domingo, 31 de julho de 2011

Reabilitação de Edifícios Escolares

A reabilitação de edifícios escolares constitui, uma operação complexa, com constrangimentos específicos, uma vez que trabalhar sobre edifícios existentes obriga a precauções e cuidados adicionais. Este tipo de edifícios apresenta um quadro patológico variado com anomalias que condicionam a sua utilização. É importante intervir considerando as características próprias dos edifícios, optando por metodologias de preservação da construção e dos elementos construtivos, corrigindo-os numa lógica exigencial.


A reabilitação de edifícios e particularmente dos edifícios escolares pressupõe que para além da resolução de anomalias construtivas, se melhore o desempenho local ou geral, aumentando os níveis de qualidade, de forma que possa responder a exigências para as quais o edifício inicialmente não foi concebido. As novas exigências de desempenho dos Edifícios escolares decorrem da necessidade de fornecer um serviço educativo segundo padrões elevados em que o ambiente deve ser adequado, confortável e estimulante, de modo a favorecer o desempenho educativo dos alunos.
Para isso é necessário encontrar soluções construtivas e ambientais duradouras que garantam uma redução de custos de gestão e de manutenção.

A energia é uma palavra-chave na reabilitação e não pode ser dissociada do processo de ventilação e qualidade do ar interior e a certificação energética dos edifícios escolares, é importante.
O grau de intervenção relaciona-se com o grau de degradação, daí a importância de um diagnóstico exigencial preciso. Trata-se de adequar o edificado escolar às mais actualizadas exigências de qualidade decorrentes da necessidade de melhorar o desempenho dos edifícios através da definição de exigências de melhoria da qualidade do ar, conforto térmico e acústico, conforto visual, de higiene, de diminuição do risco de incêndio, de conservação de energia, implementação de planos de manutenção, adaptando-os a uma cada vez maior necessidade de diversificar a oferta formativa e ao mesmo tempo permitir ler a história do edifício.

O diagnóstico deve dar maior ênfase aos elementos construtivos da envolvente, zona mais exposta e que condiciona a utilização dos edifícios numa perspectiva de durabilidade e sustentabilidade. Trata-se de estudar o invólucro do edifício directamente exposto aos agentes de degradação, que deve ser resistente a esses agentes e esteticamente equilibrado.
Deve proceder-se-á caracterização da solução inicial da envolvente dos edifícios, através da análise de projectos e fotografias da construção, das várias intervenções realizadas, da realização de sondagens, medições, etc.

ISOLAMENTO TÉRMICO

A melhoria das condições térmicas passa pela intervenção na envolvente (paredes exteriores) reforçando o isolamento das paredes pelo exterior ou pelo interior conforme as características das próprias paredes ou a outros factores condicionantes, nomeadamente a inércia térmica.

COMPORTAMENTO AO FOGO

Na reabilitação dos edifícios escolares, a segurança contra riscos de incêndio representa geralmente um ponto fraco devido à natureza dos materiais constituintes, sendo fundamental melhorar o comportamento ao fogo de elementos de construção qualificada pela susceptibilidade de se inflamar e alimentar a combustão. As exigências de comportamento ao fogo aplicáveis aos edifícios escolares para reabilitação, são função do tipo de utilização e da categoria de risco. As exigências contemplam também as necessárias medidas de auto-protecção e de organização de segurança contra incêndio, aplicáveis em edifícios escolares existentes.

ISOLAMENTO ACÚSTICO

A melhoria das condições acústicas dos edifícios escolares envolve um elevado número de elementos e componentes de construção.
Na reabilitação de edifícios escolares é necessário reforçar as características de isolamento acústico e sons de condução aérea produzidos no exterior dos edifícios, com intervenção na caixilharia (portas e janelas) e paredes exteriores quando as mesmas não são de grande espessura.
Embora esteja apenas a ser avaliado o isolamento aos sons de condução aéreos medido a 2 metros da parte opaca da fachada é importante atender a aspectos complementares nos edifícios escolares, como a limitação do Tempo de Reverberação e isolamento à precursão.

CONTROLO DA CONDENSAÇÃO

A humidade de condensação, apresenta-se geralmente sob a forma de humidade superficial, embora possa ocorrer também no interior dos elementos de construção.
Normalmente ocorre durante a época fria, quando a temperatura de uma superfície em contacto com o ar húmido atinge um ponto correspondente ao ponto de orvalho.
As condensações superficiais resultam das deficiências de isolamento térmico dos edifícios, e existência de pontes térmicas. As medidas correctas para resolução destas situações patológicas são o reforço da ventilação dos edifícios ou seus compartimentos, a desumidificação, o aumento da temperatura superficial reforçando o isolamento térmico em particular nas zonas de pontes térmicas, ou a diminuição de produção de vapor.
É ainda possível aumentar a temperatura das superfícies potencialmente sujeitas a riscos de condensação através da instalação ou reforço do funcionamento do sistema de aquecimento.
As condensações interiores resultam do processo de difusão de vapor e dependem das permeabilidades ao vapor das várias camadas.

CONTROLO DA QUALIDADE DO AR INTERIOR

Face ao conjunto de exigências a verificar na reabilitação do edificado escolar, realça-se a crescente e particular preocupação com a ventilação e a qualidade do ar no interior dos edifícios escolares, com os consequentes reflexos na saúde, aprendizagem e desempenho dos seus utentes.
Publicamente a poluição do ar exterior na saúde é sobrevalorizado em detrimento da poluição do ar interior dos edifícios embora este seja duas a cinco vezes superior, na medida em que a população passa 80 a 90% do seu tempo no interior dos edifícios. Concluiu-se ainda que o principal problema da qualidade de ar interior reside no deficiente arejamento das salas de aula, preconizando formas de extracção e insuflação de ar novo de forma a evitar salas mal ventiladas.
Quanto ao dióxido de carbono, os valores nas escolas são superiores aos valores recomendados, podendo concluir-se que as condições de arejamento são deficientes.

É portanto necessário intervir nos Edifícios Escolares considerando as características próprias dos edifícios, optando por metodologias de preservação da construção e dos elementos construtivos, corrigindo-os numa lógica exigencial.
A reabilitação de edifícios e particularmente dos edifícios escolares pressupõe que para além da resolução de anomalias construtivas, se melhore o desempenho local ou geral, aumentando os níveis de qualidade, de forma que possa responder a exigências para as quais o edifício inicialmente não foi concebido. As novas exigências de desempenho dos edifícios escolares decorrem da necessidade de fornecer um serviço educativo segundo altos padrões em que o ambiente deve ser adequado, confortável e estimulante, de modo a favorecer o desempenho educativo dos alunos. Para isso é necessário encontrar soluções construtivas e ambientais duradouras que garantam uma redução de custos de gestão e manutenção, em que a energia é uma palavra-chave não podendo ser dissociada do processo de ventilação, qualidade do ar interior e certificação energética.

Autor: Maria Manuela Marques Soares Ribeiro Veloso Gomes
Excerto Adaptado

http://www.engenhariacivil.com/reabilitacao-edificios-escolares?utm_medium=referral&utm_source=pulsenews

Nenhum comentário: