Soluções tecnológicas ganham espaço nas IES. Métodos tradicionais aos poucos serão aposentados
Por Fabiana Lopes Incluir os recursos tecnológicos no processo de aprendizagem era aparentemente inevitável nos anos de 1990, quando o uso da informática se tornou um fenômeno massificado no país, além de tendência como ferramenta de gestão das instituições de ensino superior. No entanto, já no início do século XXI, ainda são poucas as IES que apostam nos benefícios da tecnologia para otimizar a transmissão de conhecimento em sala de aula. Mas há também quem não gosta de perder tempo e procura olhar para frente. Por isso, muitas IES estão em busca de romper barreiras entre passado e futuro nos corredores acadêmico, e começam a investir em ferramentas pedagógicas para otimizar, facilitar e dinamizar as metodologias de ensino mais tradicionais.Para auxiliar o educador a gerenciar o conteúdo em sala de aula, já é possível contar com ferramentas modernas que aposentam quase que completamente a velha combinação giz e quadro negro. Quem toma lugar são recursos que utilizam slides apresentados aos alunos por meio de softwares como o Power Point, da Microsoft. Um bom exemplo de inovação no ambiente acadêmico é o sistema SMART Board, uma lousa interativa que facilita o processo de troca e gerenciamento de informações no ambiente acadêmico. A tecnologia, importada do Canadá e presente em dezenas de países, já faz parte do processo educacional de cerca de 100 escolas brasileiras de ensino superior, médio e fundamental. "O equipamento substitui a tela de projeção, a lousa comum e é um periférico do computador totalmente interativo", explica Cláudia Scheiner, gerente geral da Scheiner Solution, representante da SMART Board no Brasil. A lousa interativa é uma tela conectada ao computador, seja na plataforma Windows, Linux ou Apple, e permite a integração de recursos de som, vídeo, vídeo conferência e o acesso à internet. Com a imagem projetada na lousa, basta que o professor toque sua superfície para acessar ou controlar qualquer aplicação. "O professor opera o micro através da lousa, tocando e escrevendo com o próprio dedo", diz. A superfície da lousa foi projetada também para o uso de canetas especiais e apagadores, cuja utilização é detectada por meio de sensores ópticos. Como é controlada pelo toque, a lousa funciona como um mouse. É possível desenhar e escrever sobre qualquer programa, destacar partes importantes de um texto, planilha, site ou qualquer outra informação que esteja projeta na tela. Além disso, é possível armazenar estas anotações em diversos formatos, inclusive, em arquivos do tipo html e pdf. "Tudo fica registrado na seqüência lógica apresentada e com a voz do professor integrada", diz Cláudia.Hoje, no Brasil, há cerca de 800 lousas interativas instaladas em empresas e instituições de ensino. Na Faap, de São Paulo, o Centro de Criatividade foi a primeira instalação a receber a SMART Board. A instituição provou o recurso e pretende ter ao menos mais 100 outros equipamentos servindo como ferramenta educacional nos próximos três meses. "O uso deste recurso revoluciona a aula, pois proporciona uma qualidade de interação e um dinamismo que antes eram impossíveis", afirma Victor Mirshawka Jr., diretor de pós-graduação da instituição.De acordo com Mirshawka, o recurso modificou a postura pedagógica da universidade, que agora aproveita o recurso para publicar na rede interna e na internet o conteúdo das aulas. "Ao lado da infra-estrutura wireless (conexão sem fio à internet) que disponibilizamos no campus, a lousa interativa transformou as aulas numa experiência muito mais rica, um espaço para o debate e para a troca efetiva de conhecimento", acredita ele.Na Faculdade Impacta Tecnologia, a adoção de soluções tecnológicas em sala de aula faz parte da metodologia de ensino desde sua implantação. Além da conexão à internet em todas as salas de aula e da utilização de notebooks conectados ao do professor, a SMART Board é utilizada em todos os ambientes da faculdade. Além disso, é possível a comunicação personalizada por chat entre aluno e professor - para isso, a instituição utiliza o software SynchronEyes, que permite ao educador controlar o computador de cada aluno, desabilitar programas indesejáveis, capturar e compartilhar imagens e informações das estações de trabalho. "Não queríamos revolucionar o modelo pedagógico, mas sim otimizar a forma de transmissão do conteúdo", afirma o professor Valderes Pinheiro, da Impacta. Para minimizar a possibilidade de resistência dos educadores aos recursos tecnológicos, os professores recebem treinamentos específicos para cada uma das ferramentas.
Tendência
Aliar recursos tecnológicos, além de outras ferramentas modernas, é uma tendência nas IES, especialmente nas particulares. No Ibmec São Paulo, a lousa interativa deve começar a fazer parte do método pedagógico já em 2006. Tanto que em janeiro a instituição inaugurou um novo campus totalmente projetado para receber uma série de recursos de alta tecnologia como aliados ao processo de transmissão de conhecimento."O pré-requisito para ingressar nos cursos é que o aluno tenha um notebook para que seja possível acessar a internet, a rede da instituição e interagir com o professor em tempo real", esclarece Alessandro Neres, analista de redes do Ibmec São Paulo. Na instituição, o método de aplicação de provas no novo campus deve passar longe da caneta e do papel - todos os exames são feitos por meio do computador portátil, utilizando softwares matemáticos e recursos do banco de dados. A faculdade também projetou salas especiais para o novo campus, tomando como exemplos as soluções tecnológicas e pedagógicas de instituições como a Universidade de Harvard e a London Business School. O novo campus terá as chamadas Salas Harvard, que contarão com lousas interativas, três projetores e telas, equipamentos de vídeo e DVD exclusivos. "Caso haja algum problema com estas ferramentas, há uma central de controle que interage em tempo real com o professor para solucionar os problemas à distância", explica Neres. Segundo ele, com o uso de notebooks conectados à internet nestas salas, será possível assistir, sem sair da sala, a palestras e seminários realizados na faculdade.Atraso tecnológicoEntretanto, apesar de algumas instituições apostarem na revisão dos convencionais métodos de ensino para dar espaço ao uso da tecnologia, o processo de aprendizagem com ferramentas informatizadas é ainda uma aplicação tímida no Brasil. "Temos algumas instituições de excelência que conseguem equipar as salas com esse tipo de ferramenta, mas a grande maioria das IES ainda ostenta um baixo nível tecnológico", lamenta João Roberto Moreira Alves, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT). Segundo Moreira Alves, são muitos os entraves que impedem a ampliação das tecnologias educacionais nas salas de aula brasileiras. Além das restrições econômicas e da estrutura dos edifícios em que as instituições estão abrigadas, há ainda muita resistência dos educadores à utilização da tecnologia como aliado à metodologia educacional. "O professor ainda mantém vínculos muito fortes com os métodos tradicionais de ensino. Mas quando a instituição avança tecnologicamente, os professores são levados a acompanhar a evolução", ressalta o presidente. De acordo com o especialista, o Brasil está em posição de atraso em relação aos países da Europa quando o assunto é tecnologia educacional - o que existe aqui, na maioria dos casos, são instituições que disponibilizam laboratórios de informática, numa média de 70 a 80 alunos por equipamentos, e, na sala de aula, projetores e o velho quadro negro. Em alguns países, entretanto, há equipamentos como leitores ópticos para detectar cópias de trabalhos científicos, instalações modernas com redes de computadores e softwares capazes de dinamizar a transmissão e absorção do conteúdo. Os modelos de ensino destes países permitem que o professor trabalhe o fato do dia com o aluno com informações da internet e os livros - ainda necessários e insubstituíveis - são mais utilizados em disciplinas históricas. O presidente da ABT sustenta que o aluno que chega à universidade já aprendeu a conviver com o universo tecnológico e não têm mais disponibilidade para caminhar na contramão da modernidade. "Há estudos feitos na Suécia que mostram que o tempo máximo de aceitabilidade da jornada de aula é de 22 a 23 minutos. Por isso, mudar o comportamento didático é uma obrigação das instituições de ensino", acredita Moreira Alves.Mesmo para os adeptos do uso da tecnologia em sala de aula, é preciso ter cautela para que as facilidades da modernidade não atropelem a transmissão de conteúdo. "Se o professor não dominar o recurso, pode se perder durante a aula e perder um tempo valioso. Mas também há o risco do educador se acostumar tanto com a tecnologia a ponto de perder a capacidade de dar aula sem ela. É preciso muito cuidado", acredita Victor Mirshawka Jr., da Faap.Para os próximos anos, uma das possibilidades, segundo os especialistas, é de que o Brasil retome a utilização do rádio em sala de aula - uma tecnologia barata, que permite também mais flexibilidade ao projeto de ensino e a inclusão de portadores de deficiência visual nas instituições de graduação e pós-graduação. "Mas falta uma política séria para o setor. Há inclusive uma necessidade de apoiar a inclusão da tecnologia na educação básica para que ela reflita também no ensino superior", afirma Moreira Alves, da ABT. "A falta de investimento nessas ferramentas acaba gerando uma impossibilidade de mudança de política nas universidades", completa.
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=11218
Por Fabiana Lopes Incluir os recursos tecnológicos no processo de aprendizagem era aparentemente inevitável nos anos de 1990, quando o uso da informática se tornou um fenômeno massificado no país, além de tendência como ferramenta de gestão das instituições de ensino superior. No entanto, já no início do século XXI, ainda são poucas as IES que apostam nos benefícios da tecnologia para otimizar a transmissão de conhecimento em sala de aula. Mas há também quem não gosta de perder tempo e procura olhar para frente. Por isso, muitas IES estão em busca de romper barreiras entre passado e futuro nos corredores acadêmico, e começam a investir em ferramentas pedagógicas para otimizar, facilitar e dinamizar as metodologias de ensino mais tradicionais.Para auxiliar o educador a gerenciar o conteúdo em sala de aula, já é possível contar com ferramentas modernas que aposentam quase que completamente a velha combinação giz e quadro negro. Quem toma lugar são recursos que utilizam slides apresentados aos alunos por meio de softwares como o Power Point, da Microsoft. Um bom exemplo de inovação no ambiente acadêmico é o sistema SMART Board, uma lousa interativa que facilita o processo de troca e gerenciamento de informações no ambiente acadêmico. A tecnologia, importada do Canadá e presente em dezenas de países, já faz parte do processo educacional de cerca de 100 escolas brasileiras de ensino superior, médio e fundamental. "O equipamento substitui a tela de projeção, a lousa comum e é um periférico do computador totalmente interativo", explica Cláudia Scheiner, gerente geral da Scheiner Solution, representante da SMART Board no Brasil. A lousa interativa é uma tela conectada ao computador, seja na plataforma Windows, Linux ou Apple, e permite a integração de recursos de som, vídeo, vídeo conferência e o acesso à internet. Com a imagem projetada na lousa, basta que o professor toque sua superfície para acessar ou controlar qualquer aplicação. "O professor opera o micro através da lousa, tocando e escrevendo com o próprio dedo", diz. A superfície da lousa foi projetada também para o uso de canetas especiais e apagadores, cuja utilização é detectada por meio de sensores ópticos. Como é controlada pelo toque, a lousa funciona como um mouse. É possível desenhar e escrever sobre qualquer programa, destacar partes importantes de um texto, planilha, site ou qualquer outra informação que esteja projeta na tela. Além disso, é possível armazenar estas anotações em diversos formatos, inclusive, em arquivos do tipo html e pdf. "Tudo fica registrado na seqüência lógica apresentada e com a voz do professor integrada", diz Cláudia.Hoje, no Brasil, há cerca de 800 lousas interativas instaladas em empresas e instituições de ensino. Na Faap, de São Paulo, o Centro de Criatividade foi a primeira instalação a receber a SMART Board. A instituição provou o recurso e pretende ter ao menos mais 100 outros equipamentos servindo como ferramenta educacional nos próximos três meses. "O uso deste recurso revoluciona a aula, pois proporciona uma qualidade de interação e um dinamismo que antes eram impossíveis", afirma Victor Mirshawka Jr., diretor de pós-graduação da instituição.De acordo com Mirshawka, o recurso modificou a postura pedagógica da universidade, que agora aproveita o recurso para publicar na rede interna e na internet o conteúdo das aulas. "Ao lado da infra-estrutura wireless (conexão sem fio à internet) que disponibilizamos no campus, a lousa interativa transformou as aulas numa experiência muito mais rica, um espaço para o debate e para a troca efetiva de conhecimento", acredita ele.Na Faculdade Impacta Tecnologia, a adoção de soluções tecnológicas em sala de aula faz parte da metodologia de ensino desde sua implantação. Além da conexão à internet em todas as salas de aula e da utilização de notebooks conectados ao do professor, a SMART Board é utilizada em todos os ambientes da faculdade. Além disso, é possível a comunicação personalizada por chat entre aluno e professor - para isso, a instituição utiliza o software SynchronEyes, que permite ao educador controlar o computador de cada aluno, desabilitar programas indesejáveis, capturar e compartilhar imagens e informações das estações de trabalho. "Não queríamos revolucionar o modelo pedagógico, mas sim otimizar a forma de transmissão do conteúdo", afirma o professor Valderes Pinheiro, da Impacta. Para minimizar a possibilidade de resistência dos educadores aos recursos tecnológicos, os professores recebem treinamentos específicos para cada uma das ferramentas.
Tendência
Aliar recursos tecnológicos, além de outras ferramentas modernas, é uma tendência nas IES, especialmente nas particulares. No Ibmec São Paulo, a lousa interativa deve começar a fazer parte do método pedagógico já em 2006. Tanto que em janeiro a instituição inaugurou um novo campus totalmente projetado para receber uma série de recursos de alta tecnologia como aliados ao processo de transmissão de conhecimento."O pré-requisito para ingressar nos cursos é que o aluno tenha um notebook para que seja possível acessar a internet, a rede da instituição e interagir com o professor em tempo real", esclarece Alessandro Neres, analista de redes do Ibmec São Paulo. Na instituição, o método de aplicação de provas no novo campus deve passar longe da caneta e do papel - todos os exames são feitos por meio do computador portátil, utilizando softwares matemáticos e recursos do banco de dados. A faculdade também projetou salas especiais para o novo campus, tomando como exemplos as soluções tecnológicas e pedagógicas de instituições como a Universidade de Harvard e a London Business School. O novo campus terá as chamadas Salas Harvard, que contarão com lousas interativas, três projetores e telas, equipamentos de vídeo e DVD exclusivos. "Caso haja algum problema com estas ferramentas, há uma central de controle que interage em tempo real com o professor para solucionar os problemas à distância", explica Neres. Segundo ele, com o uso de notebooks conectados à internet nestas salas, será possível assistir, sem sair da sala, a palestras e seminários realizados na faculdade.Atraso tecnológicoEntretanto, apesar de algumas instituições apostarem na revisão dos convencionais métodos de ensino para dar espaço ao uso da tecnologia, o processo de aprendizagem com ferramentas informatizadas é ainda uma aplicação tímida no Brasil. "Temos algumas instituições de excelência que conseguem equipar as salas com esse tipo de ferramenta, mas a grande maioria das IES ainda ostenta um baixo nível tecnológico", lamenta João Roberto Moreira Alves, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT). Segundo Moreira Alves, são muitos os entraves que impedem a ampliação das tecnologias educacionais nas salas de aula brasileiras. Além das restrições econômicas e da estrutura dos edifícios em que as instituições estão abrigadas, há ainda muita resistência dos educadores à utilização da tecnologia como aliado à metodologia educacional. "O professor ainda mantém vínculos muito fortes com os métodos tradicionais de ensino. Mas quando a instituição avança tecnologicamente, os professores são levados a acompanhar a evolução", ressalta o presidente. De acordo com o especialista, o Brasil está em posição de atraso em relação aos países da Europa quando o assunto é tecnologia educacional - o que existe aqui, na maioria dos casos, são instituições que disponibilizam laboratórios de informática, numa média de 70 a 80 alunos por equipamentos, e, na sala de aula, projetores e o velho quadro negro. Em alguns países, entretanto, há equipamentos como leitores ópticos para detectar cópias de trabalhos científicos, instalações modernas com redes de computadores e softwares capazes de dinamizar a transmissão e absorção do conteúdo. Os modelos de ensino destes países permitem que o professor trabalhe o fato do dia com o aluno com informações da internet e os livros - ainda necessários e insubstituíveis - são mais utilizados em disciplinas históricas. O presidente da ABT sustenta que o aluno que chega à universidade já aprendeu a conviver com o universo tecnológico e não têm mais disponibilidade para caminhar na contramão da modernidade. "Há estudos feitos na Suécia que mostram que o tempo máximo de aceitabilidade da jornada de aula é de 22 a 23 minutos. Por isso, mudar o comportamento didático é uma obrigação das instituições de ensino", acredita Moreira Alves.Mesmo para os adeptos do uso da tecnologia em sala de aula, é preciso ter cautela para que as facilidades da modernidade não atropelem a transmissão de conteúdo. "Se o professor não dominar o recurso, pode se perder durante a aula e perder um tempo valioso. Mas também há o risco do educador se acostumar tanto com a tecnologia a ponto de perder a capacidade de dar aula sem ela. É preciso muito cuidado", acredita Victor Mirshawka Jr., da Faap.Para os próximos anos, uma das possibilidades, segundo os especialistas, é de que o Brasil retome a utilização do rádio em sala de aula - uma tecnologia barata, que permite também mais flexibilidade ao projeto de ensino e a inclusão de portadores de deficiência visual nas instituições de graduação e pós-graduação. "Mas falta uma política séria para o setor. Há inclusive uma necessidade de apoiar a inclusão da tecnologia na educação básica para que ela reflita também no ensino superior", afirma Moreira Alves, da ABT. "A falta de investimento nessas ferramentas acaba gerando uma impossibilidade de mudança de política nas universidades", completa.
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