terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Segunda onda Green Building: retrofit e operação predial verdes

Artigo 26/11/2010
por Anderson Benite / Diretor da Unidade de Sustentabilidade do CTE

A onda dos edifícios verdes tem alterado a dinâmica do mercado de edifícios corporativos nos últimos dois anos no Brasil. A tendência é clara: os locatários, por diretrizes de suas organizações, estão à procura de escritórios ecologicamente corretos, que ofereçam instalações maior nível de eficiência energética e conforto, menores custos de operação e que sirvam como uma forma de demonstração dos valores e princípios sustentáveis da organização, tanto para seus colaboradores quanto para o mercado em geral.

Percebendo essa tendência, muitos empreendedores começaram a desenvolver seus novos edifícios para buscar a certificação LEED® (Leadership in Energy and Environmental Design). Estima-se que existam mais de 200 edifícios corporativos sendo projetados e construídos no país visando esta certificação, o que significará, em breve, uma quantidade expressiva de m² de lajes com tal diferenciação no mercado.

Um dado interessante foi apontado por uma pesquisa realizada pelo grupo CoStar Group (empresa americana especializada em pesquisa de mercado imobiliário corporativo). A pesquisa relata que edifícios certificados LEED conseguem obter os seguintes diferenciais comerciais em relação aos edifícios convencionais:

Preço prêmio de locação de US$ 11,24 por m².

Preço de venda na média de US$ 171 por m².

Taxa de vacância 3,8 % inferior.

Esse tipo de resultado ainda não pode ser mensurado no Brasil, pois há um número pequeno de edifícios certificados e os existentes possuem pouco tempo de operação/ocupação para se realizar uma estatística consistente. Por outro lado, os edifícios novos representam apenas uma pequena porcentagem quando comparados ao total de m² corporativos existentes no país. Isto nos leva a refletir sobre o que fazer com os edifícios que foram construídos há 10, 20, 30 anos, ou mais, para mantê-los competitivos frente aos novos empreendimentos verdes, tanto no que se refere aos valores de aluguel, quanto em relação às taxas de vacância.

Acompanhando os caminhos já percorridos pelo mercado norte-americano, acredita-se que haverá uma segunda onda de certificações Green Building no Brasil, agora voltada aos edifícios mais antigos.

As certificações destes edifícios podem ser desenvolvidas de duas formas distintas: uma focada na gestão da operação e manutenção predial (Certificação LEED-EB Existing Building – Operation & Maintenance) e outra focada na realização de retrofits verdes (Certificação LEED-NC New Construction & Major Renovations).

A certificação LEED-EB estabelece práticas sustentáveis que reduzem impactos ambientais e assegura o conforto dos ocupantes ao longo da vida útil do edifício, contemplando, basicamente, os seguintes aspectos:

Programas de manutenção das áreas externas.

Gestão do consumo de água e energia.

Seleção de produtos mais sustentáveis para limpeza (green cleaning) e execução de pequenas reformas.

Política de compras verdes (materiais de consumo, bens duráveis, alimentos, lâmpadas, etc.).

Gestão de resíduos e coleta seletiva.

Qualidade dos ambientes internos (qualidade do ar, conforto térmico, controle de pragas, etc.).

O Empire State Building, edifício marco da cidade de Nova York, com quase 80 anos de vida, será objeto de um retrofit verde visando atrair grandes corporações e obter maiores aluguéis. Além dos US$ 500 milhões a serem gastos na renovação, serão investidos mais US$ 20 milhões para reduzir o seu consumo de energia em 38% e cortar suas emissões de CO2 em 105.000 toneladas por ano.

Neste modelo, a cada cinco anos, ou em menor período, deve ser realizada uma nova avaliação da performance ambiental do edifício para se manter a sua certificação LEED.
Já na certificação LEED-NC para grandes reformas e retrofits verdes, são consideradas a infraestrutura e as características físicas do edifício, avaliando a performance ambiental do edifício revitalizado de forma comparativa a um edifício Green Building novo. Esta norma leva em conta, principalmente, os seguintes aspectos:
Impactos da reforma no site e entorno.
Drenagem de águas pluviais.
Redução de ilhas de calor e presença de coberturas verdes.
Redução do uso de água potável pelas instalações.
Eficiência energética da edificação.
Infraestrutura para gestão de resíduos e coleta seletiva.
Uso de materiais regionais, com conteúdo reciclado e madeira certificada.
Conforto térmico e qualidade do ar interno.
Aproveitamento de iluminação natural.
A certificação LEED-NC ocorre após a conclusão do retrofit e não há recertificação, exceto no caso de um novo retrofit, ou quando o proprietário for buscar a certificação da operação e manutenção pelo LEED-EB de forma complementar.
As duas alternativas devem ser avaliadas conforme o tamanho e complexidade das alterações que serão feitas no edifício ou na sua operação e manutenção. No entanto, ambas são adequadas para colocar o edifício no mesmo patamar de desempenho e competitividade – ou muito próximo – ao dos novos Green Buildings.
Quanto mais cedo os edifícios existentes forem adequados, maior será a sua diferenciação competitiva, já que os edifícios novos certificados, em razão de seus longos períodos de construção, ainda levarão um tempo para chegar ao mercado. O aumento da demanda por lajes Green Buildings, muito provavelmente, será maior que a oferta disponível, criando assim a nova onda de prédios verdes.

Motivos para realizar um retrofit verde

* Pesquisa realizada pela Delloite e pela Charles Lockwood em 2008, com 16 proprietários que realizaram retrofits verdes e conquistaram a certificação LEED.
* Anderson Benite é Diretor da Unidade de Sustentabilidade do CTE. Engenheiro Civil e Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP. LEED-AP Accredited Professional. Auditor Líder ISO 9001 e OHSAS 18001. MBA Executivo pelo Ibmec Business School. PNL Practitioner. Especialista em Sustentabilidade na Construção Civil e Sistemas de Gestão Integrada (qualidade, meio ambiente, segurança do trabalho e saúde ocupacional).

http://www.cte.com.br/site/artigos_ler.php?id_artigo=3225


domingo, 26 de dezembro de 2010

Apresentação geral da Durabilidade Arquitectónica Residencial

A durabilidade arquitectónica de espaços e ambientes do habitar é uma qualidade ligada ao desenvolvimento de adequadas condições de conforto (bem-estar) ambiental e espacial, articulando-se nesta ampla temática, quer com os aspectos da agradabilidade no habitar, quer com estimulantes condições de segurança residencial e urbana.

Conjuntamente com a agradabilidade e a segurança, a agradabilidade é responsável pelo expressivo desenvolvimento de adequadas condições de conforto (bem-estar) ambiental e espacial.

A durabilidade arquitectónica residencial pode definir-se como a capacidade de resistência e de fácil manutenção reais e expressivamente evidenciadas, dos espaços e elementos residenciais.

Refere-se ao proporcionar de espaços e elementos residenciais resistentes a a uma grande diversidade e intensidade de usos e fáceis de manter em adequadas condições funcionais e visuais que promovam esses usos.

Cumulativamente a durabilidade arquitectónica residencial deve ainda caracterizar-se por associar a essa resistência e facilidade de manutenção, essencialmente funcionais, uma expressiva persistência em termos de uma aparência positiva, ou mesmo de uma agradável evolução dessa aparência, que marque agradavelmente o passar do tempo e do uso, caracterizando um dado espaço ou elemento residencial com essa marca positiva do tempo que passa.

A durabilidade arquitectónica residencial tem também a ver com aspectos de adequação e diálogo social, que são importantes e que importa desenvolver com cuidado e no confronto com experiências práticas, pois não basta disponibilizar cenários e elementos residenciais muito duráveis, eles têm de ser socioculturalmente adequados e nada substitui um diálogo prévio e um acompanhamento cuidadoso, sensível mas exigentes, destas matérias; assunto este que importa aprofundar.

Introdução à durabilidade arquitectónica residencial

A durabilidade é a qualidade do que dura muito ou do que pode durar muito e em excelentes condições de uso e de aspecto. Mas na qualificação arquitectónica há que abordar, integradamente, e tal como já se apontou, a durabilidade física e a aparência dessa mesma durabilidade.

A boa durabilidade é uma qualidade com uma importância directa no uso do habitat humano e que se reflecte na geração de adequados modos de uso desse habitat. Depende de uma opção inicial positiva em termos de custo-qualidade (considerando condições de desempenho físico e aspecto), que sirva com fidelidade e ampla margem de segurança as condições ambientais mais rigorosas e os usos críticos esperados. E aqui há que ter em conta, especialmente, a durabilidade ao nível dos espaços exterioes públicos e a durabilidade num diálogo sensível com modos de vida e com hábitos de vida e de comportamento que podem ser potencialmente muito agressivos relativamente à manutenção de espaços e elementos residenciais em bom estado funcional e visual.

Naturalmente, é importante sublinhar, desde já, dois aspectos, sen do um mais social e de gestão e outro uma opção estratégica e formal/funcional.

Um primeiro aspecto tem a ver com a necessidade de se ter uma perspectiva integrada física/funcional e social/de gestão da forma como se lida com estes aspectos de durabilidade e manutenção dos espaços residenciais, isto porque, por exemplo, há informações e mesmo formações a facultar a pessoas e famílias que não estão habituadas a viver em espaços residenciais "normalizados", porque antes viviam em situações precárias, mas também porque há um diálogo sistemático a desenvolver em termos do bom uso/mau uso dos espaços residenciais públicos e privados, não sendo de pactuar com o vandalismo; antes pelo contrário há que estruturar e aplicar uma estratégia de gestão local e de proximidade/continuidade que obrigue a que quem vandaliza seja imediata/rapidamente responsabilizado por esse vandalismo.

O segundo aspecto tem a ver com uma opção estratégica e, de certo modo, formal e funcional que não pode privilegiar a criação de ambientes residenciais públicos e privados, caracterizadamente "duros", "maquinais", "simplificados" e "rudes", devido a estar-se em presença de potenciais situações de mau uso residencial, pois a opção básica tem de ser sempre pela positiva, havendo cautela e bom senso nas escolhas que se fazem, acrescentando-lhe eventuais margens de segurança quando as situações são potencialmente críticas, mas nunca nos esquecendo que estamos a tratar de ambientes residenciais e domésticos, portanto de espaços que têm de ser basicamente amigáveis e apropriáveis e que, mesmo em situações potencialmente críticas, a maiorias dos habitantes são excelentes cidadãos; uma situação e uma opção que terá também reflexos ao nível de sinalizações adequadas, informações prévias e acompanhamento periódico e inicialmente reforçado relativamente aos espaços públicos e edifícios, assim como no que se refere ao modo de usar e manter os espaços e elementos domésticos.

Fez-se, desde já, este desenvolvimento pois considera-se que há inúmeros mal-entendidos e aspectos associados a "ideias-feitas", sobre os habitantes e mesmo os citadinos usarem melhor ou pior os seus espaços residenciais e a sua cidade: e, frequentemente, não se usam melhor esses espaços porque não há, de facto, uma informação cuidadosa e sensível nesse sentido.

E a boa durabilidade residencial e citadina depende, evidentemente, e de forma significativa, de uma adequada programação dos processos de manutenção periódicos e especiais, apurados em termos de custo-benefício e de adequadas soluções de "controlo" e gestão correntes (por exemplo, a acção sistemática e diária do Zelador da Cooperativa as Sete Bicas).

Não podemos é realizar um dado conjunto residencial e urbano e esperar que ele se mantenha em boas condições funcionais/formais sem que seja programada a respectiva responsabilização e gestão de todos os seus espaços e elementos: tudo tem de ser programado e com razoáveis alternativas de acção em caso de situações inesperadas.

E os próprios habitantes podem participar nestas matérias da manutenção residencial, seja por estarem claramente informados sobre como devem usar espaços e elementos e sobre quem tem a responsabilidade da respectiva manutenção e em que condições, seja por poderem participar, indirecta e até directamente na manutenção corrente dos espaços públicos e comuns que habitam - por exemplo, através de quotizações para a limpeza e o ajardinamento de determinadas zonas e mesmo por eventual participação directa e devidamente convencionada nessa manutenção (em alguns conjuntos de habitação de interesse social lisboeta há moradores que participam no respectivo ajardinamento, numa acção devidamente convencionada com a respectiva empresa gestora).

E poderá haver, mesmo, a aceitação de uma participação activa e protagonista da intervenção dos moradores no ajardinamento de espaços públicos contíguos às habitações dos próprios, mas que possam ser aceites como de uso privado; situações em que há excelentes exemplos que merecem visita, por exemplo, em Olivais Norte; cujo resultado é claramente positivo para os habitantes que criam esses espaços e para o público em geral, havendo, no entanto, que regrar tais intervenções de modos muito simplificados mas expressivamente impostos, de modo a evitarem-se ou reduzirem-se significativamente as situações de abuso de apropriação e/ou com negativa imagem pública.

Aspectos outros que interagem com a durabilidade são, tal como já se apontou, a capacidade de suportar acções inopinadas, a resistência ou adequação a actos de vandalismo, e, de forma geral, a proximidade relativamente ao uso humano. Naturalmente, em todos estes aspectos prevalece a circunstância de se tratarem de elementos naturais/vivos ou inertes, sendo os primeiros evidentemente muito mais sensíveis e críticos na sua viabilidade (ex. pequenas árvores desprotegidas), enquanto nos segundos também se encontram elementos críticos ao nível do mobiliário urbano (ex. critérios anti-vandalismo mal ponderados.

Aspectos estruturadores da durabilidade

A durabilidade deve ter uma aplicação efectiva e quilibrada ao meio físico residencial, num equilíbrio tripartido entre: (i) durabilidade específica, (ii) facilidade/adequação de manutenção e (iii) custos iniciais e de manutenção.

Sobre a durabilidade específica há que sublinhar que o fazer-se pequenas partes de cidade exige uma durabilidade maximizada, pois o horizonte temporal tem de ser o de várias gerações; mas tanto há soluções que se mostram positivamente "intocadas" meio século depois de terem sido construídas e habitadas, como outras há que se começam a degradar ainda antes de serem ocupadas.

Sobre a facilidade de manutenção há que salientar que se ela deve ser "regra" no interior doméstico, então o que dizer nos espaços comuns de edifícios e nos espaços públicos, mas, no entanto, tal não acontece! Diria mesmo que a regra é a de pouco se ter em conta essa facilidade de manutenção, num necessário sentido lato de facilidade de usos diários e de limpeza e manutenção correntes. Talvez não haja informação adequada a esse nível, é provável que tal aconteça, mas quem projecta o espaço residencial e urbano e quem promove e/ou licencia esses projectos, designadamente, no âmbito do interesse público, tem de ter e de aplicar tais conhecimentos técnicos. E nesta facilidade de manutenção há que considerar a possibilidade de intervenção de pessoas não especializadas (frequentemente, os habitantes), uma condição que pode ter forte expressão na viabilidade da manutenção ao longo do tempo.

A relação entre durabilidade básica e características da respectiva manutenção é marcada pelos respectivos custos, sendo que cada solução terá perfiis específicos de desempenho funcional/formal(visual) e de custo inicial/períódico; perfis estes que devem ser devidamente considerados no projecto.

Um outro aspecto que tem de estar bem presente quando reflectimos sobre a previsão de uma adequada durabilidade nos espaços residenciais e urbanos é a relação entre tais condições e o bem-estar e a saúde dos habitantes, pois é bem conhecida a relação directa entre espaços e elementos residenciais degradados e acidentes no uso, assim como é bem conhecida a relação entre espaços domésticos degradados e problemas de saúde.

Nesta matéria da "estruturação" da durabilidade arquitectónica residencial há que apontar, ainda, que a durabilidade tem influência directa e positiva no uso adequado do habitat humano. O habitat durável e com boa manutenção estimula o bom uso e a boa manutenção, enquanto o pouco durável e com deficiente manutenção estimula o mau uso e o vandalismo.

A durabilidade, da habitação, à vizinhança e ao bairro

A durabilidade arquitectónica é uma das marcas fortes e simbólicas da cidade e do bairro, afinal todos nos ligamos a aspectos que caracterizam essas partes da cidade, porque perenes e bem memorizáveis através de gerações. Desta forma chegamos à vizinhança da porta do edifício ou da habitação, isto se estivermos num bairro caracterizado e não num subúrbio rarefeito e/ou sem identidade. Depois será o edifício e designadamente os seus espaços comuns, que devem ser, també, espaços de perenidade e de algumas memórias positivas, que contribuem para um certo e agradável sentido de referências que se mantêm, que não se alteram ao ritmo de tantas outras coisas que mudam: os veículos, as modas, os gadgets, etc.

Quanto ao espaço doméstico já poderemos pensar de outras formas, mais flexíveis, mas mesmo aqui há importantes aspectos de permanência a considerar, porque correspondem, claramente, a matérias qualitativas frequentemente apreciadas como positivas - e apenas como exemplo, apontam-se desde uma dada organização do lar muito caracterizada e que albergou variadas vidas e funções, até aspectos de pormenor de um pano de apanhar de uma lareira, das bandeiras envidraçadas de certas portas, e, naturalmente, tantos aspectos associados à permanência em excelente estado funcional/formal de variados pavimentos e alvenarias aparentes - e ninguém me convence que tais aspectos são apenas funcionais e objectivos.

Estratégias de durabilidade

Exteriormente há que equilibrar condições iniciais de durabilidade e de manutenção corrente com os respectivos custos e a eficácia real dos espaços exteriores residenciais: por escolha entre soluções alternativas; por consideração dos “picos” iniciais de custos de manutenção, designadamente dos espaços e elementos “verdes”; dos cuidados de rectificação das características de uso e mesmo de configuração dos dos diversos espaços (ex., usados por crianças); e por um fundamental combate, sem tréguas, às zonas “mortas”, desapropriadas, desvitalizadas e indefinidas (se forem zonas adequadamente capacitadas serão tendencialmente usadas de forma positiva).

Interiormente, nos espaços edificados, há que equilibrar condições iniciais de durabilidade e de manutenção corrente com os respectivos custos e a eficácia real dos espaços e compartimentos – salientando-se que estas matérias estão mais definidas do que as relativas aos espaços exteriores: através de manutenção programada; por durabilidade acrescida e bem definida dos elementos pouco acessíveis e difilmente substituíveis; por uma cuidadosa relação entre durabilidade e segurança; e pela adequada previsão e divulgação de acções simples de manutenção e face ao uso e à acção dos agentes atmosféricos.

A durabilidade arquitectónica residencial: um mundo de relações que é, afinal, matéria de base da concepção

Quando nos referimos à "estruturação" da durabilidade residencial sob o ponto de vista da concepção arquitectónica, importa ter em conta que estamos a tratar de uma matéria que se pode considerar como básica nessa fase de projecto, pois muitas das opções fundamentais devem ser tomadas na escolha dos materiais e das principais soluções construtivas, aspectos estes que são determinantes na desejável longa e mesmo muito longa durabilidade de edifícios, construções e espaços urbanos; dá vontade de sublinhar que no bom arquitectar do habitar muitas das escolhas essenciais serão feitas nestas matérias da durabilidade e nas que estão associadas à agradabilidade/conforto ambiental - e aliás durabilidade e conforto ambiental têm densas relações mútuas -, numa perspectiva positivamente passiva, portanto não associada a "máquinas" e complementos diversos do espaço construído, pois afinal o mundo das máquinas terá de ser tratado de forma bastante distinta e muito mais dinâmica.

A durabilidade nos espaços públicos versus a espaciosidade nos espaços edificados

A durabilidade cruza toda a sequência de níveis físicos, sendo crítica nos espaços públicos mais animados, e sendo menos crítica mas mais directamente observada nos espaços públicos de vizinhança (portanto, também crítica por que muito directamente sentida), sendo fundamental, designadamente, na “pele” dos edifícios e na caracterização dos seus espaços comuns interiores e fortemente ligada aos usos domésticos no interior das habitações, com destaque para os espaços mais intensa e exigentemente usados (exemplo zonas húmidas e/ou em contacto com o exterior).

A durabilidade nos espaços públicos

É fundamental estudar soluções adequadas de arranjos de espaços públicos duráveis e com uma adequada escala/caracterização de tratamento (uso da durabilidade como veículo de dignidade e imagem pública), articulando imagem atraente, resistência, facilidade de manutenção e relação directa com outras qualidades, designadamente, de conforto ambiental, socialização e apropriação.

Uma matéria interessante nesta faceta da reflexão sobre a durabilidade no exterior habitado é a questão da harmonização entre tráfego de veículos e movientação e, designadamente, estadia pedonal, pois o primeiro exige condições funcionais e de caracterização física que apenas em velocidades lentas (por exemplo, a cerca de 30 km/h) se tendem a harmonizar com as condições de uso das pessoas a pé; pensa-se em zonas pavimentadas a calçada, equipamentos de estadia com densidade convidativa, árvores com presença efectiva, etc. Apenas misturas como estas terão viabilidade, caso contrário vencerão os mais fortes: os automóveis.

E trabalhar numa dimensão pública implica exigências de resistência a "usos e abusos" que, actualmente, ainda não estão bem caracterizados e clarificados ao nível dos próprios projectistas e promotores. Uma matéria que poderá ter um útil desenvolvimento.

A durabilidade na vizinhança de proximidade e na relação desta com os edifícios

Sendo potencialmente um pouco menos crítica do que a dimensão da durabilidade urbana dos espaços públicos, a situação que se vive na proximidade dos edifícios é extremamente sentida e visível pelos habitantes, sendo directamente observada nos espaços públicos de vizinhança.

A este nível físico urbano e residencial podemos considerar que a disponibilização de excelentes condições de durabilidade e de manutenção corrente e efectiva, aliadas a um partido de arranjo funcional/formal que harmonize dignidade urbana e afinidade e capacidade de apropriação pelos habitantes, resultarão, frequentemente, num sentido de vizinhança residencial como quase extensão do ambiente doméstico de cada um, mas matizado por um sentido de alguma comunidade e/ou de alguma urbanidade.

A durabilidade nos espaços edificados

O edifício deve caracterizar-se por ser um “contentor” extremamente resistente aos efeitos do clima e dos usos e com uma imagem com grande perenidade; há ssim aqui uma dupla matéria de durabilidade funcional/física e de durabilidade formal/visual; uma reflexão que nos poderá levar longe noutras ocasiões, mas não pode haver grandes dúvidas sobre a importância que tem, para todos, um sentido claro de dignidade residencial, de sentido de lugar digno e com identidade, relativamente a onde se habita.

É ainda interessante considerar que o sentido de contentor protector e, de certa forma, auto-protegido do edifício tem de ser compatibilizado com a respectiva, franca e estratégica/condicionada abertura à radiação solar e ao vento, num equilíbrio que põe em evidência a importância da adequada pormenorização dos vãos exteriores e seus elementos de protecção e de filtro, bem como de cuidada pormenorização da capa exterior protectora do edifício e das suas zonas de charneira com os referidos vãos; mais um dos sítios estruturantes onde se trabalha a concepção arquitectónica.

A durabilidade nas habitações

Nos fogos a durabilidade tem quatro caminhos.


Um primeiro reflecte interiormente o trabalho apontado relativamente aos vãos exteriores, sua protecção e aspectos de relação interior/exterior que são fundamentais para o conforto ambiental e que têm de ser perfeitamente compatibilizados com as respectivas condições de durabilidade/manutenção.

Um segundo caminho está ligado a uma estrtégia geral de pormenorização do interior, numa opção por boas ligações entre espaços, elementos e materiais; novamente matéria base da concepção.

Um terceiro caminho liga-se aos elementos com uso directo mais intenso e/ou mecânicos, e também a uma adequada resposta a solicitações ambientais e pontuais mais desfavoráveis (ex. presença de água frequente).

Finalmente, um quarto caminho liga-se à consideração específica de modos de vida/uso da casa e/ou de uso de equipamentos e elementos domésticos muito diversificados e até eventualmente “agressivos”. E aqui poderá haver uma perspectiva de uso corrente intenso e exigente e uma perspectiva, alternativa, de usos especialmente críticos, por exemplo, associados a hábitos domésticos de determinadas minorias étnicas; mas uma alternativa que nunca deverá associar-se a um sentido de tolerância da incivilidade, opção esta que, para tal, terá de estar, necessariamente ligada a cuidados específicos de gestão da habitação, integrando, sempre que necessário, inspecções e responsabilizações por eventuais danos que resultem de evidentes acções de vandalismo.

Sublinha-se que este último tipo de cuidados de acompanhamento e vigilância de usos pouco cívicos terá de abranger os respectivos edifícios e vizinhanças, caso contrário teremos populações obrigadas a conviver localmente com estas situações de incivilidade e vandalismo.

Carácter e importância específica da durabilidade

A durabilidade é, naturalmente, objectiva embora a sua conjugação fortíssima com o binómio uso/manutenção possa introduzir algumas surpresas no processo.

Face à realidade das condições urbanas físicas e vivenciais, com destaque para situações extremamente críticas em condições de habitabilidade e de dignidade urbana, a durabilidade e as suas associadas facilidade de manutenção e garantia de gestão eficiente, evidenciam-se como atributos básicos para o bem-estar residencial e têm lugar na primeira linha da necessária qualificação arquitectónica e, naturalmente, nas tão urgentes acções de requalificação urbana.

Está mesmo na ordem do dia a ponderação do equilíbrio entre reabilitação e demolição; isto resulta de factores reais, até associáveis à valorização de terrenos, há alguns anos marginais e hoje centrais. Mas os resultados finais podem ter uma utilidade ampla, contentando muitos grupos.

Durabilidade e ordenamento, por um lado, flexibilização de arranjos e apropriação, por outro, são faces de uma moeda que muda, de sítio para sítio e consoante a caracterização ou tipificação de cada arranjo, mas sempre com presença obrigatória num habitat humano que se deseja visual e activamente humanizado, logo medianamente participado. Não devendo haver lugar nem a ambientes rígidos e imutáveis, nem a cenários caóticos, sem dignidade pública ou privada e, até, por vezes insalubres e perigosos.

Notas de reflexão e para desenvolvimento sobre a durabilidade arquitectónica residencial

Embora se considere que a durabilidade é uma daquelas qualidades arquitectónicas residenciais cujas características são tão sensíveis como complexas, em termos de reflexão geral, numa perspectiva de futuro desenvolvimento do tema, apuram-se, para já, os seguintes aspectos; futuramente "recicláveis" e refundíveis.

O desejável desenvolvimento de um meio ambiente durável e fácil de manter com bom aspecto deve considerar, por adequados cuidados de programação, a inexistência de barreiras a intervenções de índole muito diversa (ex., acções de emergência com veículos muito pesados, serviço de recolha de lixos, etc.).

A durabilidade arquitectónica e residencial deve ser basicamente conjugada com a facilidade de manutenção e limpeza e em alguns casos de arranjo ou substituição; este aspecto tem especial importância quando se trata de instalações "embebidas" na construção.

A uma desejável resistência em termos de uso, prevista inicialmente, deve aliar-se uma previsão da mutação ou evolução do aspecto, que assinale, de variadas maneiras, o passar do tempo. Esta mutação é enriquecedora para o espectáculo urbano residencial, recheando-o de variadas conotações e mensagens, integradas nos próprios materiais e elementos que o constituem, mas é fundamental que tal mutação esteja adequadamente programada e que de modo algum possa pôr em risco a adequação funcional dos materiais e elementos.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.
(ii) Para proporcionar a edição de imagens no Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos do Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor do Infohabitar constituem bancos de dados do Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos do Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor abc@lnec.pt

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar n.º 323, 06 de Dezembro de 2010
Etiquetas: antónio baptista coelho, informação técnica arquitectura, ita 8, durabilidade, durabilidade residencial, durabilidade arquitectónica residencial, qualidade arquitectónica residencial, qualidades arquitectónicas residenciais

http://infohabitar.blogspot.com/

domingo, 19 de dezembro de 2010

São Paulo tem um imóvel demolido a cada 10 horas

24/10/2010 12h10 - Atualizado em 24/10/2010 12h10

Demolições são resultados de boom do mercado imobiliário na capital.
Com a escassez de espaços urbanos, solução é destruir imóveis.

A cada dia, 2,5 imóveis são demolidos, em média, na cidade de São Paulo. É a ponta mais visível - e, para muitos urbanistas, perversa - do boom do mercado imobiliário, que lança quase 600 prédios por ano na capital paulista. Com a escassez de espaços urbanos, principalmente terrenos vagos em áreas nobres, a solução é destruir - segundo levantamento feito pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a cidade perdeu em três anos exatas 2.692 casas.

A pesquisa foi feita com base em todos os deferimentos de alvarás de execução de demolição publicados no Diário Oficial da Cidade de São Paulo de 1º de janeiro de 2008 até quarta-feira (20). Neste ano, já foram demolidos 664 imóveis. No ano passado, foram 933, e em 2008, 1.095. Traduzindo os números, isso significa que uma casa acabou sendo derrubada a cada dez horas para dar lugar a prédios, espigões ou condomínios residenciais e comerciais.

Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na Zona Sul; Pinheiros e Pompeia, na Zona Oeste; Tucuruvi, na Zona Norte; e Mooca e Vila Prudente, na Zona Leste. Para as empresas especializadas em demolições, trata-se de um mercado exemplar, que cresce quase 80% ao ano. Mas para urbanistas, a transformação faz os endereços perderem um pedaço importante da própria memória.

"Há um empobrecimento histórico de São Paulo, a unidade da vizinhança fica extremamente prejudicada", diz o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Telhados brancos poderão se tornar obrigatórios em São Paulo

Projeto de Lei pretende incluir obrigatoriedade no Código de Obras da cidade. Se a medida for aprovada, coberturas terão de ser adaptadas em 180 dias

Aprovado recentemente em primeira fase na Câmara dos Vereadores de São Paulo, o Projeto de Lei do vereador Antônio Goulart (PMDB-SP) prevê uma mudança drástica nos edifícios da cidade de São Paulo. O PL 615/09, que modifica o Código de Obras e Edificações de São Paulo (COE-SP), prevê que todas as edificações da cidade de São Paulo sejam obrigadas a ter telhados na cor branca, de modo a diminuir as ilhas de calor na cidade.

O PL acresceria um item no capítulo 9.2 do COE-SP, que fala sobre componentes básicos de uma edificação na cidade. Segundo o Projeto, "as edificações deverão ser adaptadas à disposição desta lei no prazo de 180 dias, contados da data de sua publicação". As despesas decorrentes da execução desta lei deverão ser pagas pelo próprio dono da edificação.

Os telhados de cor branca têm por característica a reflexão dos raios solares, enquanto telhados escuros absorvem esses raios e mantêm o calor na atmosfera, aumentando as chamadas ilhas de calor. Se os raios foram refletidos, além da diminuição do número de ilhas de calor, há também a redução da utilização de ar-condicionado, diminuindo a emissão de gás carbônico. Um estudo recente do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, mostrou que coberturas escuras absorvem 80% do calor e as claras refletem até 90% da luz solar.

Há algumas possibilidades para que o telhado seja modificado para a cor branca. Uma delas é a colocação de coberturas metálicas na cor branca. Outra é a pintura com tintas especiais para telhas ou com impermeabilizantes para lajes e marquises. Além disso, é possível a colocação de telhas brancas, sejam elas de cimento ou de metal.

Para ser aprovado, o PL tem de passar novamente pelo plenário da Câmara, para depois ser sancionado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/telhados-192346-1.asp

Ouro Preto tem novas regras para preservação do conjunto histórico

Normas preservam sítio histórico e permitem expansão em outras áreas.

A cidade mineira de Ouro Preto tem novas regras para preservação do conjunto arquitetônico e urbanístico. A portaria do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi publicada nesta quarta-feira( 27), no Diário Oficial da União.

A portaria estabelece normas para intervenções na área histórica. Fica estabelecido, por exemplo, que a iluminação dos espaços públicos deverá realçar o conjunto arquitetônico e paisagístico das igrejas e monumentos. O pavimento de pedra deve ser preservado nas ruas e nos passeios. Bocas de minas, túneis e outros vestígios da mineração não podem ser vedados, a não ser em casos de segurança pública. A portaria também determina que as construções coloniais devem ter alvenaria externa rebocada e pintada em cor branca. As esquadrias, que contornam portas e janelas, devem ser pintadas em cores fortes usuais.

O documento prevê ainda regras para aproveitar edificações e lotes vazios no sítio tombado e para integrar o conjunto histórico às áreas de crescimento do município. Para o prefeito Ângelo Oswaldo, o principal avanço da portaira é "reconhecer a cidade como organismo vivo", que continua crescendo. Segundo o prefeito, houve flexibilização das regras nas áreas de expansão, mas foi intensificado o rigor das normas no centro histórico. Ângelo Oswaldo considera a "portaria muito importante porque vem compatibilizar a açao do Iphan com a ação municipal".

O documento é resultado de várias reuniões entre o Iphan, a Superintendência do Instituto em Minas Gerais, o Escritório Técnico em Ouro Preto e a Secretaria Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano da cidade.

A publicação das novas regras coincide com os 30 anos de tombamento de Ouro Preto como patrimônio cultural da huminidade, reconhecido pela Unesco.

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2010/10/ouro-preto-tem-novas-regras-para-preservacao-do-conjunto-historico.html

Criatividade e colaboração na sala de aula

Aiana Freitas - O Estado de S.Paulo
15 de novembro de 2010

A criação de ambientes que estimulam a criatividade e a colaboração tem se tornado regra nas empresas que buscam melhores resultados por meio da inovação. Arquitetos e designers agora têm aplicado esse conceito, também, em escolas e universidades ao redor do mundo.


A Universidade de Bangoc, na Tailândia, é considerada, pelo governo do país, um polo importante na formação de profissionais que, nos próximos anos, vão ajudar a fazer com que a economia tailandesa, hoje eminentemente agrícola, passe a ter características industriais. Isso mostra o tamanho do desafio enfrentado pelo estúdio Supermachine no desenvolvimento do novo Centro de Criação da instituição. A saída encontrada foi apostar na interação e na flexibilidade.

O espaço foi dividido entre workshop, biblioteca, showroom e escritório. Logo na entrada, uma parede de 180 metros quadrados é coberta por pequenas peças de plástico com quatro lados, cada um de uma cor. Os estudantes podem girar as peças, mudando o visual da parede a cada momento, e escrever mensagens nelas.

O movimento também marca a Escola de Arquitetura de Umea, na Suécia, que fica dentro da universidade local. O edifício, projetado pelos escritórios Henning Larsen e White Arkitekter em formato de cubo, tem janelas de diversos tamanhos espalhadas por toda sua fachada, dando a impressão de que foram dispostas aleatoriamente. A amplidão do espaço e os pontos de encontro informais criam uma atmosfera que estimula a ideia de colaboração e criatividade.

É também uma escola a primeira obra da internacionalmente badalada arquiteta iraquiana Zaha Hadid finalizada na Inglaterra. A Evelyn Grace Academy, em Brixton, faz parte do projeto ARK-Absolute Return for Kids, criado em 2004 pelo mega-investidor Arpad Busson para oferecer a jovens pobres condições melhores de ensino.

As turmas de estudantes são dispostas no prédio de acordo com o grau de ensino - as classes de ensino médio ficam no primeiro e segundos pisos, as de nível superior, no terceiro. No térreo estão as instalações esportivas, como uma pista de atletismo de 100 metros que cruza quase todo o terreno. "As escolas estão entre as primeiras de arquitetura que vivenciamos e têm um profundo impacto nas crianças enquanto elas crescem", define a arquiteta.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101115/not_imp640102,0.php

Pesquisadores medem maturidade das empresas em gerenciamento de projetos

Mauricio Lima
12/Novembro/2010

Estudo deve permitir ao empresário comparar seus resultados com outras empresas e aprimorar a qualidade de gestão
Método utilizado para medir a maturidade de empresas na área de gerenciamento de projeto, a Pesquisa de Maturidade em Gerenciamento de Projetos, permite que cada empresa, de diferentes segmentos, avalie a sua "maturidade" na área. Todo o estudo é conduzido pelos pesquisadores Darci Prado e Russel Archibald.

A ideia é que, a partir das pesquisas realizadas pelo site, o empresário possa comparar os seus resultados com outras empresas, traçar um plano de crescimento e aprimorar a qualidade de gestão de sua empresa.

A pesquisa referente a este ano já está em fase final e deve ser divulgada até dezembro. Os interessados ainda podem responder as perguntas até o fim do mês de novembro, pelo próprio site da pesquisa. Podem participar os responsáveis por setores da organização que tocam projetos.

O estudo aborda cinco grandes categorias de projetos usualmente executados pela indústria da construção: incorporação imobiliária, serviços (construção industrial, construção pesada) para clientes da iniciativa privada e obras públicas e de infraestrutura (inclusive construção pesada) para clientes do setor público.

A pesquisa permitirá uma radiografia do setor da construção quanto à sua capacidade de enfrentar grandes desafios, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O projeto conta com apoio de várias entidades, entre elas, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Associação Brasileira de Gerenciamento de Projetos (ABGP), a Fundação Dom Cabral (FDC) e o Instituto de Engenharia de São Paulo (IE-SP).

Na última edição, em 2008, 310 empresas responderam, e o índice de maturidade chegou, em média a 2,66, numa escala de 1 a 5, apresentando melhora em relação à pesquisa de 2006.

http://www.piniweb.com.br/construcao/gestao/pesquisadores-medem-maturidade-das-empresas-em-gerenciamento-de-projetos-191632-1.asp

Panorama Sobre a Sustentabilidade na Construção

por Roberto de Souza - diretor do CTE
26/10/2010

A sustentabilidade vem ganhando força significativa no setor da construção nos últimos quatro anos. São inúmeros os empreendimentos de diferentes tipologias que vem sendo objeto de práticas sustentáveis e certificação ambiental, em diferentes regiões do País. Cresce também a preocupação das empresas da cadeia produtiva da construção com a adoção de políticas de sustentabilidade e ações de responsabilidade social empresarial.

As perspectivas de crescimento do setor da construção e do mercado imobiliário são muito promissoras para os próximos anos e temos gargalos de prazos, custos, qualidade de obras e qualificação profissional, aspectos que também se referem ao desenvolvimento sustentável do mercado e das empresas da cadeia produtiva.

Na entrevista abaixo faço uma revisão conceitual da sustentabilidade aplicada à construção, considerando suas dimensões econômicas, ambientais e sociais, assim como uma retrospectiva das principais ações que as empresas do setor vêm conduzindo no campo da construção sustentável e da certificação de empreendimentos. Ao final aponto para os passos de implantação de um programa de gestão da sustentabilidade em empresas de incorporação e construção.

A sustentabilidade há muito deixou de ser modismo, e hoje desponta como tendência no mundo para um novo modelo de desenvolvimento econômico, para uma economia verde, inclusiva e responsável. O setor da construção civil já reconhece esta tendência?

Roberto de Souza - Realmente a sustentabilidade vem assumindo importância estratégica para os governos e empresas de vários setores da economia mundial. A crise de 2008, de início, fez refluir o movimento pela sustentabilidade nos países desenvolvidos. Em um segundo momento, no entanto, ficou claro que a crise ocorreu devido à fragilidade de um dos tripés da sustentabilidade, o econômico, por conta de um sistema financeiro internacional inconsistente e insustentável.

A retomada da economia mundial vem, a partir de então, pautada pela discussão de novos modelos econômicos, com forte ênfase ambiental, social e responsável, fortalecendo os aspectos econômicos e financeiros.

Em vários países, o setor da construção civil já reconhece esta tendência, assumindo práticas sustentáveis especialmente em empreendimentos, projetos, materiais e obras e parcialmente incorporando a sustentabilidade na empresa como um todo. Na construção civil brasileira, podemos ver esta tendência também ser reconhecida pelo crescimento acentuado de empreendimentos sustentáveis nos últimos quatro anos em vários segmentos: arenas esportivas, hospitais, shoppings e edifícios comerciais, industriais e habitacionais.

Como poderiam ser avaliadas as dimensões sociais, ambientais e econômicas no setor da construção civil?

Roberto de Souza - A dimensão econômica está relacionada aos resultados financeiros das empresas e dos empreendimentos. Ou seja, ao crescimento do faturamento e lucro das empresas, ao volume de vendas dos empreendimentos imobiliários, assim como à rentabilidade e taxa interna de retorno do capital investido. O atendimento aos prazos e o descolamento dos custos de obras em relação ao planejado e orçado, são também aspectos da dimensão econômica, pois estão diretamente ligados à rentabilidade dos empreendimentos. A qualidade do produto final é também uma dimensão econômica, pois está associada à satisfação do cliente, umdos principais stakeholders da empresa,e à redução de desperdícios e custos de manutenção do empreendimento pós-entrega.

A dimensão ambiental está relacionada aos resultados de redução dos impactos ambientais gerados pelas empresas e seus empreendimentos. Por exemplo, à eficiência energética, à redução do consumo de água, ao uso de materiais reciclados, à qualidade do ambiente interno, à minimização da geração de resíduos durante a obra e à gestão do lixo na fase de uso do empreendimento. As ações tomadas na fase de concepção do produto, desenvolvimento do projeto, especificação dos materiais e execução das obras, contribuem de forma significativa para o desempenho ambiental ao longo da vida útil do empreendimento.

A dimensão social está relacionada aos resultados sociais gerados pelas empresas, empreendimentos e obras. Podemos incluir nesta dimensão: o comportamento ético, os projetos de responsabilidade social, a gestão de pessoas e as ações de voluntariado das empresas. Estão também nesta dimensão as práticas de segurança e saúde ocupacional nos canteiros e as ações sociais e culturais nas obras, como programas de alfabetização, capacitação e treinamento, inclusão digital e implantação de bibliotecas em obras.

O setor da construção mostra-se hoje vigoroso diante dos indícios de um novo ciclo de expansão e das boas perspectivas de desenvolvimento do País para esta nova década. Quais as oportunidades que o setor tem para inserir a sustentabilidade em sua agenda nos próximos anos?

Roberto de Souza - Todos os indicadores apontam para um cenário de crescimento acelerado da construção civil no País. Os indicadores de desenvolvimento econômico são animadores, o mercado imobiliário está em franca expansão, o programa Minha Casa Minha Vida permitiu a entrada de novos segmentos sociais no mercado e teremos a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 com muitos investimentos em infraestrutura e mobilidade urbana.

A primeira questão é o que fazer para este crescimento ser sustentável? A cadeia produtiva está preparada para atender esta demanda?

É necessário, de antemão, um plano estratégico setorial para garantir que não faltarão recursos de investimento e financiamento, materiais e equipamentos, e profissionais qualificados, como projetistas, engenheiros de obras, equipes de produção. As empresas e o governo deverão também estar preparados em termos de planejamento e gestão para aprovar, projetar e construir dentro dos prazos e custos definidos, com garantia da qualidade.

A segunda questão diz respeito às diretrizes ambientais para o desenvolvimento, projeto e construção dos vários empreendimentos resultantes deste crescimento, que, como já falamos, envolvem economia de energia e água, utilização de materiais reciclados, gestão de resíduos e garantia da qualidade do ambiente interno.

Neste aspecto, temos hoje várias iniciativas em curso no mercado, que podem ser fortalecidas. A certificação ambiental dos empreendimentos pelo modelo americano do LEED®, do Green Building Council, por exemplo, vem crescendo de forma significativa no País. Hoje ocupamos a quinta posição no ranking de empreendimentos registrados para certificação (quase 200 empreendimentos), abaixo dos EUA, Emirados Árabes, Canadá e China. O modelo francês de certificação ambiental (AQUA) também começa a ocupar espaço no País. A Caixa Econômica Federal lançou também o Selo Casa Azul com 54 diretrizes para a construção sustentável dos empreendimentos. A Fifa tem um conjunto de diretrizes de sustentabilidade para a construção dos estádios, assim como o Comitê Olímpico Brasileiro para as Olimpíadas.

Na questão social, há um grande espaço para o setor investir na capacitação e o treinamento de seus profissionais nos diversos níveis, promovendo o desenvolvimento profissional de arquitetos, engenheiros e tecnólogos e a inclusão social dos operários para gerar aumento de emprego e renda.

Quais as práticas sustentáveis que o setor da construção no Brasil tem incorporado para o desenvolvimento sustentável de seus empreendimentos, projetos e obras?

Roberto de Souza - As principais práticas sustentáveis que estão sendo adotadas nos empreendimentos no Brasil podem divididas nas seguintes categorias e fases do empreendimento:

Estudos preliminares e concepção do produto: análise dos impactos econômicos e socioambientais; localização próxima aos transportes públicos; densidade e conectividade urbana.

Inserção do empreendimento no meio ambiente e na malha urbana: proteção e maximização de áreas verdes; acessibilidade nos empreendimentos; gestão da permeabilidade e escoamento das águas pluviais.

Uso e conservação de água: aproveitamento de águas pluviais; redução do uso de água potável para irrigação; medição individualizada de consumo.

Gestão do uso de energia: luminárias de alto rendimento e lâmpadas eficientes; sistemas de automação; elevadores inteligentes; estudos dos sistemas prediais para melhor desempenho energético; equipamentos e motores elétricos de alto desempenho.

Seleção de materiais e resíduos: redução do desperdício de materiais; previsão de áreas para depósitos de recicláveis; seleção de materiais com conteúdo reciclado e de madeiras com manejo sustentável.

Qualidade do ambiente construído: conforto ambiental; aproveitamento da iluminação natural.

Práticas ambientais nos canteiros de obras: gestão da geração de resíduos e coleta seletiva; desmobilização do canteiro com reaproveitamento; minimização das interferências no entorno: manutenção e limpeza de ruas e calçadas, arranjo físico do canteiro, proteção de bocas de lobo, execução de lava rodas e lava bicas; proteção de taludes e do solo contra erosão.

Práticas sociais nos canteiros de obras: saúde, segurança e condições de trabalho; educação e desenvolvimento profissional; ações sociais voltadas à comunidade; alfabetização; áreas de vivência e desenvolvimento cultural para os trabalhadores; inclusão digital.

Esta tendência já está sendo incorporada ou pensada também com relação ao desenvolvimento urbano?

Roberto de Souza - Paulatinamente a sustentabilidade vem sendo objeto de reflexão com relação ao desenvolvimento urbano, pelo menos no âmbito de bairros sustentáveis. Os países europeus, e em especial a França, via seu sistema de certificação ambiental HQE, está trabalhando em projetos de bairros sustentáveis. O USGBC apresentou no mês de junho deste ano a norma LEED-ND, focada na certificação ambiental de bairros sustentáveis. Alguns empreendimentos pilotos dentro e fora dos EUA estão aplicando esta metodologia em projetos de intervenção urbana e, no Brasil, a norma está sendo debatida e deve ser implementada em alguns empreendimentos.

Temos também aqui, o exemplo do loteamento Genesis da Takaoka, em Santana do Parnaíba/SP, desenvolvido a partir de premissas sustentáveis, que obteve a certificação ISO 14.000. Destaca-se também o empreendimento Pedra Branca, em Santa Catarina, que segue um conjunto de premissas sustentáveis.

Temos ainda o projeto Porto Maravilha, retrofit urbano no Rio de Janeiro, que está sendo concebido a partir de diretrizes de sustentabilidade.

Os ganhos de sustentabilidade acontecem apenas via certificação dos empreendimentos? Como ampliar a visão da sustentabilidade para os negócios das empresas da cadeia produtiva da construção?

Roberto de Souza - A sustentabilidade na construção brasileira realmente está acontecendo via certificação de uma ampla gama de empreendimentos pelo modelo americano do LEED-Green Building. Como este modelo define diretrizes sustentáveis a serem adotadas no empreendimento, temos alcançado muitos ganhos em diversas áreas, em especial na concepção de projetos, desenvolvimento de novas tecnologias e materiais e procedimentos de execução de obras.

Porém ainda estamos longe de incorporar, na estratégia e na gestão das empresas da cadeia produtiva da construção, todo o potencial que a sustentabilidade nos permite.

Quando tratamos do Green Building, nos referimos essencialmente à dimensão ambiental da sustentabilidade, deixando de lado as dimensões econômicas e sociais. Além disso, a empresa incorporadora em geral aplica as diretrizes do LEED somente ao empreendimento em processo de certificação, quando tem dezenas de empreendimentos em andamento.

Como aplicar, então, os conceitos da sustentabilidade ao DNA das empresas da cadeia produtiva da construção?

Roberto de Souza - Em primeiro lugar, abrindo espaço para incluir os aspectos de responsabilidade socioambiental na estratégia das empresas, em seus valores e em suas diretrizes de gestão. Algumas ações concretas podem sinalizar aos stakeholders da organização o compromisso com o desenvolvimento sustentável. Por exemplo, a adesão da empresa ao Pacto Global, a adoção dos indicadores ETHOS para medir o estágio da empresa em relação ao compromisso socioambiental, assim como podem ser desenvolvidas ações corporativas para reduzir as emissões de CO2 e o aquecimento global, e implementadas ações de responsabilidade social empresarial.

Em segundo lugar, as empresas podem incorporar as diretrizes ambientais, sociais e econômicas — tripé da sustentabilidade — aos seus processos de gestão. Por exemplo, uma incorporadora e construtora pode definir contornos sustentáveis para os processos de escolha de terreno, concepção de produto, desenvolvimento de projeto, suprimentos, execução de obras, manual de uso e assistência técnica. Para tal, os processos podem ser redesenhados, incluindo diretrizes socioambientais e check lists para verificar se as diretrizes estão sendo efetivamente aplicadas. Ou seja, podemos rodar nos processos empresariais um ciclo especial de PDCA, que incorpore a sustentabilidade no dia a dia da incorporadora e construtora.

Nas empresas fabricantes de materiais, a inclusão do DNA da sustentabilidade é também plenamente possível. No aspecto da produção, é necessário inovar nos produtos e redesenhar os processos de fabricação de materiais, incorporando as metodologias de Design Sustentável e Análise do Ciclo de Vida do Produto.

Enfim, a questão da sustentabilidade é um desafio complexo para as empresas da cadeia produtiva, mas pode ser enfrentada de forma evolutiva, definindo-se planos de ação e prazos factíveis, que irão consolidar a cultura do desenvolvimento sustentável na organização. Na verdade, trata-se de estabelecer um programa estratégico, pois a tendência é a de evoluirmos cada vez mais rápido para uma sociedade e uma economia em que os valores da sustentabilidade sejam adotados por consumidores, contratantes, investidores e governos.

“Pensar globalmente e agir localmente”, esta é uma boa dica para as empresas que têm compromisso com as futuras gerações.

Quais seriam os passos concretos para implantar de forma objetiva a sustentabilidade nos processos de gestão das empresas de construção?

Roberto de Souza - A incorporação dos conceitos de sustentabilidade nas organizações consiste em um dos grandes desafios para a diferenciação entre as empresas do setor da construção visando seu desenvolvimento sustentável.

A ampliação da visão puramente econômica com a inclusão das dimensões ambientais e sociais na estratégia empresarial, aliada a ferramentas para a gestão e controle das operações de forma transparente e ética, são, certamente, objetivos a serem alcançados pelas organizações preocupadas com sua atuação no médio e longo prazo.

Mas como de forma prática dar os passos rumo à gestão da sustentabilidade nas empresas de incorporação e construção?

Inicialmente, conhecendo as principais iniciativas, normas e referências em sustentabilidade do mundo e do Brasil e selecionando as adequadas à realidade do setor da construção, tanto nos aspectos corporativos quanto nos aspectos aplicáveis a empreendimentos, projetos, materiais e obras.

Em segundo lugar, definindo o posicionamento atual da empresa em relação às práticas de sustentabilidade reconhecidas internacionalmente, criando um plano de ação visando implantar projetos de responsabilidade social e ambiental, mapeando as partes interessadas no negócio da empresa (stakeholders) e promovendo o diálogo e engajamento da organização com seus diferentes públicos. Este segundo passo deve ser complementado com a criação de um programa de alinhamento, sensibilização e educação dos colaboradores para promover a cultura da sustentabilidade. Definir uma política de sustentabilidade e incorporá-la na missão, visão e valores da empresa, encerram este segundo passo e alinham a estratégia, a gestão e a cultura empresarial.

O terceiro passo rumo à gestão da sustentabilidade é o desdobramento dos aspectos socioambientais para os processos de seleção do terreno, concepção do produto, desenvolvimento do projeto e lançamento do empreendimento. Neste momento, além de definir critérios de sustentabilidade para aquisição do terreno, é importante definir de forma clara o que é um empreendimento sustentável e quais diretrizes de sustentabilidade serão adotadas na prática. Tais diretrizes envolvem a dimensão ambiental — energia, água, resíduos, materiais reciclados, áreas verdes, áreas contaminadas — e a dimensão da responsabilidade social no desenvolvimento do empreendimento. Todas estas diretrizes devem ser desdobradas para os projetos e especificação de materiais, e chegar também à campanha de lançamento e marketing do empreendimento.

O quarto passo é o da gestão do processo de suprimentos com foco na sustentabilidade, o que envolve a definição de critérios ambientais e sociais para seleção, contratação e avaliação de fornecedores de projeto, materiais e serviços de execução de obras e outros serviços contratados pela incorporadora e construtora. Trata-se, neste momento, de expandir as práticas de sustentabilidade para a cadeia de fornecedores.

O quinto passo é a gestão da sustentabilidade dos canteiros de obras. É fundamental definir o que é uma obra sustentável, definir as diretrizes ambientais para a implantação e operação do canteiro — água, energia, resíduos, poluição, recursos naturais, preservação de fauna e flora, solo e subsolo — e as diretrizes sociais na gestão e execução da obra — relacionamento com a comunidade local, relações de trabalho, direitos humanos, educação e desenvolvimento dos trabalhadores, inclusão social, inclusão digital, ambiente de trabalho, saúde e segurança do trabalho e educação ambiental dos colaboradores de obra.

O sexto passo está focado na gestão da sustentabilidade na entrega do empreendimento e na fase de uso, operação e assistência técnica. Neste momento são definidas as diretrizes sustentáveis para a operação, uso e assistência técnica do empreendimento, assim como um programa de educação ambiental para os usuários e operadores. Tais diretrizes são consolidadas no manual de operação, uso e manutenção do edifício, destacando as tecnologias sustentáveis implantadas.

O sétimo passo rumo à gestão da sustentabilidade é o monitoramento, controle e comunicação da sustentabilidade. Para tal, é necessária a criação de indicadores para monitoramento e controle do desempenho econômico, ambiental e social da empresa. Este monitoramento do desempenho vai permitir a elaboração de relatórios de sustentabilidade da empresa com base em referências, como os Indicadores do Instituto ETHOS e do GRI - Global Reporting Initiative. Com os relatórios consolidados, é possível definir formas de comunicação da sustentabilidade empresarial tanto para o público interno quanto para as partes interessadas no negócio da incorporadora e construtora, divulgando as vantagens competitivas da empresa no que se refere à sustentabilidade.

http://www.cte.com.br/site/informativo_noticia.php?id_artigo=3043

O que os brasileiros pensam e sabem sobre sustentabilidade

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Foi divulgado ontem, em São Paulo, o resultado da pesquisa “Sustentabilidade Aqui e Agora”, feita pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Walmart Brasil, com apoio da Agência Envolverde e da Synovate Research.

A pesquisa nasceu do desejo conjunto da Walmart Brasil e do Ministério do Meio Ambiente de verificar se a campanha para redução do uso de sacolas plásticas tinha sido assimilada pelo consumidor. Afinal, é este consumidor – um cidadão comum – que define ou não a mudança de um hábito, quando não há lei estabelecendo uma obrigatoriedade ou proibição.

Uma pergunta básica serviu de “fio condutor” para o levantamento: O que você faria se acordasse amanhã e não existissem mais sacolas plásticas? A partir dela, foi sendo elaborado um questionário cujas respostas permitiram delinear um retrato sobre hábitos e comportamentos de consumo dos brasileiros. As perguntas foram tanto “diretas” – vc recicla seu lixo? – quanto “indiretas” – “o que é importante para sua felicidade atualmente? - Muitas foram reproduzidas da pesquisa “O que os brasileiros pensam do Meio Ambiente e da Sustentabilidade”, que o Ministério do Meio Ambiente faz desde 1991. Outras foram elaboradas para que as respostas pudessem orientar a regulação / aplicação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos e do Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentáveis. Tanto a Lei quanto o Plano postulam a responsabilidade compartilhada entre governos, setor produtivo e sociedade no gerenciamento dos resíduos e na mudança de padrões de produção e consumo.

Houve ainda um bloco de perguntas feitas para verificar o comportamento dos brasileiros em relação a uma série de temas da sustentabilidade. As respostas podem ajudar na formulação de políticas públicas ou privadas e também em programas educacionais diversos.

As capitais pesquisadas foram: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro.

Quanto às sacolas plásticas, 69% afirmaram que carregariam suas compras em sacos ou sacolas de outro material, se as plásticas deixassem de existir.

Com relação às demais perguntas, as respostas confirmam uma tendência já detectada em outras pesquisas (inclusive a realizada pelo Instituto Ethos e pelo Instituto Akatu – “Percepção da RSE pelo Consumidor Brasileiro”): o cidadão comum está mais preocupado em conhecer os temas da sustentabilidade do que propriamente em mudar o comportamento. O brasileiro exibe “preocupação” com a causa ambiental, mas não pensa que seja o principal problema do bairro, da cidade ou do país. Nas grandes cidades principalmente, onde hoje moram 75% da população brasileira, saúde e violência são indicadas como principais problemas urbanos (30% e 24% das respostas), mas nenhuma resposta considerou estes problemas relacionados com a degradação ambiental dos grandes centros urbanos.

No entanto, 9 em cada 10 pesquisados acreditam que “da forma como usamos a água, dentro de pouco tempo não teremos água para beber”. 25% dos entrevistados guarda lixo eletrônico em casa por não saber como descartá-lo. Apenas 1 em 5 acredita que “a preocupação com o meio ambiente no Brasil é exagerada”.

Dois dados importantes emergiram: 59% das pessoas que participaram da pesquisa acreditam que a preservação dos recursos naturais deve estar acima das questões relacionadas à economia. E também 59% não acreditam que os problemas ambientais podem ser solucionados com pequenas mudanças de hábitos. Para estes, só grandes transformações nos hábitos de consumo, transporte e alimentação podem realmente ajudar a manter o equilíbrio futuro. Mais: 85% dizem que “qualquer mudança do ser humano na natureza provavelmente vai piorar as coisas”.

63% dos respondentes elegeram a escola como a organização mais importante na educação ambiental; em seguida, com 58%, vem a comunidade, e com 43%, as igrejas. Partidos / governos e empresas vêm no fim da fila, com 36% e 27 %, respectivamente.

A pesquisa também mostrou hábitos em transformação: 45% evitaram jogar produtos tóxicos ou que agridam o meio ambiente no lixo comum; 41% consertaram algum produto quebrado para prolongar a vida útil; e 31% deixaram de comprar algum produto por informações contidas no rótulo.

De modo geral, as respostas às “perguntas indiretas” mostram o Brasil como uma sociedade com valores e esperança na humanidade. Tempo para ficar com a família e os amigos e fé na capacidade humana de superar obstáculos estão entre os principais valores para 44% dos respondentes. 25% das pessoas também gostariam de ter mais tempo e condições materiais para aprofundar os estudos e melhorar o desempenho profissional.

As respostas trazem um mundo de oportunidades para as empresas, principalmente as mais engajadas no movimento da responsabilidade social, fazerem avançar a agenda do desenvolvimento sustentável.

No âmbito empresarial, um dos fatores limitantes a este avanço tem sido justamente a falta de mecanismos de mercado que premiem ou punam os produtos e os comportamentos das empresas. Com isso, o consumidor não consegue diferenciar uma empresa responsável de outra que não está preocupada com os impactos da sua atividade, e não eleva o padrão de exigência. Esta falta de referências prejudica também as empresas que querem evoluir na gestão sustentável, uma vez que o comportamento mais responsável não é percebido como “valor” pelo mercado e pelos consumidores.

Esta consciência superficial do consumidor, trazida à tona por esta pesquisa Walmart-MMA demonstra algo que o Ethos já vem alertando a sociedade: o risco de mudar, não mudando nada.

Por isso, é urgente que as empresas mais engajadas na RSE criem referências para o mercado e a sociedade diferenciá-las e elevar o nível de exigência em relação às demais.

Como fazer isso?

As empresas precisam usar sua força para articular os diversos setores sociais em torno de uma agenda compromissos pelo desenvolvimento sustentável que: - promova cultura apoiada em valores humanistas, na democracia, no bem-estar e na qualidade vida.

- divulgue e dissemine a incorporação destes valores pela cidadania e pelo mercado.
- articule os vários segmentos sociais para a aprovação de políticas públicas que visem o desenvolvimento sustentável
- amplie os espaços de diálogo e negociação entre empresas, governos e sociedade civil

Já existe a percepção de que a sustentabilidade não é incompatível com o crescimento econômico. É preciso, no entanto, demonstrar que sem sustentabilidade não há crescimento econômico duradouro, nem no mercado, nem na sociedade. As empresas podem jogar um papel decisivo neste processo, ao assumirem a liderança e o protagonismo dele.

http://vqv.me/e59

Planejamento ou Pensamento Estratégico?

23/11/2010

*Por Luis Augusto Lobão Mendes, professor da FDC.


Existe hoje, no contexto da formulação estratégica nas organizações, uma questão fundamental: as definições empresariais e seu desdobramento serão mais bem conduzidos por um processo de planejamento ou de pensamento estratégico?

No processo do planejamento estratégico a palavra chave é “análise”, ou seja, o desmembramento dos principais aspectos relacionados com a estratégia empresarial em várias partes, para facilitar seu estudo e conseqüente compreensão, e assim tomar decisões fundamentadas em fatos concretos e dados precisos. O objetivo é conhecer a natureza da organização, fazer um bom diagnóstico do desafio e conceber suas intenções estratégicas (missão visão e valores), este processo parte do entendimento do ambiente e dos fatores competitivos (externos e internos) e, então, traçar objetivos e metas de médio e curto prazo e os correspondentes planos de ação (formalmente documentados). O que pode ser questionado neste processo? Um planejamento formal, com ações previamente estabelecidas, pode levar a organização na direção errada, particularmente num mundo onde a mudança das condições de competição é ato contínuo.

Assumindo que a estratégia é um pensamento complexo, por natureza, envolvendo percepção e intuição, podemos então aceitar que a estratégia acontece em nossa mente, antes de desenvolvermos todo o processamento analítico e sistemático do planejamento. Um processo no qual as informações nem sempre são precisas, às vezes são abundantes, outras vezes indisponíveis. É onde se baseia os defensores do processo de pensamento estratégico, onde a palavra de ordem é “síntese”, ou seja, a reunião de elementos concretos e abstratos em um todo, que tem sua origem num processo mental intricado com pensamento não-linear, que trata da complexidade de um grande volume de informações, que assume que os riscos inerentes são naturais e, assim, faz uso de intuição para a tomada de decisão e de criatividade para o desenvolvimento de novas abordagens para problemas antigos. Para esta escola, ter estratégia significa ter consistência de comportamento ao longo do tempo.

Atualmente, por razões históricas, sociais e antropológicas, estamos diante da possibilidade de melhor utilizar o cérebro e a mente, aprendendo a lidar com os pensamentos de modo mais produtivo. O sucesso das empresas, em um mundo de mudanças cada vez mais rápidas, requer das empresas um modelo estratégico de gestão de negócios e que seus gerentes e especialistas sejam criativos e habilidosos e possuam elevado nível de pensamento estratégico. Isso será necessário e de grande valia para a empresa ou suas unidades de negócio no desenvolvimento de cenários mais confiáveis e para reduzir a incerteza de suas decisões de negócios. Esta habilidade para o pensamento estratégico também será importante quando a empresa necessitar inovar - imperativo competitivo para todas as empresas, especialmente quando ela operar em ambientes altamente competitivos, onde for difícil e mesmo impossível desenvolver e sustentar vantagem competitiva estrutural ou operacional sem ser imitada pela concorrência.

http://www.fdc.org.br/pt/blog_estrategia/default.aspx

Construção civil enfrenta gargalo na mão de obra

Escassez de profissionais gera aumentos salariais e pressiona inflação

O crescimento da construção civil deverá desacelerar em 2011, assim como grande parte dos setores da economia brasileira. O principal motivo, no entanto, não será, em um primeiro momento, a redução da oferta de financiamento ou a alta dos juros. Segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, mais tangível que uma eventual perda de dinamismo no mercado de crédito é a imensa dificuldade das construtoras em encontrar trabalhadores.

A mão de obra que existe é escassa e cara. Entre janeiro e novembro deste ano, o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 6,95%, sendo que o item ‘mão de obra’ foi o que mais o pressionou, com um aumento de 8,73%. “Os empresários estão pessimistas quanto à evolução dos custos", afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da instituição.

A técnica da FGV explica que a indústria da construção trabalha hoje com um nível de ocupação recorde, o que tem elevado os custos das obras e pressionado o desempenho do setor. Por essa razão, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) anunciou que o crescimento de 11% previsto para 2010 deve cair para 6% no próximo ano. “É o setor que mais deverá sofrer caso haja uma desaceleração da economia, pois a casa própria não é uma demanda urgente. Ela pode ser adiada”, afirma o economista Roy Martelanc, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

A construtora Goldfarb, que atua nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tem sofrido com esse gargalo. A empresa aponta que a dificuldade não está apenas em contratar, mas também em manter os profissionais, independentemente do tipo de cargo que estejam ocupando. “É uma questão que afeta desde os diretores, passando pelo engenheiros, até os operários. No entanto, o leilão salarial é mais forte nos cargos mais altos, pois esses profissionais têm consciência da escassez no mercado e estão atentos às oportunidades”, afirma Cristina Laur, gerente de Recursos Humanos da Goldfarb.

Empresas investem em formação – Na avaliação da executiva, a falta de formação adequada em algumas categorias é um agravante – fato que fez a empresa firmar parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e outras escolas de capacitação, além de criar um programa específico para engenheiros recém-formados. “As universidades liberam no mercado muita gente despreparada e construir é um trabalho de muita responsabilidade”, afirma.

Para obras fora do estado de São Paulo, a Goldfarb chega a levar mestres de obras próprios até as cidades onde estão localizadas as construções devido à impossibilidade de encontrar o mesmo profissional no local. “Em 2011, acredito que teremos até mais dificuldades no âmbito operacional, pois muitos projetos lançados neste ano serão efetivamente construídos em 2011. E isso acaba sendo um impeditivo para o crescimento da empresa”, diz a gerente.

No tocante aos cargos mais altos, o movimento que atualmente ocorre com engenheiros e arquitetos é semelhante ao que aconteceu com o mercado de consultores de SAP (sistema tecnológico de gestão de empresas). Companhias especializadas em aplicar o 'software' em outras empresas, como a IBM, acabaram perdendo seus profissionais, pois estes preferiam trabalhar como autônomos para obter melhor remuneração. De acordo com Sofia Esteves, presidente do grupo de recursos humanos DMRH, o 'leilão' de engenheiros e arquitetos que se repete hoje pode ser nocivo. “São bolhas salariais que, em um determinado momento, estouram. E os profissionais movidos apenas pelo salário podem ter dificuldade em encontrar recolocação quando o setor se estabilizar”, afirma.

Escassez de operários é restrita – No caso dos operários da construção civil, como os pedreiros, os problemas existem, mas são menos graves. A razão é que sua formação exige baixo investimento por parte das empresas. Além disso, a escassez é restrita a alguns mercados, como partes do Sudeste, e tem sido suprida pela migração de brasileiros em busca de trabalho. Na construtora mineira MRV – que possui obras em 87 cidades do Brasil e fechou o 3º trimestre do ano com 889,7 milhões de reais em vendas contratadas, sendo 71% das unidades vendidas no Programa Minha Casa, Minha Vida –, a falta de operários não acontece. “Em todas as regiões esse tipo de mão de obra está presente. O que ocorre com freqüência é o envio de profissionais mais especializados da própria empresa, como mestres de obras, para outros locais”, afirma Ricardo Paixão, diretor do Centro de Serviços Compartilhados da MRV.

A companhia, inclusive, se antecipou ao aquecimento do mercado de trabalho na construção civil e, desde 2000, forma seus próprios profissionais desde o momento em que saem da universidade. “A diferença é que, naquela época, formávamos três engenheiros por turma, e hoje formamos quarenta”, conta o diretor. De acordo com a política de formação interna da MRV, são contratados anualmente 450 estagiários provenientes de faculdades com as quais a empresa tem convênio, como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dois anos depois, os estagiários formados preenchem 200 vagas de engenheiros para, cinco anos após, ocuparem trinta cargos de supervisores e pleitearem um cargo de direção na empresa. Trata-se de um caminho de, aproximadamente, doze anos.

“Quem reclama que falta profissional está muito focado no Sudeste. O Brasil está cheio de gente querendo trabalhar”, afirma Paixão, que não acredita que o setor de construção esteja esgotado. “A realidade é que, até 2030, a curva de demanda por habitação é maior do que as empresas conseguirão ofertar”, explica. O que o setor ainda não tem certeza é se o crédito para que a população concretize a demanda estará assim tão fácil nos próximos vinte anos.


http://veja.abril.com.br/noticia/economia/salarios-da-construcao-civil-podem-se-transformar-em-bolha

Desafios e oportunidades para o setor da construção em 2011

Blog 14/12/2010
por Roberto de Souza

O Brasil vive um momento macroeconômico favorável, com projeções de crescimento do PIB na faixa de 4,5 a 5,5% para os próximos anos. O governo também dá sinais de que o futuro político permanece estável, o que estimula e propicia o desenvolvimento dos setores produtivos do País, entre eles o da construção.

Para o setor da construção, ressaltam-se alguns indicadores muito promissores: o crédito imobiliário aumentou significativamente nos últimos anos, o ano de 2010 deve fechar com algo em torno de R$ 54 bilhões, sendo a previsão para 2011 de R$ 80 bilhões; houve expressivo crescimento da classe C (mais de 45 milhões de pessoas foram incluídas nesta faixa, cerca de 50% da população); estão previstos investimentos na ordem R$ 60 bilhões nos próximos anos por conta da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

As perspectivas para o setor, portanto, são boas, de continuidade do crescimento, embora não tão acelerado como foi até então.

Quais são os desafios estratégicos e de gestão para as empresas da cadeia produtiva da construção a partir de 2011?

• As empresas devem conhecer bem os seus negócios e melhor ainda as necessidades dos clientes e, assim, elaborar com o maior detalhamento possível seus projetos e produtos, controlar os riscos e desenvolver programas de gerenciamento, pois a visão do todo faz a diferença e gera conhecimento dentro da organização, o que permite aperfeiçoamento técnico e especialização, inovação e viabilização de novas formas de executar e contratar. Por isso, o planejamento estratégico é fundamental, principalmente para prever requisitos para garantia da qualidade, prazos e custos.

• Devem alcançar o sucesso as empresas que conseguirem implementar uma nova dinâmica e filosofia empresarial, se apropriar das vantagens de um mercado estável, estabelecer metas e parcerias estratégicas, construir com melhor custo-benefício, redescobrir uma nova maneira de produzir, investir além dos grandes centros urbanos, captar e formar mão de obra, insistir na qualidade, criar os diferenciais em seus produtos e incorporar a sustentabilidade em sua estratégia, produtos e processos.

• Outros componentes, no entanto, devem ser dimensionados para as empresas darem conta desses gargalos. Um deles é industrialização da construção, que contribui para o processo de planejamento com a simplificação das atividades no canteiro de obra, assim como a padronização de processos e de projetos permite que os custos sejam mais previsíveis, sendo que o aumento de escala de produção pode ser facilitado com o maior grau de racionalização.

• Um dos grandes e inevitáveis desafios para o setor da construção brasileira nos próximos anos será a adoção e implantação do BIM – Building Information Modeling, uma ferramenta de trabalho que permite, por meio da modelagem em três dimensões (3D), resolver interferências entre subsistemas, definir quantitativos e orçamentos e o plano de ataque da obra, assim como fazer o seu gerenciamento. Esta ferramenta comprovadamente gera inúmeros benefícios, reduzindo prazos e custos e melhorando a qualidade dos processos e do produto final.

• Diante de um futuro e mercado vigoroso, as empresas do setor da construção têm excelentes oportunidades de acompanhar a tendência mundial e inserir a sustentabilidade em suas agendas nos próximos anos e tornar todo esse crescimento sustentável. Podem abrir espaço para incluir os aspectos de responsabilidade socioambiental na estratégia das empresas, em seus valores e em suas diretrizes de gestão. Podem incorporar as diretrizes ambientais, sociais e econômicas — tripé da sustentabilidade — aos seus processos de gestão, inovando nos produtos e redesenhando os processos de produção. Podem adotar as diretrizes ambientais para o desenvolvimento, projeto e construção dos vários empreendimentos, que envolvem economia de energia e água, utilização de materiais reciclados, gestão de resíduos e garantia da qualidade do ambiente interno, buscando também a certificação ambiental dos empreendimentos (segundo os modelos presentes no Brasil, LEED® e AQUA).

• A sustentabilidade tem a ver também com gestão do conhecimento e de pessoas. Se hoje há falta de mão de obra qualificada no mercado, é necessário procurar alternativas criativas e concretas para sanar esta escassez. Há um grande espaço para as empresas investirem na capacitação e no treinamento de seus profissionais nos diversos níveis, promovendo o desenvolvimento profissional de arquitetos, engenheiros e e tecnólogos e a inclusão social dos operários para gerar aumento de emprego e renda.

http://www.cte.com.br/site/informativo_noticia.php?id_artigo=3319

Desafios da sustentabilidade na construção

Notícia 11/11/2010
Fonte: Planeta Sustentável

Para especialistas brasileiros e internacionais - reunidos no 3º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável e Conferência Internacional Sustainable Building 2010* investimentos em ecoeficiência, adaptação às mudanças climáticas e visão de longo prazo - que não se restrinja a eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas -, aliadas ao conceito de bem-estar e reciclagem profissional, devem ser prioridade nos projetos construtivos
Por Sucena Shkrada Resk - Edição: Mônica Nunes


Adaptar e ampliar o número de construções sustentáveis é um dos desafios que mobiliza, hoje, esse setor. No caso do Brasil, só no campo habitacional, há cerca de 50 milhões de unidades urbanas construídas em 5.567 municípios brasileiros, o que representa 85% do total, com uma contra-partida de, pelo o menos, 10% de déficit, segundo números oficiais de 2008.

“Não há necessidade só de construir, mas de recuperar boa parte dessas moradias”, afirma o Doutor em Engenharia, Alex Abiko, professor da Poli-USP – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Nesse processo, estão inseridos quesitos como eficiência energética, adaptação às mudanças climáticas com perspectiva de longo prazo, reciclagem periódica dos profissionais do setor sobre recursos e ações sustentáveis e, acima de tudo, a promoção do bem-estar da população, com a qualidade do ambiente interno.

A equação, no entanto, não é tão simples, como destaca o engenheiro Marcelo Takaoka, presidente do conselho deliberativo do CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável*. Um ponto a ser administrado, segundo ele, é a necessidade de integração de ações do poder público, do empresariado e da academia, para que não se mantenha a dispersão de esforços, que ocorre atualmente.

Takaoka alerta que os edifícios são responsáveis por cerca de 10% do Produto Interno Bruto - PIB mundial, sendo 15% no Brasil. “As construções são responsáveis por 40% dos materiais consumidos, 30% da geração de resíduos sólidos e 20% de consumo de água. Existe um potencial de se reduzir 30% desse consumo”, destaca.

O PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente* revela que, globalmente, só os edifícios são responsáveis por 40% do consumo anual de energia e até 30% da emissão de todos os GEE - gases de efeito estufa relacionados com o consumo de energia.

Hoje, uma das principais questões a serem enfrentadas pelo segmento, na avaliação de Takaoka, é a necessidade de conscientização de que a introdução, por exemplo, da eficiência energética, na fase de implementação, precisa de mais incentivos financeiros. “Um pouco a mais que se gasta com a implantação, pode ser recuperado com benefícios na ponta, por exemplo, como diminuição de valores de condomínios”, diz o engenheiro.

Para ele, ao se tratar de eficiência, é preciso pensá-la desde o contexto de bairro, do município, com relação a tratamento de esgoto, de saneamento, ou seja, no entorno das edificações. “As melhorias devem ir além do empreendimento e incorporar o que está ao redor da área residencial, desde a escola, o centro de saúde, até comércio e serviços, para otimizar a infraestrutura urbana. Isso auxilia também na redução de custos com transportes”, afirma.

NOVA ETIQUETA PARA EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS
Até o final deste mês, está programado o lançamento da etiqueta Procel-Edifica, para casas ou edifícios residenciais, segundo Solange Nogueira, chefe da Divisão de Eficiência Energética e Edificações da Eletrobrás. Essa etiqueta classificará os produtos de E a A e tem caráter voluntário.

“O novo selo mostrará para a sociedade qual e o nível de eficiência de consumo de energia nos prédios. Os projetos e a construção concluída serão avaliados por um organismo de inspeção acreditado pelo Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, com relação ao sistema de iluminação, ar-condicionado e no envoltório, que inclui fachada e cobertura”, explica ela.
De acordo com Solange, a etiqueta para edifícios comerciais, públicos e de serviços foi lançada em 2009. Hoje, já existem 12 prédios etiquetados e 8 em processo, nos estados de BA, PA, SC. Para divulgar o lançamento foi feita parceria com 15 instituições universitárias no país. Terminou a consulta pública em que foram recebidos 400 comentários e a consulta de requisito técnico está em fase de conclusão. As propostas serão avaliadas por uma comissão técnica do Inmetro, para que seja instituída a portaria.

LIÇÕES DOS JOGOS PAN-AMERICANOS
A representante do PNUMA, Cristina Montenegro, explica que a aceleração do mercado de construção, nos próximos anos, com a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos, além da Rio +20 (evento de balanço 20 anos depois da ECO 92), terá o tema da economia verde em alta. Isso é um aspecto importante a ser observado quanto às construções sustentáveis, segundo ela.

Sobre as lições que o Brasil pode tirar, por exemplo, de algumas construções viabilizadas - já que foi sede dos Jogos Pan-americanos (2007) -, criticadas quanto à qualidade, Cristina diz: “Naquela época, muitas coisas não foram cumpridas e mantidas a longo prazo, como serviços de manutenção da qualidade de água. Alguns edifícios que seriam destinados à demanda social também não foram concluídos”. Ela acrescenta que a preocupação com a projeção de longo prazo de grandes eventos mundiais se acentua no PNUMA, desde as Olimpíadas de Sidney (2000). “O objetivo não é preparar cidades e locais somente para situações imediatas”, avalia.

Cristina diz, também, que construção e energias renováveis são assuntos centrais na economia de baixo carbono. Como contribuição ao setor construtivo, a instituição disponibiliza para download em sua página, a publicação Iniciativa para Construção Sustentável e o Clima.

A CONSTRUÇÃO E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Especialistas internacionais analisam que há uma corrida contra o tempo, para que haja a adaptação dos modelos construtivos às mudanças climáticas, como é o caso de Nills Larson, diretor-executivo do iiSBE – International Initiative for a Sustainable Built Environment*. Ele recomenda que devem haver critérios mais rigorosos nas construções em locais sujeitos a incidentes climáticos, como em regiões de praias e rios ou em áreas desérticas.

Com a perspectiva de a população urbana, em nações em desenvolvimento, chegar a 2,5 bilhões de pessoas em 2050, Larson considera que países como Brasil, China e Índia devem acelerar as construções ecoeficientesnos próximos anos. “Também é preciso pensar na demanda de refugiados climáticos e na necessidade de serviços básicos em conjunto com a redução de emissões de GEEs – gases de efeito estufa”, destaca.

O especialista complementa que uma alternativa seria a de introduzir impostos sobre o carbono, além de parar com o funcionamento das usinas de carvão, a não ser que haja sequestro significativo, o que não existe até agora, como também reduzir cargas de pico em redes elétricas, mudando horários de operação.

O professor da Escola de Projeto, Construção e Planejamento da Universidade da Flórida, EUA, Charles Kibert, alerta que 80% de nossa energia primária é consumida por edifícios. “Tudo deve ser observado para diminuir o consumo. O comportamento das pessoas é um elemento importante dentro da concepção do projeto, para isso, é preciso ter o feedback delas no projeto”.

Marcelo Takaoka, do CBCS, explica que a manutenção de cursos de reciclagem para dos profissionais do setor, principalmente operários, deve ser realizada, no mínimo, semestralmente. “Por experiência, percebemos que esse prazo é o ideal”, ressalta.

O desafio de assimilar facilmente o ciclo da sustentabilidade na construção se encontra ainda dentro do poder público, de acordo com Casemiro Tércio Carvalho, secretário-adjunto de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Ele cita como exemplo o setor das compras verdes.

“Estamos construindo um documento em conjunto com o Sinduscon – SP - Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo e a CBCS, neste sentido, afirma. Em dezembro, também será promovida a Primeira Bolsa Internacional de Compras Verdes*, dirigida a pequenos e médios empresários, fundos de investimento e incubadoras em universidades.

INTERESSE SOCIAL E MEIO AMBIENTE
Representantes do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil* e do PBQP – Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, do Ministério das Cidades*, alertam, ainda, que os modelos de habitação de interesse social, no país, devem ser revisados, visando à sustentabilidade.

Com todas essas demandas, a incorporação do conceito se difunde aos poucos no setor da construção. Uma das iniciativas é a criação do programa de sustentabilidade da CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Mais um desafio é se adaptar às novas exigências das normas técnicas vigentes.

O presidente do Sinduscon - SP, Sérgio Watanabe, explica que uma delas é a de desempenho, existente há dois anos, que agrega análise de ruído, conforto de ambiente interno, entre outros quesitos. “Teríamos de estar adequados, neste mês, mas conseguimos uma prorrogação para 2012, com a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas*, no que se refere a áreas acústicas de paredes a lajes, porque ainda o setor precisa de adaptar”, afirma.

A CONSTRUÇÃO E OS FINANCIAMENTOS
No contexto do financiamento, também estão sendo implementadas mudanças significativas. Christopher Wells, especialista em risco socioambiental do Banco Santander, explica que as maiores instituições financeiras brasileiras hoje seguem os Princípios do Equador*, que mundialmente tem mais de 60 bancos signatários voluntariamente.

“Com isso, avaliamos se o EIA-RIMA - Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impacto teve boa qualidade, mesmo se já foi aceito pelo órgão ambiental. Também verificamos qual a receptividade da sociedade em audiências públicas, além de outros aspectos, como as emissões de poluentes”, acrescenta o executivo do Santander.

Segundo Wells, grandes obras, como do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, com investimentos igual ou acima de US$ 10 mi, se adequam ao perfil das exigências de normas socioambientais do BIRD – Banco Mundial.

Mais um estímulo ao financiamento de construções sustentáveis é o Protocolo Verde, firmado no ano passado entre a Febraban – Federação Brasileira dos Bancos e o MMA – Ministério do Meio Ambiente, que propõe condições diferenciadas a projetos que tenham adicionalidade socioambiental, mediante algumas contra-partidas como a apresentação das licenças ambientais dos empreendimentos.


“Desde então, estão sendo feitas melhorias, mas ainda há um gigantesco estoque dessas habitações nas médias e grandes cidades. Mais um ponto a se trabalhar se refere ao esgotamento sanitário, já que mais de metade do país não tem acesso. Mas o Brasil não é o único nessa situação. Até países ricos estão longe do ideal. Por isso, é preciso comprometimento constante, com políticas de Estado e cobrança da sociedade”, considera.

CONSTRUÇÕES ECOLÓGICAS
Christer Söström, professor de materiais de construção da Universidade de Gävie, explica que o design deve ter a conexão entre o individual e o coletivo integrado ao local, com estratégias regionais, além de minimizar o impacto das adversidades de desenvolvimento sobre o ciclo de vida e valorizar os aspectos culturais e sociais continuamente. Outro aspecto a ser observado é de resolver conflitos de interesses.

Segundo o acadêmico, é importante o envolvimento dos stakeholders (partes interessadas) e a comunicação por meio de publicações e jornais auxiliem o processo. Söstrom ainda destaca que o perfil das construções ecológicas é baseado no ciclo de vida, mínimo de consumo de energia, monitoramento e uso de manuais do edifício e adaptabilidade, entre outros.

*Os especialistas participaram do 3º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável/Conferência Internacional Sustainable Building 2010, realizados nos dias 8 e 9 de outubro, em São Paulo, respectivamente sob realização do CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável e PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com parceria de universidades públicas brasileiras entre outros apoiadores.
CAPACITAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE
Marcelo Takaoka, do CBCS, explica que a manutenção de cursos de reciclagem para dos profissionais do setor, principalmente operários, deve ser realizada, no mínimo, semestralmente. “Por experiência, percebemos que esse prazo é o ideal”, ressalta.

O desafio de assimilar facilmente o ciclo da sustentabilidade na construção se encontra ainda dentro do poder público, de acordo com Casemiro Tércio Carvalho, secretário-adjunto de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Ele cita como exemplo o setor das compras verdes.

“Estamos construindo um documento em conjunto com o Sinduscon – SP - Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo e a CBCS, neste sentido, afirma. Em dezembro, também será promovida a Primeira Bolsa Internacional de Compras Verdes*, dirigida a pequenos e médios empresários, fundos de investimento e incubadoras em universidades.

INTERESSE SOCIAL E MEIO AMBIENTE
Representantes do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil*e do PBQP – Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, do Ministério das Cidades*, alertam, ainda, que os modelos de habitação de interesse social, no país, devem ser revisados, visando à sustentabilidade.

Com todas essas demandas, a incorporação do conceito se difunde aos poucos no setor da construção. Uma das iniciativas é a criação do programa de sustentabilidade da CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Mais um desafio é se adaptar às novas exigências das normas técnicas vigentes.

O presidente do Sinduscon - SP, Sérgio Watanabe, explica que uma delas é a de desempenho, existente há dois anos, que agrega análise de ruído, conforto de ambiente interno, entre outros quesitos. “Teríamos de estar adequados, neste mês, mas conseguimos uma prorrogação para 2012, com a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas*, no que se refere a áreas acústicas de paredes a lajes, porque ainda o setor precisa de adaptar”, afirma.

A CONSTRUÇÃO E OS FINANCIAMENTOS
No contexto do financiamento, também estão sendo implementadas mudanças significativas. Christopher Wells, especialista em risco socioambiental do Banco Santander, explica que as maiores instituições financeiras brasileiras hoje seguem os Princípios do Equador*, que mundialmente tem mais de 60 bancos signatários voluntariamente.

“Com isso, avaliamos se o EIA-RIMA - Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impactoteve boa qualidade, mesmo se já foi aceito pelo órgão ambiental. Também verificamos qual a receptividade da sociedade em audiências públicas, além de outros aspectos, como as emissões de poluentes”, acrescenta o executivo do Santander.

Segundo Wells, grandes obras, como do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, com investimentos igual ou acima de US$ 10 mi, se adequam ao perfil das exigências de normas socioambientais do BIRD – Banco Mundial.

Mais um estímulo ao financiamento de construções sustentáveis é o Protocolo Verde, firmado no ano passado entre a Febraban – Federação Brasileira dos Bancos e o MMA – Ministério do Meio Ambiente, que propõe condições diferenciadas a projetos que tenham adicionalidade socioambiental, mediante algumas contra-partidas como a apresentação das licenças ambientais dos empreendimentos.


“Desde então, estão sendo feitas melhorias, mas ainda há um gigantesco estoque dessas habitações nas médias e grandes cidades. Mais um ponto a se trabalhar se refere ao esgotamento sanitário, já que mais de metade do país não tem acesso. Mas o Brasil não é o único nessa situação. Até países ricos estão longe do ideal. Por isso, é preciso comprometimento constante, com políticas de Estado e cobrança da sociedade”, considera.

CONSTRUÇÕES ECOLÓGICAS
Christer Söström, professor de materiais de construção da Universidade de Gävie, explica que o design deve ter a conexão entre o individual e o coletivo integrado ao local, com estratégias regionais, além de minimizar o impacto das adversidades de desenvolvimento sobre o ciclo de vida e valorizar os aspectos culturais e sociais continuamente. Outro aspecto a ser observado é de resolver conflitos de interesses.

Segundo o acadêmico, é importante o envolvimento dos stakeholders (partes interessadas) e a comunicação por meio de publicações e jornais auxiliem o processo. Söstrom ainda destaca que o perfil das construções ecológicas é baseado no ciclo de vida, mínimo de consumo de energia, monitoramento e uso de manuais do edifício e adaptabilidade, entre outros.

*Os especialistas participaram do 3º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável/Conferência Internacional Sustainable Building 2010, realizados nos dias 8 e 9 de outubro, em São Paulo, respectivamente sob realização do CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável e PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com parceria de universidades públicas brasileiras entre outros apoiadores.
O financiamento à recuperação de assentos urbanos, segundo Ivo Imparato, especialista urbano sênior da Região da América Latina e Caribe do BIRD, está em ascendência, nos últimos anos no Brasil. Em 2002, o BIRD fez estudo sobre a situação no país, no qual foi levantado que, das 40 milhões de unidades, 15 mi eram informais, acrescentando cerca de 700 mil ao ano.

“Desde então, estão sendo feitas melhorias, mas ainda há um gigantesco estoque dessas habitações nas médias e grandes cidades. Mais um ponto a se trabalhar se refere ao esgotamento sanitário, já que mais de metade do país não tem acesso. Mas o Brasil não é o único nessa situação. Até países ricos estão longe do ideal. Por isso, é preciso comprometimento constante, com políticas de Estado e cobrança da sociedade”, considera.

CONSTRUÇÕES ECOLÓGICAS
Christer Söström, professor de materiais de construção da Universidade de Gävie, explica que o design deve ter a conexão entre o individual e o coletivo integrado ao local, com estratégias regionais, além de minimizar o impacto das adversidades de desenvolvimento sobre o ciclo de vida e valorizar os aspectos culturais e sociais continuamente. Outro aspecto a ser observado é de resolver conflitos de interesses.

Segundo o acadêmico, é importante o envolvimento dos stakeholders (partes interessadas) e a comunicação por meio de publicações e jornais auxiliem o processo. Söstrom ainda destaca que o perfil das construções ecológicas é baseado no ciclo de vida, mínimo de consumo de energia, monitoramento e uso de manuais do edifício e adaptabilidade, entre outros.

*Os especialistas participaram do 3º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável/Conferência Internacional Sustainable Building 2010, realizados nos dias 8 e 9 de outubro, em São Paulo, respectivamente sob realização do CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável e PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com parceria de universidades públicas brasileiras entre outros apoiadores.
*3º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável
*CBCS
*Pnuma
*1a. Bolsa Internacional de Negócios da Economia Verde
*Princípios do Equador
*Protocolo Verde
*Procel Edifica
*Iniciativa para a Construção Sustentável e o Clima – Pnuma

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cidade/desafios-sustentabilidade-construcao-608315.shtml?func=1&pag=3&fnt=9pt