade dos fogos arrendados precisa de reparações, o que se explica em parte, diz o Plano Estratégico da Habitação, pela lei do congelamento das rendas e a consequente estagnação do mercado.

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/

http://info-construcao-civil.blogspot.com/2010/03/milhao-e-meio-de-casas-necessita-de.html

Reabilitação de Imóveis – Solução para a crise no sector da Construção?

A perspectiva do atelier SAMI – Arquitectos

Verlag Dashöfer: Reabilitação de Imóveis – Solução para a crise no sector da Construção?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: A reabilitação de imóvel é urgente, quer se trate de edifícios localizados em zonas históricas, quer se trate de edifícios construídos, ao longo do séc. XX, noutras áreas da cidade. Não cremos que seja a solução apenas para um momento pontual, mas uma solução cada vez mais natural e frequente para todos os intervenientes no sector da construção.

Verlag Dashöfer: Muitas das estruturas reabilitadas actualmente são transformadas em edifícios de luxo com preços muito rentáveis para construtoras, imobiliárias, etc.. Que outros factores apontam para a valorização de imóveis reabilitados?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: As estruturas a que se refere são muitas vezes estruturas de grande valor patrimonial, com grande interesse do ponto de vista arquitectónico e muitas vezes localizadas em locais privilegiados da cidade, pelo que é natural que este tipo de estruturas seja alvo de intervenções que pretendam rentabilizar o investimento efectuado.

Mas é necessário perceber que muitos dos trabalhos de reabilitação ou remodelação que chegam aos escritórios de arquitectura não se prendem com edifícios de grande qualidade arquitectónica, patrimonial ou mesmo construtiva.

Muitas vezes somos chamados a intervir em edifícios recentes que, devido à má qualidade do seu desenho, à sua pouca adequabilidade a uma vivência quotidiana e às suas deficiências do ponto de vista construtivo, necessitam de intervenção. Nestes casos, quase poderíamos dizer que, comparativamente a edifícios de elevado valor patrimonial, a valorização destas estruturas seria mais relevante uma vez que as dotamos de qualidades e competências que não possuíam sequer na sua génese.

Verlag Dashöfer: Qual a importância de se conhecer e dominar bem as técnicas de construção para reabilitar um imóvel?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: Como em qualquer área, estaremos mais preparados para responder a um problema quanto melhor conhecermos os instrumentos que temos ao nosso alcance para atender a esse problema.

Uma vez que a arquitectura se relaciona, invariavelmente, com um grande número de especialidades, quanto mais os arquitectos dominarem as técnicas de construção, melhor poderão desempenhar o seu trabalho de autores, mas também de coordenadores, das diferentes especialidades.

Verlag Dashöfer: Tendo em conta o trabalho que desenvolvem / desenvolveram com outros profissionais do sector da construção, essas técnicas de construção para reabilitar imóveis encontram-se bem difundidas no sector?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: As empresas de maior dimensão terão obrigação de estar mais familiarizadas com técnicas construtivas diferentes das mais frequentemente utilizadas.

As pequenas empresas têm mais dificuldade em adaptar-se a técnicas construtivas diferentes, o que dificulta o nosso trabalho, uma vez que muitas das remodelações e reabilitações, devido ao tamanho reduzido da obra, são feitas por pequenas e não grandes empresas de construção.

Verlag Dashöfer: Num estudo desenvolvido em 2004 (Seixas, 2004) sobre o mercado da habitação na área metropolitana de Lisboa, é evidenciada a clara preferência da classe média-alta em habitar as áreas centrais de Lisboa. Embora o processo de crescimento da cidade tenha levado ao despovoamento da área central da cidade, com acentuada diminuição do número de moradores, é notória a procura de habitação de qualidade nestas áreas. Torna-se, portanto, fundamental responder a esta tendência, através da reabilitação informada do parque habitacional antigo? Quais são as razões para até agora não ter sido feita? Acha que há falta de informação? Deveriam existir mais incentivos do Estado e da UE?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: As áreas centrais das cidades possuem qualidades que são facilmente reconhecíveis por pessoas que gostam de ter uma ligação muito próxima entre o seu espaço privado, da sua casa e o espaço público das zonas centrais da nossa cidade, de escala humana e equilibrada. Associamos as zonas centrais das cidades não só aos centros históricos, mas também a zonas com alguma qualidade urbana e que permitem a concentração de variadas funcionalidades e serviços.

As desvantagens muitas vezes apontadas por quem gostaria de viver em zonas centrais e não pode, ou por quem nunca moraria em zonas centrais, seriam, do nosso ponto de vista, as razões que poderiam ajudar a responder ao porquê de não ser uma prática mais comum, como, por exemplo, a dificuldade de estacionamento, a menor segurança comparativamente com áreas maioritariamente residenciais, as dificuldades nas acessibilidades e o elevado custo da reabilitação, muitas vezes agravado pelas dificuldades de acesso à obra.

Neste sentido, e no que diz respeito às condicionantes de carácter urbano e de segurança, as Câmaras Municipais e o Estado poderiam ter maior vontade de resolução destes problemas para os quais muitas vezes não são necessárias soluções muito complexas ou onerosas, mas sim uma estratégia, bem definida, capaz de lhes dar resposta e de levar ao incentivo de uma maior recuperação de imóveis, capaz de equilibrar a excessiva construção de novas estruturas.

Verlag Dashöfer: Praticamente concluído o primeiro semestre de 2009 é possível contabilizar se vossa empresa desenvolveu / executou mais projectos relacionados com construção ou reabilitação?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: Durante o primeiro semestre a nossa empresa desenvolveu maioritariamente projectos de reabilitação.

O SAMI – Arquitectos foi fundado em 2005 por Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira. Desde então, tem desenvolvido projectos de arquitectura na Europa, nomeadamente Portugal e Polónia, e também na República Popular da China, numa perspectiva de internacionalização do seu trabalho. O atelier tem sido ainda nomeado para vários prémios, dos quais se destaca a selecção portuguesa para o “European Union Prize for Contemporary Architecture – Mies Van Der Rohe Award 2007”, Barcelona, com o edifício do Centro de Visitantes da Gruta das Torres, situado na ilha do Pico, Açores – Portugal. Recentemente (Maio de 2009), Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira receberam o Prémio Nacional Tektonica/OA’09 promovido pela Tektonica/Ordem dos Arquitectos, com o edifício do Centro de Visitantes da Gruta das Torres, situado na ilha do Pico, Açores – Portugal. Para mais informações consulte: SAMI Arquitectos

http://info-construcao-civil.blogspot.com/2009/11/reabilitacao-de-imoveis-solucao-para.html

sábado, 8 de janeiro de 2011

Retrofit: recuperando espaços esquecidos

Por Luana Caires, em 08.01.11

Bastante comum na Europa, a adaptação de prédios antigos às necessidades e tecnologias modernas vem ganhando cada vez mais prestígio entre engenheiros e arquitetos. Além de reaproveitar as construções já existentes, mantendo sua estrutura original e preservando sua história, essa prática — conhecida como retrofit — resgata possibilidades de uso para espaços antes considerados improváveis para a habitação.

Na Bélgica, por exemplo, uma torre d´água de seis andares foi transformada no Chateau D´eau (Castelo d´água em francês), uma magnífica casa com hall de entrada, sala de máquinas e armazenamento, dois quartos, dois banheiros, cozinha e sala de estar conjugadas, que oferecem uma bela vista da vizinhança.

Já na Inglaterra, um forte do século XIX foi adaptado pelo arquiteto Duncan Jackson para se tornar um lar, mas a tarefa não foi fácil. A estrutura circular do prédio, suas paredes grossas e as poucas janelas exigiam um projeto muito bem pensado, que solucionasse os problemas da edificação sem modificar suas características históricas. Para melhorar a luminosidade do local, foi preciso instalar um telhado de metal leve posicionado acima de um círculo de janelas, que permite a entrada de uma quantidade generosa de luz sem intervir na forma original da fortificação.


E, na Dinamarca, um prédio residencial foi criado a partir da estrutura de um silo abandonado — reservatório fechado destinado ao armazenamento de cereais. Em volta dele se localizam 21 apartamentos com sacadas de posições diferentes, permitindo o aproveitamento da luz natural, diferentes vistas da paisagem local e mais privacidade aos seus moradores. Localizado próximo a um parque, o edifício conta com área verde destinada aos condôminos e com um centro comercial em sua base para evitar que seus residentes tenham que viajar longas distâncias para fazer compras.


http://www.oecocidades.com/2011/01/08/retrofit-recuperando-espacos-esquecidos/

Conjunto habitacional símbolo da arquitetura modernista carioca será recuperado

Governo investirá mais de R$ 10 milhões para reformas na zona norte

Agência Brasil 08/01/2011 às 18h09

Marco da arquitetura moderna, o Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, no bairro de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, passará por reformas de R$ 10,5 milhões. Criado com a ideia de integrar moradia a escolas, posto de saúde e áreas de convivência comuns, o prédio principal, de 272 apartamentos está em precário estado de conservação.

Um dos moradores do conjunto, o estudante Daniel Prado de Oliveira, de 25 anos, de uma das famílias mais antigas do local, disse que o prédio principal tem problemas graves na estrutura que prejudicam as instalações.

- Precisamos de reforma na parte de saneamento, água, nos pilares, nos telhado e em várias coisas que estão colocando o prédio em risco.

O Pedregulho foi projetado para a moradia de funcionários de menor poder aquisitivo da então prefeitura do Distrito Federal, na época em que o Rio era a capital do país. Com o tempo, os antigos donos venderam seus imóveis, que hoje são ocupados por famílias pobres que não pagam o condomínio e não têm a escritura dos apartamentos.

A secretaria Estadual de Habitação fez um levantamento da situação e deve começar um projeto de regularização assim que resolver com a União o problema da posse do terreno. Paralelamente, como o prédio é símbolo da arquitetura moderna no Rio, fará uma reforma, dividida em duas etapas.

Na primeira parte, investirá na reforma do telhado, pisos, serviços de alvenaria, revestimento de paredes, escadarias de acesso, instalações elétricas e hidráulicas, por exemplo. Na segunda etapa, sem data prevista para começar, vai reformar os azulejos, os painéis de Portinari e Burle Marx, além das fachadas e áreas comuns, em parceria com a iniciativa privada.

Para o morador Daniel Prado, a medida favorece à organização do condomínio, que pretende cobrar uma taxa para administrar o prédio e fazer, no futuro, os próximos reparos.
- Não temos como cobrar condomínio. No máximo, não recolhemos o lixou ou deixamos de fazer a limpeza em frente ao apartamento. Com a regularização [da posse], será mais fácil.

Projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy, na década de 1940, com paisagismo de Burle Marx, fazem parte do conjunto popular três prédios instalados no Morro do Pedregulho. Uma escola da prefeitura para 200 alunos também funciona no local, com ginásio de esportes e piscina olímpica. Um posto de saúde existia no local, mas foi fechado.

Pensado para facilitar a vida das famílias e ampliar os espaços de convivência e lazer, o Pedregulho também contava com uma lavanderia coletiva, que está desativada, por falta de manutenção.

Devido sua importância para arquitetura, o conjunto está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/conjunto-habitacional-simbolo-da-arquitetura-modernista-carioca-sera-recuperado-20110108.html

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Recall marketing - Portugal

Como promover um atendimento eficiente ao cliente para evitar reclamações, punições legais e prejuízos - financeiros e institucionais

Profa. Ma. Sandra Pires de Almeida

Comprar o primeiro imóvel provoca no consumidor reações emocionais e químicas no organismo semelhantes às situações mais importantes da vida, tais como: ser promovido, encontrar sua metade e namorar muito, ver um filho passar num vestibular concorrido, ter seu trabalho reconhecido, superar uma dificuldade. Ao observar as pessoas que entram num plantão de vendas e retornam para a assinatura do contrato, é nítido o brilho nos olhos e a sensação de vitória. Saindo com o contrato assinado na mão, tem início uma nova etapa de planos, que se voltam agora para o novo imóvel (reforma, decoração, ajuste logístico para a nova vida, reprogramação financeira e social, contar a vitória aos amigos).

Um estudo recente comprovou a mudança social na vida de uma pessoa a partir da compra do primeiro imóvel. Concluiu que a compra do primeiro imóvel é muito importante na vida de qualquer pessoa e torna-se responsável direta e indiretamente por mudanças sociais significativas no consumidor imobiliário.

O problema é que se cria muita expectativa e ocorre o total abandono desse consumidor por parte de algumas organizações na hora em que os problemas, comuns em qualquer mercado, começam a aparecer. A quebra de expectativas ocorre em combinações simples ou múltiplas de variáveis como: atraso na entrega das chaves (por vários outros fatores), obra incompleta ou por fazer, intempéries construtivas (que são normais, mas que nenhum consumidor tem a obrigação de saber ou conhecer), desqualificação do produto final entregue em relação ao memorial descritivo e à unidade de propaganda usada como objeto de argumentação e venda, problemas decorrentes da pós-ocupação em condomínios e a convivência social agrupada.

Comparando-se todos os dados secundários disponíveis sobre o setor no Brasil, existe demanda e mercados suficientes para várias empresas incorporadoras e construtoras numa projeção com folga e payback garantidos. Entretanto, foram poucos os estrategistas que utilizaram dados primários sobre capacidade produtiva de fornecedores, logísticas e métricas de desempenho em obra para quantificar suas metas reais de criação, vendas, produção e entrega de um imóvel ao consumidor no tempo em que a expectativa deste suporta a espera além das condições legais de contrato. Com a quebra de expectativas, o consumidor quer respostas. A questão é que as organizações envolvidas em problemas dessa natureza não estão preparadas para dar esse atendimento e evitar conflitos, inclusive judiciais. As respostas, quando ocorrem, são evasivas, desconexas com a realidade, prometem inverdades, desrespeitando o básico do direito à informação sobre um bem do qual se aguarda a entrega.

Num levantamento complexo junto à fundação Procon de São Paulo, órgão da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, os números de reclamações e processos iniciados para negociação ou desistência da compra do imóvel na planta, a partir de atendimento no plantão de vendas ou no site da incorporadora, são alarmantes. Foram rastreados 330 processos dos últimos 18 meses, como amostra para um levantamento bem simples: por que o consumidor recorre ao CDC (Código de Defesa do Consumidor), mesmo sabendo que pela negociação direta com a incorporadora ou construtora pode encontrar a melhor solução para a sua quebra de expectativa?

Os resultados demonstram que as empresas não estão fazendo a lição de casa. O cenário relatado demonstra o retrabalho operacional, o atendimento equivocado e a falta dele, o vaivém de informação (mesmo com o boleto chegando pontualmente para o pagamento), a desqualificação profissional de quem lida com o consumidor em estado de fúria.

O consumidor recorreu ao CDC pelo seguinte motivo: 80% pela falta de informação e demora no atendimento superior a três meses de contato, sendo que esses consumidores iniciaram o contato primeiro pela internet com email (média de cinco emails sem resposta ou um email com resposta automática), depois por telefone com o corretor, novamente por telefone com o gerente de vendas, que devolve o problema para a incorporadora e passa para o engenheiro estagiário. Os relatos são claros: ninguém deseja receber atendimento de um estagiá­rio nessa situação. Desse percentual, 48% não aceitaram acordo e desistiram da compra com os efeitos legais existentes.

Da amostra total de 330 processos, 24% recorreram à indenização por danos morais e materiais, sendo que afirmam ter usado as mídias sociais para encontrar pessoas na mesma situação e compartilhar o problema buscando solução conjunta. Não é necessário aprofundar comentário científico sobre os efeitos negativos na comunicação da marca da organização nesse contexto.

De todos os itens provocadores de quebra de expectativa, a variável líder é o não cumprimento do prazo de entrega das chaves, seguida do descompasso do produto final acabado e o que foi apresentado no plantão de vendas com modelo decorado e a propaganda. Em terceiro lugar, mas não menos importante: diferenças de acabamento em relação ao memorial descritivo e o produto final entregue. O estudo concluiu que o consumidor se sente ofendido em não ter respostas, ser tão paparicado e mimado durante o processo de compra, e tão abandonado quando tudo está desmoronando. E recorre a tudo isso por uma atitude mais ríspida que a psicologia nos ajuda a entender: vingança.

O significado de Recall do inglês "chamar de volta" é uma tentativa de minimizar uma negligência corporativa que pode motivar punições legais. Estamos acostumados a ver o recall no setor automotivo ou no varejo. Como então promover um recall construtivo ou ainda diferenciar e esclarecer ao consumidor o que é vício ou defeito numa análise sua em relação ao produto entregue? O acesso aos emails de respostas das incorporadoras e construtoras envolvidas no objeto de estudo demonstrou que as pessoas envolvidas nesse tipo de atendimento o fazem numa linguagem desconexa àquela compreensível pelo consumidor, principalmente no segmento de baixa renda.

O aquecimento do mercado imobiliário trouxe aos atendimentos do órgão, analisando-se as estatísticas disponíveis, um segmento que durante os 20 anos de existência do CDC (Código de Defesa do Consumidor) não era figura comum. Acostumado a lidar com as reclamações do varejo em geral, dos serviços de turismo e bancários e as relações de consumo do mercado de locação de imóvel, o CDC brasileiro e a Fundação Procon são considerados um dos melhores do mundo e modelo de atendimento jurídico dessa natureza. O procedimento do órgão é bem simples e gratuito, porém exige tempo e paciência do consumidor. A empresa é notificada da reclamação e pode responder diretamente ao consumidor e resolver o problema ou se reportar ao órgão para que participe de tudo. Não resolvendo ali, o consumidor pode recorrer ao Juizado Especial Civil e Informal de Conciliação ou à Justiça Comum.

A questão maior é que toda essa situação está sob o efeito bola de neve com os inúmeros lançamentos no País. Administrar a comunicação do recall construtivo e minimizar os impactos dessa situação na gestão da marca e da propaganda da empresa será a próxima bola da vez para o marketing e há uma massa de advogados se especializando nessa pauta. Acrescenta-se ainda o retrabalho em verbas para pagar tudo isso (custos de direito, indenizações, perda do lucro, impactos diretos na credibilidade da marca da empresa).

De todos os itens nos quais o marketing concentra um esforço comum e maximizado de venda, é necessário acrescentar: treinamento intensivo junto ao corretor para que ele seja um agente importante no objetivo de minimizar esse impacto; posteriormente, preparar manuais de produto e de entrega das chaves com um treinamento operacional que envolva o comprador e numa linguagem comum a qualquer pessoa; em seguida conduzir uma assistência permanente de pós-venda até 12 meses de entrega das chaves com uma previsão de atendimento em tempo real em qualquer canal de acesso. Tais medidas têm impacto direto no custo se optar pelo cálculo a partir da econometria de produção em torno de R$ 6,80 a R$ 9,00 por metro quadrado de produto constituído. Esse valor é perfeitamente recuperável, desde que planejado e direcionado corretamente. Não cabe aqui o olhar simplista de VGV (Valor Geral de Vendas). É um olhar estratégico e de quem é humilde em entender os impactos da lei da atração e do retorno, fundamentais para a longevidade de uma organização e sua marca no mercado.

Dados complementares do estudo: análise documental, entrevista pessoal e por email da amostra objeto de estudo, contato direto científico com a Fundação Procon de São Paulo, observação em plantão de vendas em nove capitais da Federação por sorteio não probabilístico, análise de documentação técnica, observação em redes sociais. Grupos de foco específicos para a análise psicográfica da compra do imóvel. Período de janeiro/2010 a outubro/2010.

Profa. Ma. Sandra Pires de Almeida, publicitária, mestre em administração de empresas e pós-graduada em administração de marketing com extensões no RIT/EUA. Qualificada em CDC pela OAB/ESA-SP

domingo, 2 de janeiro de 2011

Arrendamento, reabilitação e internacionalização

by hoffice on 25 25UTC October 25UTC 2010
A importância do arrendamento, da reabilitação e da internacionalização, sobretudo para o mercado angolano, para contornar a difícil situação em que o mercado imobiliário se encontra, foram destacados por Jorge Oliveira, director da área de feiras da FIl, no encerramento do Salão Imobiliário de Portugal (SIL).

Em declarações à agência Lusa, no último dia da 13.ª edição do SIL, na FIl, Parque das Nações, Jorge Oliveira fez um balanço positivo do evento, apesar do “período difícil” que o sector imobiliário atravessa devido à crise económica.

“Dentro do contexto actual estamos satisfeitos. Com toda esta questão económica surgem novas oportunidades de negócio, os mercados mudam e alteram-se muito rapidamente. O mercado imobiliário não foge à regra”, afirmou Jorge Oliveira.

Considerando a actual situação, o responsável salientou a importância de “continuar a procurar novas oportunidades de negócio e ter uma perspectiva positiva”.

“Os problemas actuais no sector são do conhecimento geral: há alguns problemas de dificuldade de acesso ao crédito, alguns problemas da própria capacidade das famílias de terem acesso à compra de habitação”, precisou.

De acordo com Jorge Oliveira, a internacionalização, o arrendamento e a reabilitação apresentam-se actualmente como “áreas fundamentais” para o futuro do sector.

É por isso, lembrou, que o SIL deste ano, que contou com cerca de 300 expositores, apostou num “incentivo muito forte ao arrendamento”, que é “muito importante para dinamizar e aumentar o volume de negócios das empresas”.

Por outro lado, está-se a “trabalhar muito na vertente da internacionalização”, acrescentou, dando como exemplo a realização, em pareceria com a Feira Internacional de Luanda, do I Salão Imobiliário de Angola (SIMA), em Maio passado.

Jorge Oliveira lembrou que o mercado angolano é “importantíssimo para a economia portuguesa em termos gerais, mas em especial para o mercado imobiliário”, uma vez que “toma hoje uma posição muito relevante e é um dos destinos cimeiros das nossas exportações”.

“Angola está em grande crescimento no mercado imobiliário, está a organizar-se, a sofrer uma série de mutações, e as empresas portuguesas são extremamente importantes, tanto para colaborar nessa organização, como para colaborar no desenvolvimento dos projectos”, destacou.

Jorge Oliveira adiantou que a segunda edição do SIMA terá lugar em Angola de 12 a 15 de Maio de 2011 em Luanda, “uma oportunidade única para as empresas portuguesas estreitarem o relacionamento com as suas congéneres angolanas e perspectivarem oportunidades de negócios”.

O leilão de imóveis para arrendamento e o facto de as autarquias e regiões do país terem tido oportunidade de mostrar os projectos e programas urbanísticos das suas cidades foram outras das novidades do SIL, segundo o responsável.

Fonte Lusa
http://hoffice.wordpress.com/2010/10/25/arrendamento-reabilitacao-e-internacionalizacao/

Reabilitação é a solução - Portugal

by hoffice on 7 07UTC October 07UTC 2010

A Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS) exige ao Governo que as medidas de contenção do défice recentemente anunciadas para constarem do Orçamento do Estado para 2011 sejam acompanhadas de uma estratégia de recuperação da actividade económica para a qual a Construção melhor que ninguém poderá dar um contributo decisivo.

Sem a adopção de tal estratégia de revitalização da economia nacional no médio e longo prazos, os anunciados aumento dos impostos e redução da despesa terão repercussões bastante negativas na actividade económica em geral e no sector da Construção em particular, conduzindo ao encerramento de muitas empresas e à explosão do número de desempregados.

Orientada por essa preocupação, a AECOPS elaborou e vai apresentar ao Governo um conjunto de propostas que, sem penalizarem o objectivo de redução do défice público – antes pelo contrário – permitam relançar a economia nacional através de uma dinamização do sector da Construção.

Ciente da enorme capacidade do Sector que representa para absorver rapidamente um grande número de desempregados e para promover o crescimento económico, a AECOPS centra as suas propostas em três vectores essenciais:

- a promoção da reabilitação urbana
- o apoio à internacionalização das empresas
- a canalização do investimento público para obras essenciais ao País, mas de baixo valor e com efeitos imediatos na economia e no emprego.

Reabilitação é solução para a crise

Sendo actualmente consensual a necessidade de se reabilitar o património edificado, tanto privado como público, afigura-se, contudo, indispensável criar as condições que permitam concretizar este objectivo.

A reabilitação urbana revela um potencial enorme tanto em termos da criação de emprego, pois cerca de dois terços do investimento efectuado neste tipo de obras diz respeito à mão-de-obra utilizada, como de mobilização e fixação dos capitais privados, pois a maior parte dos edifícios a reabilitar são de propriedade privada.

Assim, o escasso esforço financeiro a realizar pelo Estado seria largamente compensado pelo acréscimo nas receitas (IVA, IMI, IRC, IRS…) e pela diminuição dos encargos com o pagamento de subsídios de desemprego.

Para revitalizar este mercado, a AECOPS considera indispensável a alteração do regime de arrendamento urbano, a criação de um incentivo fiscal idêntico ao que existiu para as contas poupança-habitação, o alargamento da taxa reduzida do IVA aos materiais incorporados nas obras e a possibilidade de os proprietários deduzirem uma parte do rendimento predial quando efectuarem obras de conservação ou reparação nos seus prédios.

Construção é actividade exportadora

Num outro plano, a Construção tem sido, nos últimos anos, uma das principais actividades exportadoras do nosso país, sendo hoje a expansão para os mercados externos a única alternativa de muitas construtoras à forte retracção do mercado doméstico.

No entanto, para poderem competir no mercado internacional, as empresas de construção nacionais carecem de incentivos semelhantes aos que são concedidos a muitas das suas concorrentes estrangeiras e que passam, nomeadamente: pela aplicação de uma taxa reduzida de IRC sobre os rendimentos gerados no exterior; pela majoração, também em IRC, dos custos suportados pelas empresas nos mercados externos; pela redução das contribuições para a Segurança Social relativas aos trabalhadores em serviço no estrangeiro; e pela ajuda financeira às empresas na elaboração das suas propostas a concursos internacionais.

Investimento selectivo e de proximidade

Finalmente e considerando altamente lesivo dos interesses nacionais o corte “cego” (porque indiscriminado) de todos as obras previstas no PIDDAC até ao final do ano, a AECOPS propõe a realização de um conjunto de investimentos de proximidade, à semelhança do efectuado com a renovação da rede escolar, e que privilegie a redução das carências de infraestruturas que o País ainda apresenta, tanto para funcionar de forma eficiente como para poder assumir-se no panorama internacional como um destino turístico de eleição – para o que são indispensáveis, por exemplo, unidades de saúde de qualidade e ausência de falhas em termos de equipamentos urbanos e ambientais, em especial no que concerne ao saneamento básico.

A adopção de normas centradas nestas três vertentes – reabilitação urbana, internacionalização e investimentos de proximidade – será indispensável para que o País consiga colmatar o défice das contas públicas mas não fique exaurido com o esforço necessário para esse efeito, adoptando uma política de desenvolvimento sustentado que permita reduzir o desemprego e estimular a Economia nacional.

Fonte AECOPS

Reabilitação ganha terreno - Portugal

by hoffice on 29 29UTC November 29UTC 2010

A reabilitação urbana está a ganhar terreno à construção nova. No primeiro semestre deste ano, em Lisboa, foram licenciadas 59 obras em edifícios já existentes, ou seja, obras de reabilitação, ampliação, manutenção ou mudança de uso. Mas, para obras novas, apenas foram entregues 14 licenças, menos 13% que no primeiro semestre de 2009, de acordo com os dados da Confidencial Imobiliário e da Câmara Municipal de Lisboa. Uma situação que se agravou no terceiro trimestre, em que apenas saiu uma licença de construção nova.

No Porto, a situação é idêntica. Segundo os mesmos dados recolhidos pela Confidencial Imobiliário, no primeiro semestre do ano foram entregues 17 licenças para obras novas, o que representa uma quebra de 35% face ao mesmo período de 2009. E, no terceiro trimestre, também só saiu uma licença de construção nova. Já as obras de reabilitação licenciadas foram 76.

Ricardo Guimarães, director-geral da Confidencial Imobiliário, uma das empresas de estatísticas do sector, afirma que esta situação é simples de explicar: “O mercado interiorizou que o lançamento de novo produto seria mais difícil em termos comerciais e, por isso, recorre mais à reabilitação”.

Contudo, a maioria das obras de reabilitação licenciadas é de projectos pequenos, em edifícios com um máximo de dez casas, realça o mesmo responsável, acrescentando que essa é uma situação indicativa da crise económica. “Os pequenos projectos mantêm-se porque têm menos custos e são mais fáceis de financiar”, explica, acrescentando que se passa o mesmo na obra nova – ou seja, a maior parte das que avançam são as mais pequenas.

É por isso que Ricardo Guimarães diz que, até agora, ainda não se fez reabilitação urbana em grande escala, apesar de haver um alargado consenso de que é preciso reabilitar e não insistir na construção nova. A prová-lo estão situações como a do prédio na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, que esteve em risco de ruir no início da semana.

150 mil milhões para reabilitar Portugal

O mais recente estudo a chegar ao mercado e ao Governo sobre este tema foi um documento da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), no qual se estima que são necessários cerca de 150 mil milhões de euros para reabilitar todos os edifícios em Portugal que precisam de intervenções do género, sejam residenciais, não-residenciais (públicos e privados) e monumentos – obras que podem criar cerca de 600 mil postos de emprego em 20 anos.

Contudo, de acordo com a CIP, exigem-se mais medidas para que a reabilitação urbana seja uma realidade, como alterar o sistema fiscal sobre o património, tornar mais expeditos os despejos, alterar a lei da Reabilitação Urbana e do Licenciamento e ainda estimular a entrada de privados no negócio da regeneração das cidades.

Algumas têm estado a ser implementadas, como a criação de benefícios fiscais para quem reabilitar, mas os grandes impulsionadores têm sido as autarquias. A autarquia do Porto, através da Sociedade de Reabilitação Urbana do Porto, é hoje das cidades que mais reabilita em Portugal. E, em Lisboa, não só os licenciamentos estão mais rápidos, como a própria autarquia tem investido em reabilitação, recorrendo a fundos europeus.

Além disso, tornou a regeneração urbana como a grande prioridade do novo Plano Director Municipal (PDM), criando um sistema que dá benefícios e a possibilidade de construir noutros locais a quem reabilitar edifícios dentro da cidade.

Números da reabilitação urbana em Portugal:

550 mil
Segundo dados da AECOPS, existem 550 mil casas devolutas em Portugal, o que representa cerca de 10% de todo o parque habitacional do país, que é de 5.722 milhões de casas (segundo dados do INE em 2009). Deste total de casas devolutas, cerca de 60% são em Lisboa.

6,2%
De acordo com o estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), que cita os dados publicados pela Federação da Indústria Europeia da Construção (FIEC), apenas 6,2% das obras de construção em Portugal são de reabilitação, colocando-o na lista dos países que menos reabilita.

32%
Na Alemanha, 32% das obras são de reabilitação urbana, segundo os mesmos dados da FIEC, citados no estudo da CIP. Um valor que situa este país acima da média europeia (a 14 países) que está agora nos 23%, uma percentagem que equivale a investimentos de 263 mil milhões de euros.

200
Em Lisboa, nos últimos dois anos, ficaram concluídas e entraram em obra cerca de 200 obras de reabilitação urbana, segundo dados da Câmara Municipal. São exemplo disso, a recuperação do antigo edifício do Banco de Portugal, na Baixa, já em obra, ou a loja da Benneton, no Rossio, já concluída.

527
De acordo com o estudo da CIP, fazer pequenas reparações numa casa custa cerca de 50 euros por metro quadrado (m2). Se for uma reparação média, esse valor sobe para os 158,1 euros/m2 e se for uma intervenção de grande dimensão, o custo é de 527 euros/m2.

22,1%
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2009 as obras de reabilitação em Portugal representaram 22,1% de todas as obras de construção realizadas no país. O restante era obra nova, mas já indicava uma quebra de mais de 2% em relação ao ano anterior.

Benefícios fiscais

- A nova lei define a possibilidade de ter o IVA a 5% para obras de reabilitação, mas apenas para aquelas que estão dentro das áreas definidas para reabilitar. Com as novas medidas do Orçamento do Estado, essa taxa de IVA sobe para 6%.

- A CIP quer mais medidas fiscais, nomeadamente isenção de IMT na primeira transação, caso o prédio se destine a arrendamento por um minímo de dez anos.

- A associação quer ainda que se aplique a taxa de IVA mais baixa a todas as obras em edifícios para habitação.

Fonte Económico
http://hoffice.wordpress.com/2010/11/29/reabilitacao-ganha-terreno/

Programa nacional de reabilitação - Portugal

by hoffice on 15 15UTC December 15UTC 2010

O investimento na reabilitação é consensual, e surge como um das apostas do Governo para estimular a economia em 2011 e atenuar os efeitos da recessão na indústria da construção. O Governo prepara um plano nacional para agilizar licenciamento e conceder incentivos aos promotores.

A criação de uma agência nacional e o lançamento de um programa para a regeneração urbana serão as faces visíveis desse novo desígnio, assumido num documento recente pela própria CIP – Confederação da Indústria Portuguesa. Os agentes aplaudem, entre a esperança e o ceticismo.

O desempenho recente da reabilitação dececiona promotores e industriais da construção. O segmento desacelera e imita na queda (15%) o mercado residencial, sofrendo com a crise transversal que afeta o imobiliário.Até ao fim de setembro tinham sido emitidas 3601 novas licenças (4236 em 2009) contra 24600 de habitações novas.

“É incompreensível e inaceitável, face ao estado de degradação das principais cidades”, desabafa Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário. Na Europa, o negócio da reabilitação representa metade da produção habitacional. Em Portugal, pesa 18% em valor. Recuperou de mínimos de 2002, mas está ao nível de 1995.

Reis Campos, tal como o estudo da CIP, apela a um programa nacional, com linhas de financiamento e novos sistemas de incentivos, um quadro legal mais ágil nos licenciamentos e a criação de um cluster setorial. O responsável acredita que o impulso do Governo será decisivo.

Cluster em formação

O novo cluster permitia “estruturar a oferta e dar coerência a intervenções que congregam saberes diversificados, organizando uma comunidade empresarial dinâmica”, diz o consultor José Marques da Silva, um dos autores do programa da CIP. O documento articula-se com um projeto sobre a regeneração que a União Europeia lançará em 2011.

Numa apresentação do estudo, Marques da Silva estabeleceu uma correlação entre o investimento em reabilitação e a dívida externa dos países da zona euro. Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia surgem na cauda da reabilitação e no topo do clube da bancarrota europeia.

O financiamento não será fator crítico. O consultor argumenta que o “investimento público é marginal” e terá “impacto nulo no endividamento externo”. O essencial será reorientar e democratizar o acesso ao QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional – e aproveitar os fundos do Banco Europeu de Investimento.

Alterar o atual paradigma leva tempo e exige um “simplex na reabilitação que organize legislação caótica e contraditória” e elimine os “custos de contexto”, diz o consultor. É ainda essencial “pôr o mercado de arrendamento a funcionar”. A “vontade política” demonstrada pelo Governo “cria esperança”, mas é preciso que não se resuma a “uma medida de marketing político”, acrescenta.

Georgetown no Príncipe Real

Quando em 2005 começou a comprar edifícios para replicar no quarteirão do Príncipe Real, em Lisboa, uma operação de requalificação inspirada no que fizera num bairro histórico de Georgetown (Washington) a promotora Eastbanc, de Anthony Lamiré, acreditava que neste momento as obras já estariam a todo o vapor.

A verdade é que o licenciamento está atrasado e o grupo promotor sofre com isso. A banca “apertou no crédito e exige pelo menos 50% de capitais próprios”, refere Catarina Lopes, representante da EastBanc. A boa notícia é que os edifícios habitáveis, no universo de 17, “foram fáceis de arrendar e a renda paga o serviço da dívida”.

Investir na reabilitação “é sempre um ato de coragem”, com a vantagem de “apresentar um produto único em que a chave é a localização”, explica a engenheira. Mas as margens do negócio ficam em linha com o mercado em geral. “A crise é transversal a todo o sector imobiliário”, sustenta.

Casado com uma portuguesa, Anthony escolhera Lisboa por razões sentimentais e reconheceu na capital “um tecido urbano muito charmoso”.

Preços de Monte Carlo

A ação especulativa de intermediários e o preço pedido pelos donos dos prédios nos centros das cidades funcionam como um travão à reabilitação. As próprias sociedades de carácter municipal sofrem com esta ganância.

A RAR Imobiliária, a partir da refinaria de açúcar desativada, concretizou no Porto a maior operação da cidade (17 habitações). A promotora (com projetos de requalificação em Oeiras e Vila do Conde) está ativamente à procura de oportunidades, reconhecendo que o segmento traduz “uma nova tendência estrutural do mercado”.

Mas, às vezes, “os preços que nos pedem pelos ativos fazem-nos pensar que operamos em Monte Carlo”, diz o presidente José António Teixeira. Os donos dos imóveis “ainda não perceberam que têm de ajustar os preços a uma nova realidade”. No Porto, um valor razoável terá de andar pelos €500/m2, para o promotor colocar no mercado à volta dos €2000/m2 – em Lisboa, o preço pode duplicar.

Catarina Lopes recorda que, quando negociou com proprietários, teve de recusar preços “loucos e exorbitantes”. Nalguns casos, semanas depois, surgia-lhe um novo interlocutor a sugerir-lhe a transação 10% acima do valor que recusara. Ou seja, houve quem comprasse àqueles preços.

No Porto, a ausência de colégios perto da Baixa força, segundo a RAR Imobiliária, “a centrar os produtos de reabilitação nos solteiros e casais jovens”. A margem do negócio, tal como na construção nova, é ditada “pela procura e por se ter o produto certo, adequado ao mercado”, diz José António Teixeira.

Impacto de 900 milhões

O investimento em reabilitação, pelo seu efeito virtuoso nas cidades e multiplicador na economia, é dos raros que gera um amplo consenso nacional. O estudo da CIP calcula em €900 milhões de euros o efeito anual na economia de um programa nacional de reabilitação. A fileira da construção e do imobiliário registaria, em 20 anos, 500 mil novos empregos.

No universo de dois milhões de habitações a precisar de reparações, 40% exigem obras profundas. O país, diz Reis Campos, “deve assumir a reabilitação como um desígnio nacional” sensibilizando os privados, reféns “da lógica risco/retorno”, a investir num mercado com um potencial de €28 mil milhões.

Fonte Expresso
http://hoffice.wordpress.com/2010/12/15/programa-nacional-de-reabilitacao/