sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sustentabilidade na construção civil vive na informalidade

Fonte: O Globo
Foi lançado ontem, em São Paulo, um livro que cria alicerces mais fortes para o debate sobre a construção sustentável no Brasil. Ele defende, por exemplo, que não é possível falar seriamente sobre o tema quando 80% do setor ainda vivem na informalidade. Empresas informais sonegam impostos, desrespeitam as leis trabalhistas e ignoram a legislação ambiental. Os autores de “O Desafio da Sustentabilidade na Construção Civil”, são os especialistas Vahan Agopyan e Vanderley M. John, que estão há muitos anos na estrada e são professores da Escola Politécnica da USP.

Um ranking feito pela certificadora americana Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental) classificou o Brasil, em 2010, como o quinto país do mundo em construções sustentáveis. O professor Vanderley diz que não tem nada contra esse tipo de certificação, mas que elas acabam servindo mais como peças de marketing: “Não são 5, 50 ou 500 prédios certificados que vão tornar a construção brasileira sustentável”.
Vanderley argumenta que é preciso fazer um diagnóstico consistente do setor, baseado em fatos e números e não em opiniões. O livro desmente um número internacionalmente aceito. O de que o uso de edifícios seria responsável por 30% das emissões de CO2. Usando dados do inventário nacional de emissões, eles concluem que o percentual é de apenas 2,8%, por conta da nossa matriz energética limpa.

Mas trabalhar com dados consistentes é apenas uma parte do desafio. São necessárias políticas sérias e metas transparentes para cada um dos atores dessa cadeia produtiva. Começa com as construtoras que precisam ter trabalhadores formalmente contratados. Passa por fornecedores de materiais como areia, brita e cerâmica que, muitas vezes, não são capazes de comprovar a origem dos seus produtos. E termina com prefeituras de cidades pequenas, médias e grandes que têm códigos de obras obsoletos.

Faça sua parte

O Conselho Brasileiro da Cosntrução Sustentável criou um sistema que ajuda os projetistas e usuários a descobrir se a empresa que fornece material para sua obra é sustentável. Eles é chamado de "Seis Passos" e avalia, em primeiro lugar, se a empresa está formalizada, o que pode ser verificado pelo CNPJ. Depois confirma se respeitam as licenças ambientais, as questões sociais, a qualidade e normas técnicas do produto, se o forncedor tem responsablidade socioambiental e, finalmente, se faz propganda enganosa. Vale conferir as dicas em http://www.cbcs.org.br/


Veja também:
Não existe sustentabilidade sem formalidade, legalidade e qualidade. A informalidade tem muitas facetas:
(a) sonegação de impostos; (b) desrespeito a legislação ambiental; (c) desrespeito a legislação trabalhista.
O Comitê de Materiais desenvolveu uma ferramenta para auxiliar os projetistas, empreendedores e usuários na seleção dos fornecedores e dos materiais que serão utilizados nas obras. Esse sistema não esgota o assunto, mas é uma estratégia viável para abordar práticas acessíveis a todos os compradores e especificadores de materiais e fornecedores.

6 PASSOS PARA SELEÇÃO DE INSUMOS E FORNECEDORES COM CRITÉRIOS DE SUSTENTABILIDADE
1 - Verificação da formalidade da empresa fabricante e fornecedora;
2 - Verificação da licença ambiental;
3 - Verificação das questões sociais;
4 - Qualidade e normas técnicas do produto;
5 - Consultar o perfil de responsabilidade socioambiental da empresa;
6 - Identificar a existência de propaganda enganosa;

http://www.cbcs.org.br/selecaoem6passos/index.php?NO_LAYOUT=true

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