Ensino superior investe milhões a cada ano na edificação ou reforma de suas unidades e ajuda a aquecer construção civil
Carolina Cassiano
O crescimento das universidades públicas e privadas na última década, que se faz ver em números de vagas abertas e alunos matriculados, trouxe consigo, como reflexo, a expansão de outros setores. Em 1996, as vagas oferecidas pelas instituições de ensino superior atingiam 630 mil. Uma década depois, esse número cresceu 300% e hoje beira os 2,5 milhões de vagas. Para comportar esse efetivo, foram criados milhares de metros quadrados de espaço físico. Para que isso fosse possível, especialmente as universidades e os centros universitários investiram pesadamente em levantar novas instalações, de modo que o setor fez o que pôde para contribuir para o aquecimento da economia no setor da construção civil.Para se ter idéia do volume construído, somente no Estado de São Paulo, em 1998, a área total edificada pelas instituições de ensino superior privadas somavam 3 milhões de metros quadrados. Seis anos depois, o setor havia construído outros 1,9 milhões de metros quadrados. Em 2006, a expectativa é que todo o setor privado paulista tenha construído 5,4 milhões de metros quadrados até hoje, segundo dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Um incremento de 80% em oito anos.A dificuldade para a análise mais profunda dos dados está no fato de, no país todo, não serem compilados os números de metros quadrados construídos para a educação, segundo informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon). Da mesma forma, as entidades representativas da educação superior também não sabem dizer quantos campi foram construídos na última década, a despeito do evidente crescimento das universidades. Entretanto, uma amostra pequena, mas significativa, das universidades, já dá a dimensão desse impulso. A revista Ensino Superior selecionou dez grandes instituições privadas de diferentes regiões do país e contou quantos campi essas IES tinham, juntas, em 1996 e comparou com a soma do número de campi próprios que têm hoje. Foram analisadas as escolas: Ulbra, Uniban, Uninove, Unip, Unisa, Unisul, Unit, Univercidade, Universo e São Judas. Somadas, essas instituições de ensino tinham 36 campi em 1996. Passados dez anos, as escolas construíram e são proprietárias de 95 campi. Um crescimento de 164%.Embora não existam dados somados dos investimentos das instituições de ensino em edificações, os números de algumas universidades ajudam a mapear os valores aplicados nas construções. A carioca Univercidade - Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, tem hoje 16 campi e 11 deles foram inaugurados nos últimos dez anos. Foram construídos ou reformados, nesse período, cerca de 30 mil metros quadrados.Em função da demanda, a Univercidade mantém até mesmo um departamento de projetos e obras que emprega cerca de 60 pessoas. Fora estas, ainda são contratados algumas dezenas de funcionários terceirizados, quando necessário. Em cada obra, a instituição acredita ter investido, em média, R$ 750 mil, o que totaliza, em dez anos, uma aplicação de recursos de mais de R$ 8 milhões.Também em processo de expansão, a Unisul, sediada em Santa Catarina, viu a sua planta total dobrar na última década. Os cerca de 80 mil metros quadrados pertencentes à instituição no início dos anos 90 passaram aos atuais 154 mil metros quadrados. A gaúcha Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), a terceira maior universidade brasileira em número de alunos, também apresenta números impressionantes. Em 1996, a instituição já possuía 21 unidades de ensino (para os níveis fundamental, médio e superior). Hoje, tem 33 unidades (16 delas de ensino superior), com 610 mil metros quadrados de área construída. Nesse período, a instituição e seu patrimônio total cresceram 1.400%. O que somava R$ 95 milhões hoje totaliza R$ 1,5 bilhão.Para essas universidades, esse investimento é parte de seu patrimônio bruto. Mas nem toda instituição de ensino privada opta por construir os próprios campi.
Tendo em vista essa preferência por não investir em imóveis e construção, foi desenvolvida uma modalidade alternativa: o sistema built to suit, utilizado pelo Ibmec São Paulo para erguer seu novo campus, no bairro da Vila Olímpia. A instituição atraiu oito investidores que compraram o terreno por cerca de R$ 15 milhões e bancaram a construção do prédio, seguindo as especificações e necessidades da escola. Somados o terreno e a construção de 20,4 mil metros quadrados, foram investidos cerca de R$ 40 milhões. O Ibmec firmou contrato com vigência de 18 anos, com os investidores, para o aluguel do imóvel. "Tudo leva a crer que mais adiante ambos terão o máximo de interesse em renovar o aluguel porque somos parceiros e porque o prédio foi construído para nossa necessidade específica", diz Cláudio Haddad, diretor-presidente da instituição. Haddad analisa essa estratégia como uma boa saída para uma empresa que não quer empatar seu caixa com bens imobiliários. "Não achamos que tijolo e cimento sejam um bom emprego de caixa ou que agreguem valor aos alunos. Construir é empregar muito dinheiro em um ativo fixo e isso empata o caixa, por muito tempo. O sistema é perfeitamente adequado à nossa filosofia", avalia.Não apenas em edificações investem essas instituições. Elas também movimentam o setor da construção civil por aplicar recursos em reformas. A Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro aplicará R$ 6 milhões na reforma do octogenário Banco Francês e Italiano, localizado no centro, que já pertence à FGV há algumas décadas. A reforma, que envolveu 35 profissionais durante um ano e meio de trabalho, deve ficar pronta em outubro próximo. Depois de reformados, os 3,5 mil metros quadrados abrigarão os cursos que ainda hoje são ministrados em salas alugadas no prédio da Bolsa de Valores. Por ser um patrimônio histórico, a edificação terá sua fachada preservada. "Mantivemos a fachada e fizemos intervenções modernas no interior, como elevadores, estúdio de TV e livraria", diz Paulo Lemos, superintendente da FGV-RJ.Juntas, as universidades privadas paulistas devem construir, até o fim deste ano, 2,4 milhões de metros quadrados - contabilizadas as obras executadas a partir de 1998. Se fossem calculados os investimentos em construção feitos pelo setor com base no custo de hoje do metro quadrado (segundo o IBGE, são R$ 631,44 por metro quadrado, em julho deste ano, em São Paulo), os números seriam da ordem de R$ 1,5 bilhão, uma média de cerca de R$ 200 milhões ao ano. O número não é oficial, já que se baseia no custo atual e não naquele praticado a cada ano, mas dá uma idéia da soma de recursos que o setor injetou na construção civil, só no Estado de São Paulo.
PÚBLICAS
Recentemente, as universidades públicas federais também vêm fazendo volume na soma de investimentos relacionados à construção. Especialmente este ano, em que o Ministério da Educação liberou R$ 100 milhões para o Projeto Expandir, que quer impulsionar a expansão e a interiorização do ensino superior - e o que o orçamento prevê é que outros R$ 160 milhões devem ser aprovados este ano. O objetivo é construir 42 novos campi e dez novas universidades - o primeiro já inaugurado é o de Garanhuns, em Pernambuco.As universidades estaduais também fazem seus investimentos. A construção da USP-Leste, unidade da Universidade de São Paulo inaugurada em 2005, é um exemplo. Toda a unidade, que continua em obras, deverá ter 48 mil metros quadrados até o ano que vem. Durante os quase dois anos de construção, foram envolvidas 13 construtoras. "Até o fim das obras, a expectativa é que sejam aplicados R$ 101 milhões", analisa a arquiteta Ivone Carneiro Rafael, que integra a Coordenadoria do Espaço Físico da USP (Coesf).A Universidade Estadual Paulista (Unesp) também deve investir mais R$ 30 milhões na reforma e edificação de três novas unidades: um campus em São Paulo (na Barra Funda), um novo prédio dentro do campus da cidade de Rio Claro e uma nova unidade em Franca. "O projeto de ter novas instalações já existe há alguns anos e vem da idéia de oferecer à comunidade um campus de melhor qualidade. A universidade precisa sempre se atualizar tendo em vista as necessidades dos alunos e da população", diz Hermann Voorwald, vice-reitor da Unesp. Na unidade Barra Funda, o primeiro campus da Unesp na capital, novas obras devem ocorrer em breve. A atual etapa, no entanto, deve ser entregue em fevereiro de 2008. Computados os três novos espaços da Unesp, serão mais 34 mil metros quadrados acadêmicos construídos em São Paulo.
Carolina Cassiano
O crescimento das universidades públicas e privadas na última década, que se faz ver em números de vagas abertas e alunos matriculados, trouxe consigo, como reflexo, a expansão de outros setores. Em 1996, as vagas oferecidas pelas instituições de ensino superior atingiam 630 mil. Uma década depois, esse número cresceu 300% e hoje beira os 2,5 milhões de vagas. Para comportar esse efetivo, foram criados milhares de metros quadrados de espaço físico. Para que isso fosse possível, especialmente as universidades e os centros universitários investiram pesadamente em levantar novas instalações, de modo que o setor fez o que pôde para contribuir para o aquecimento da economia no setor da construção civil.Para se ter idéia do volume construído, somente no Estado de São Paulo, em 1998, a área total edificada pelas instituições de ensino superior privadas somavam 3 milhões de metros quadrados. Seis anos depois, o setor havia construído outros 1,9 milhões de metros quadrados. Em 2006, a expectativa é que todo o setor privado paulista tenha construído 5,4 milhões de metros quadrados até hoje, segundo dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Um incremento de 80% em oito anos.A dificuldade para a análise mais profunda dos dados está no fato de, no país todo, não serem compilados os números de metros quadrados construídos para a educação, segundo informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon). Da mesma forma, as entidades representativas da educação superior também não sabem dizer quantos campi foram construídos na última década, a despeito do evidente crescimento das universidades. Entretanto, uma amostra pequena, mas significativa, das universidades, já dá a dimensão desse impulso. A revista Ensino Superior selecionou dez grandes instituições privadas de diferentes regiões do país e contou quantos campi essas IES tinham, juntas, em 1996 e comparou com a soma do número de campi próprios que têm hoje. Foram analisadas as escolas: Ulbra, Uniban, Uninove, Unip, Unisa, Unisul, Unit, Univercidade, Universo e São Judas. Somadas, essas instituições de ensino tinham 36 campi em 1996. Passados dez anos, as escolas construíram e são proprietárias de 95 campi. Um crescimento de 164%.Embora não existam dados somados dos investimentos das instituições de ensino em edificações, os números de algumas universidades ajudam a mapear os valores aplicados nas construções. A carioca Univercidade - Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, tem hoje 16 campi e 11 deles foram inaugurados nos últimos dez anos. Foram construídos ou reformados, nesse período, cerca de 30 mil metros quadrados.Em função da demanda, a Univercidade mantém até mesmo um departamento de projetos e obras que emprega cerca de 60 pessoas. Fora estas, ainda são contratados algumas dezenas de funcionários terceirizados, quando necessário. Em cada obra, a instituição acredita ter investido, em média, R$ 750 mil, o que totaliza, em dez anos, uma aplicação de recursos de mais de R$ 8 milhões.Também em processo de expansão, a Unisul, sediada em Santa Catarina, viu a sua planta total dobrar na última década. Os cerca de 80 mil metros quadrados pertencentes à instituição no início dos anos 90 passaram aos atuais 154 mil metros quadrados. A gaúcha Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), a terceira maior universidade brasileira em número de alunos, também apresenta números impressionantes. Em 1996, a instituição já possuía 21 unidades de ensino (para os níveis fundamental, médio e superior). Hoje, tem 33 unidades (16 delas de ensino superior), com 610 mil metros quadrados de área construída. Nesse período, a instituição e seu patrimônio total cresceram 1.400%. O que somava R$ 95 milhões hoje totaliza R$ 1,5 bilhão.Para essas universidades, esse investimento é parte de seu patrimônio bruto. Mas nem toda instituição de ensino privada opta por construir os próprios campi.
Tendo em vista essa preferência por não investir em imóveis e construção, foi desenvolvida uma modalidade alternativa: o sistema built to suit, utilizado pelo Ibmec São Paulo para erguer seu novo campus, no bairro da Vila Olímpia. A instituição atraiu oito investidores que compraram o terreno por cerca de R$ 15 milhões e bancaram a construção do prédio, seguindo as especificações e necessidades da escola. Somados o terreno e a construção de 20,4 mil metros quadrados, foram investidos cerca de R$ 40 milhões. O Ibmec firmou contrato com vigência de 18 anos, com os investidores, para o aluguel do imóvel. "Tudo leva a crer que mais adiante ambos terão o máximo de interesse em renovar o aluguel porque somos parceiros e porque o prédio foi construído para nossa necessidade específica", diz Cláudio Haddad, diretor-presidente da instituição. Haddad analisa essa estratégia como uma boa saída para uma empresa que não quer empatar seu caixa com bens imobiliários. "Não achamos que tijolo e cimento sejam um bom emprego de caixa ou que agreguem valor aos alunos. Construir é empregar muito dinheiro em um ativo fixo e isso empata o caixa, por muito tempo. O sistema é perfeitamente adequado à nossa filosofia", avalia.Não apenas em edificações investem essas instituições. Elas também movimentam o setor da construção civil por aplicar recursos em reformas. A Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro aplicará R$ 6 milhões na reforma do octogenário Banco Francês e Italiano, localizado no centro, que já pertence à FGV há algumas décadas. A reforma, que envolveu 35 profissionais durante um ano e meio de trabalho, deve ficar pronta em outubro próximo. Depois de reformados, os 3,5 mil metros quadrados abrigarão os cursos que ainda hoje são ministrados em salas alugadas no prédio da Bolsa de Valores. Por ser um patrimônio histórico, a edificação terá sua fachada preservada. "Mantivemos a fachada e fizemos intervenções modernas no interior, como elevadores, estúdio de TV e livraria", diz Paulo Lemos, superintendente da FGV-RJ.Juntas, as universidades privadas paulistas devem construir, até o fim deste ano, 2,4 milhões de metros quadrados - contabilizadas as obras executadas a partir de 1998. Se fossem calculados os investimentos em construção feitos pelo setor com base no custo de hoje do metro quadrado (segundo o IBGE, são R$ 631,44 por metro quadrado, em julho deste ano, em São Paulo), os números seriam da ordem de R$ 1,5 bilhão, uma média de cerca de R$ 200 milhões ao ano. O número não é oficial, já que se baseia no custo atual e não naquele praticado a cada ano, mas dá uma idéia da soma de recursos que o setor injetou na construção civil, só no Estado de São Paulo.
PÚBLICAS
Recentemente, as universidades públicas federais também vêm fazendo volume na soma de investimentos relacionados à construção. Especialmente este ano, em que o Ministério da Educação liberou R$ 100 milhões para o Projeto Expandir, que quer impulsionar a expansão e a interiorização do ensino superior - e o que o orçamento prevê é que outros R$ 160 milhões devem ser aprovados este ano. O objetivo é construir 42 novos campi e dez novas universidades - o primeiro já inaugurado é o de Garanhuns, em Pernambuco.As universidades estaduais também fazem seus investimentos. A construção da USP-Leste, unidade da Universidade de São Paulo inaugurada em 2005, é um exemplo. Toda a unidade, que continua em obras, deverá ter 48 mil metros quadrados até o ano que vem. Durante os quase dois anos de construção, foram envolvidas 13 construtoras. "Até o fim das obras, a expectativa é que sejam aplicados R$ 101 milhões", analisa a arquiteta Ivone Carneiro Rafael, que integra a Coordenadoria do Espaço Físico da USP (Coesf).A Universidade Estadual Paulista (Unesp) também deve investir mais R$ 30 milhões na reforma e edificação de três novas unidades: um campus em São Paulo (na Barra Funda), um novo prédio dentro do campus da cidade de Rio Claro e uma nova unidade em Franca. "O projeto de ter novas instalações já existe há alguns anos e vem da idéia de oferecer à comunidade um campus de melhor qualidade. A universidade precisa sempre se atualizar tendo em vista as necessidades dos alunos e da população", diz Hermann Voorwald, vice-reitor da Unesp. Na unidade Barra Funda, o primeiro campus da Unesp na capital, novas obras devem ocorrer em breve. A atual etapa, no entanto, deve ser entregue em fevereiro de 2008. Computados os três novos espaços da Unesp, serão mais 34 mil metros quadrados acadêmicos construídos em São Paulo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário