domingo, 30 de janeiro de 2011

Reabilitação de Imóveis – Solução para a crise no sector da Construção?

A perspectiva do atelier SAMI – Arquitectos

Verlag Dashöfer: Reabilitação de Imóveis – Solução para a crise no sector da Construção?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: A reabilitação de imóvel é urgente, quer se trate de edifícios localizados em zonas históricas, quer se trate de edifícios construídos, ao longo do séc. XX, noutras áreas da cidade. Não cremos que seja a solução apenas para um momento pontual, mas uma solução cada vez mais natural e frequente para todos os intervenientes no sector da construção.

Verlag Dashöfer: Muitas das estruturas reabilitadas actualmente são transformadas em edifícios de luxo com preços muito rentáveis para construtoras, imobiliárias, etc.. Que outros factores apontam para a valorização de imóveis reabilitados?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: As estruturas a que se refere são muitas vezes estruturas de grande valor patrimonial, com grande interesse do ponto de vista arquitectónico e muitas vezes localizadas em locais privilegiados da cidade, pelo que é natural que este tipo de estruturas seja alvo de intervenções que pretendam rentabilizar o investimento efectuado.

Mas é necessário perceber que muitos dos trabalhos de reabilitação ou remodelação que chegam aos escritórios de arquitectura não se prendem com edifícios de grande qualidade arquitectónica, patrimonial ou mesmo construtiva.

Muitas vezes somos chamados a intervir em edifícios recentes que, devido à má qualidade do seu desenho, à sua pouca adequabilidade a uma vivência quotidiana e às suas deficiências do ponto de vista construtivo, necessitam de intervenção. Nestes casos, quase poderíamos dizer que, comparativamente a edifícios de elevado valor patrimonial, a valorização destas estruturas seria mais relevante uma vez que as dotamos de qualidades e competências que não possuíam sequer na sua génese.

Verlag Dashöfer: Qual a importância de se conhecer e dominar bem as técnicas de construção para reabilitar um imóvel?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: Como em qualquer área, estaremos mais preparados para responder a um problema quanto melhor conhecermos os instrumentos que temos ao nosso alcance para atender a esse problema.

Uma vez que a arquitectura se relaciona, invariavelmente, com um grande número de especialidades, quanto mais os arquitectos dominarem as técnicas de construção, melhor poderão desempenhar o seu trabalho de autores, mas também de coordenadores, das diferentes especialidades.

Verlag Dashöfer: Tendo em conta o trabalho que desenvolvem / desenvolveram com outros profissionais do sector da construção, essas técnicas de construção para reabilitar imóveis encontram-se bem difundidas no sector?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: As empresas de maior dimensão terão obrigação de estar mais familiarizadas com técnicas construtivas diferentes das mais frequentemente utilizadas.

As pequenas empresas têm mais dificuldade em adaptar-se a técnicas construtivas diferentes, o que dificulta o nosso trabalho, uma vez que muitas das remodelações e reabilitações, devido ao tamanho reduzido da obra, são feitas por pequenas e não grandes empresas de construção.

Verlag Dashöfer: Num estudo desenvolvido em 2004 (Seixas, 2004) sobre o mercado da habitação na área metropolitana de Lisboa, é evidenciada a clara preferência da classe média-alta em habitar as áreas centrais de Lisboa. Embora o processo de crescimento da cidade tenha levado ao despovoamento da área central da cidade, com acentuada diminuição do número de moradores, é notória a procura de habitação de qualidade nestas áreas. Torna-se, portanto, fundamental responder a esta tendência, através da reabilitação informada do parque habitacional antigo? Quais são as razões para até agora não ter sido feita? Acha que há falta de informação? Deveriam existir mais incentivos do Estado e da UE?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: As áreas centrais das cidades possuem qualidades que são facilmente reconhecíveis por pessoas que gostam de ter uma ligação muito próxima entre o seu espaço privado, da sua casa e o espaço público das zonas centrais da nossa cidade, de escala humana e equilibrada. Associamos as zonas centrais das cidades não só aos centros históricos, mas também a zonas com alguma qualidade urbana e que permitem a concentração de variadas funcionalidades e serviços.

As desvantagens muitas vezes apontadas por quem gostaria de viver em zonas centrais e não pode, ou por quem nunca moraria em zonas centrais, seriam, do nosso ponto de vista, as razões que poderiam ajudar a responder ao porquê de não ser uma prática mais comum, como, por exemplo, a dificuldade de estacionamento, a menor segurança comparativamente com áreas maioritariamente residenciais, as dificuldades nas acessibilidades e o elevado custo da reabilitação, muitas vezes agravado pelas dificuldades de acesso à obra.

Neste sentido, e no que diz respeito às condicionantes de carácter urbano e de segurança, as Câmaras Municipais e o Estado poderiam ter maior vontade de resolução destes problemas para os quais muitas vezes não são necessárias soluções muito complexas ou onerosas, mas sim uma estratégia, bem definida, capaz de lhes dar resposta e de levar ao incentivo de uma maior recuperação de imóveis, capaz de equilibrar a excessiva construção de novas estruturas.

Verlag Dashöfer: Praticamente concluído o primeiro semestre de 2009 é possível contabilizar se vossa empresa desenvolveu / executou mais projectos relacionados com construção ou reabilitação?

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira: Durante o primeiro semestre a nossa empresa desenvolveu maioritariamente projectos de reabilitação.

O SAMI – Arquitectos foi fundado em 2005 por Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira. Desde então, tem desenvolvido projectos de arquitectura na Europa, nomeadamente Portugal e Polónia, e também na República Popular da China, numa perspectiva de internacionalização do seu trabalho. O atelier tem sido ainda nomeado para vários prémios, dos quais se destaca a selecção portuguesa para o “European Union Prize for Contemporary Architecture – Mies Van Der Rohe Award 2007”, Barcelona, com o edifício do Centro de Visitantes da Gruta das Torres, situado na ilha do Pico, Açores – Portugal. Recentemente (Maio de 2009), Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira receberam o Prémio Nacional Tektonica/OA’09 promovido pela Tektonica/Ordem dos Arquitectos, com o edifício do Centro de Visitantes da Gruta das Torres, situado na ilha do Pico, Açores – Portugal. Para mais informações consulte: SAMI Arquitectos

http://info-construcao-civil.blogspot.com/2009/11/reabilitacao-de-imoveis-solucao-para.html

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